Política

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MANGA NA HORA DO VOTO

No Terça, 30 Setembro 2014 08:30.

Paulo Guedes caminha para ser majoritário, mas tendência é de perda de espaço no voto manguense
## Fora do poder, ex-prefeito Quinquinha também enfrenta limitações para transferir votos

O petista Guedes mede forças, no plano local, com o ex-prefeito Quinquinha e Maurício Magalhães: votação menor, mas ainda assim majoritário

Como é da praxe em eleições que não têm maior impacto local, caso das municipais, foi somente nesta reta final que partidos e candidatos se lançaram mais abertamente na busca ao voto do eleitor, cada vez mais ressabiado com a política e os políticos. Ainda assim, a turma não deixou por menos: com a presença dos candidatos ou não, uma série de reuniões, comícios e até uma carreata sacudiram a rotina de Manga, no extremo Norte de Minas – a exemplo do que acontece na região e em todo o país.

O site ouviu, nos últimos dias, algumas pessoas para fazer uma mediana de como deve se comportar o eleitor manguense. A previsão é de que o PT faça barba, cabelo e bigode no município, no que repete o desempenho das eleições de 2010 – agora com expressiva votação para a tentativa de reeleição de Dilma Rousseff a presidente, e do candidato a governador, o ex-ministro Fernando Pimentel. Em tendência, aliás, que deve se repetir em boa parte dos pequenos municípios norte-mineiros.

A tática de usar a ameaça de perda de benefícios sociais com lastro de programas como o ‘Bolsa Família’ e o ‘Minha Casa, Minha Vida’ é especialmente sensível no semiárido mineiro. São os novos cabrestos da política brasileira, que os petistas sabem usar como reconhecida maestria.

A caminho da sua terceira eleição, o deputado estadual Paulo Guedes (PT) não deve surfar na onda vermelha que pode ocorrer novamente em Manga, município administrado pelo partido pela primeira vez na história. A gestão de Anastácio Guedes, que é irmão do deputado, tem baixa aprovação da população até aqui – o que deve fazer com que a que a votação recebida por Paulo Guedes caia dos 4.192 votos da eleição passada para algo em torno de três mil a 3,5 mil votos.

Ainda assim, Guedes deve conseguir, com folga, o posto de majoritário no município, e levar o deputado federal e aliado Gabriel Guimarães (PT) a reboque. Gabriel, que teve 3.027 votos em Manga em 2010, não deve repetir o feito, mas pode ficar perto disso. Paulo Guedes realizou no domingo, carreata e comício na principal praça da cidade. Foi o mais concorrido evento do tipo até aqui, mas ainda assim com presença de público apenas razoável.

Forças eleitorais

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PIMENTA EM OLHO ALHEIO NÃO É REFRESCO

No Quinta, 25 Setembro 2014 11:03.

Como admissão da derrota, Pimenta da Veiga agora diz que eleitor confunde seu nome com o do adversário Pimentel

Caminha para o ponto da irreversibilidade a situação do candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga. A pesquisa Ibope divulgada na terça-feira parece ter sido a pá de cal sobre o desejo tucano de virar o jogo na sucessão mineira, mesmo após mudanças no comando da campanha. Nem mesmo a presença mais amiúde no estado do candidato a presidente Aécio Neves tem contribuído para o vexame que se anuncia. No Ibope, Pimentel aparece com 44% das intenções de voto, contra 25% de Pimenta e 4% de Tarcísio Delgado (PSB). A 10 dias das eleições, tudo parece indica que, em Minas, o jogo já foi jogado.

As últimas declarações de Pimenta da Veiga sinalizam que o PSDB jogou a toalha, embora o discurso oficial e as desesperadas ações de última hora possam indicar o contrário. Se não vejamos: Pimenta atribuiu a imensa diferença de cerca de 20 pontos percentuais entre ele e o líder nas pesquisas, Fernando Pimentel, a uma possível confusão por parte do eleitor entre os nomes de ambos. Pimenta quer dizer mais ou menos o seguinte: tem muito eleitor que vota nele dizendo aos entrevistadores dos institutos de pesquisa que vão votar em Pimentel.

Tenha santa paciência. O tucano só demonstra o tamanho da encrenca em que Aécio Neves se meteu ao tentar impor o nome de um amigo há um bom tempo fora da política ao escrutínio dos mineiros. Pimenta da Veiga, para dizer o mínimo, ofende a inteligência do eleitor ao aventar tal hipótese. Desculpa de mal perdedor. Melhor admitir que os mineiros estão em sintonia com os ventos da mudança, após uma década ou mais de mando do PSDB. Ou, o que é pior, pela forma quase amadora como a sucessão foi conduzida pelo partido.

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SONHO MEU, VAI BUSCAR QUEM MORA LONGE...

No Sexta, 19 Setembro 2014 09:42.

Pimentel precisa ficar alerta para tentativas de aliados de sentá-lo na cadeira de governador antes do jogo jogado

Embalado pelo clima do já ganhou, o PT mineiro escorrega em um dos erros mais crassos da política: a distribuição do butim dos muitos cargos entre aliados de primeira e horas mais recentes. Não se está falando aqui apenas da anunciada intenção do candidato Fernando Pimentel de mudar a vocação puramente de mercado na gestão das empresas públicas Cemig e Copasa, inscritas em Bolsa de Valores e, na visão petista, com foco excessivo nos resultados para seus muitos acionistas - em detrimento dos consumidores de água e luz.

