Política

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DIA DA MENTIRA

No Quinta, 26 Fevereiro 2015 13:18.

Eduardo Cunha é rápido no cumprimento das promessas de campanha. Acunha Eduardo, pois quem paga é o povo

Imagem: Gustavo Lima - Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), é considerado um homem de palavra pelos seus pares. Foi graças a essa fama que impôs dura derrota ao governo Dilma Rousseff na recente disputa pelo mando na Casa. Mal assumiu a cadeira de presidente, ele já cumpriu suas promessas de campanha, aquelas mesmas que fizeram a turma do baixo clero dar uma banana para a tentativa do governo em eleger o petista Arlindo Chinaglia para o cargo.

Para Cunha, promessa é dívida, ainda que cumpri-las signifique total falta de sintonia com o péssimo momento que o país atravessa. O peemedebista foi ágil ao conceder novas benesses para os muito beneficiados deputados federais brasileiros: aumentou as verbas de gabinete, a remuneração de assessores e o auxílio-moradia dos colegas que não ocupam apartamentos funcionais. Os deputados ganham R$ 33,7 mil, mas, ainda assim, passam a contar com mais R$ 4,2 mil para alugar imóveis aqui em Brasília, onde passam pouco tempo.

A farra não acabou por aí. O peemedebista cumpriu outra promessa de campanha ao autorizar que seus colegas emitam, com o dinheiro de impostos, passagens aéreas em nome de maridos e mulheres dos deputados. Prática extinta há alguns anos, justamente por dar margem à velha malandragem da farra das passagens.

Eduardo Cunha visitou os 27 estados da federação na sua recente campanha para presidir a Câmara. Esse fato, por si só, já é bastante revelador do que está em jogo no Congresso Nacional. Os jatinhos que ficaram à disposição de Cunha dão a medida do seu poder no cargo. Que o diga, aliás, o governo, obrigado a fazer rapapés para um desafeto declarado.

O mais sintomático de tudo é que Eduardo Cunha marcou a validade do seu pacote de bondades para 1º de abril, data consagrada como o Dia da Mentira. Nada mais adequado, porque evidencia a falência daquele discurso de que os deputados laboram dia e noite pelo bem do país. As matérias que realmente importam ao povo ficam engavetadas anos a fio e os deputados, respeitadas as exceções de praxe, só votam as pautas de interesse do Executivo na base do toma lá da cá escandaloso em torno das emendas parlamentares.

O presidente da Câmara sabe honrar seus compromissos, mas é muito fácil agir assim quando manda a conta para o bolso do contribuinte. A quadra atual não é muito