Não é só isso. Nos bastidores começa açodado movimento de indicação de nomes para todos os escalões da administração estadual, em especial os cargos de órgãos regionais.  O gesto, ainda que simbólico, de antecipar a posse de Pimentel no Palácio Tiradentes mostra soberba – mesmo em ambiente de pouco risco político, como mostrou a debandada de prefeitos norte-mineiros da base aliada do PSDB rumo ao ninho petista, durante passagem de Pimentel por Pirapora na quinta-feira (18).

Não se ganha eleição de véspera. Estamos a duas semanas da votação em 5 de outubro e não se pode descartar a reação do candidato Pimenta da Veiga (PSDB), ao menos o bastante para garantir a realização do segundo turno - quando se teria uma nova eleição em Minas.  Improvável reação, mas não impossível. Cautela e caldo de galinha mal não podem fazer em momentos assim.

Com poucas chances de ir ao segundo turno na disputa presidencial, Aécio Neves sabe que uma derrota em Minas enterra seus sonhos de fazer o que o avô Tancredo Neves não conseguiu, tragado pela fatalidade entre a vitória nas urnas e o dia da posse. Aécio cometeu grave erro ao impor o nome de Pimenta da Veiga para a disputa em Minas, no que facilitou muito a vida do ex-aliado Fernando Pimentel. Aliados que sonhavam com o seu apoio para virar governador não entraram na campanha com o máximo potencial. Aécio corre atrás do prejuízo, com o envio da irmã Andrea Neves e o experiente Danilo de Castro para tentar salvar a lavoura. Até aqui sem sucesso.

Arrotar bacaba

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VENTO, VENTANIA

No Quinta, 18 Setembro 2014 14:28.

Souto e Diamantino contavam com o apoio de Quinquinha, que preferiu ser cabo eleitoral do paraquedista Toninho

Humberto Souto e o manguense Diamantino: apelo à representação regional não convence o ex-prefeito de Manga

A política é território favorável para a semeadura de ventos em busca, sabe-se lá, de algumas tempestades. Os candidatos a deputado federal Humberto Souto (PPS) e Carlos Diamantino (PDT) têm, por motivos diversos, alguns quilos de mágoas acumuladas com o ex-prefeito de Manga Quinquinha Oliveira (2007/2012), do PTdoB, por conta da expectativa de apoio nas eleições em progresso.

Quinquinha ensaiou disputar uma vaga de deputado federal e chegou mesmo a registrar candidatura, para depois aderir de mala e cuia ao paraquedismo político que tanto mal faz à região. Desistiu para laborar como cabo eleitoral do empresário e deputado federal em primeiro mandato Toninho Pinheiro (PP), que busca reeleição.

Há quatro anos, Humberto Souto conseguiu pouco mais de dois mil votos em Manga com o apoio de Quinquinha, então prefeito da cidade. Souto perdeu a eleição para deputado federal e Quinquinha fechou aliança com o atual prefeito de Sete Lagoas, Márcio Reinaldo (PP), com a alegação de que sua administração precisava do respaldo aqui em Brasília. Souto contava repetir a aliança depois que Márcio Reinaldo optou por cargo executivo. Não deu.

Já o manguense Carlos Diamantino aproximou-se de Quinquinha, há dois anos, na tentativa de receber seu apoio para disputar a Prefeitura de Manga ou, na pior das hipóteses, levar a vice na chapa oficial. Não deu. Agora, em 2014, o escritor Diamantino contava com pelo menos um gesto de simpatia de Quinquinha na disputa por uma vaga para a Câmara Federal. Não veio.

Diamantino e Humberto Souto têm certa dificuldade para entender as escolhas do ex-prefeito de Manga, exatamente pelo fato de que ele, Quinquinha, advogava disputar uma cadeira de deputado estadual com o discurso do fortalecimento da representação regional. Uma hipótese possível é que o empresário e ex-prefeito de Manga não bota fé na eleição de nenhum dois. Como também não apostava na própria eleição. Prefere ter um respaldo aqui em Brasília.

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JOSUÉ SEM TERRA PROMETIDA

No Domingo, 14 Setembro 2014 21:36.

Candidato toma ‘banho de povo’ em visita ao Norte de Minas

Josué ao lado do deputado Paulo Guedes durante evento político em Montes Claros: empreitada com incentivo de Lula não convenceu eleitor mineiro

O norte-mineiro Darcy Ribeiro disse certa vez um dia que o Senado da República é melhor que o céu, pois não é preciso estar morto para chegar lá. Estimulado por Lula, o empresário Josué Alencar (PMDB) sonha com o acesso a este pedaço do paraíso aqui na terra. Precisa dos votos dos mineiros para chegar lá e, tudo indica, não será desta vez.

Agora que a campanha entra em sua fase decisiva, e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) lidera a disputa senatorial com 44% das intenções de voto. Josué tem 12%, segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada.

O dono da Coteminas foi ao Norte de Minas na sexta-feira (12) para um corpo a corpo com o eleitor em quatro cidades. Foi ciceroneado pelo deputado estadual Paulo Guedes (PT) e literalmente tomou um banho de povo e de rua. Josué ainda não demonstra traquejo para a política. Parece um estranho no ninho e pouco afeito ao universo das promessas fáceis e aos abraços e tapinhas no ombro. Ele vem de experiência mais cartesiana, por assim dizer.

Aprendizado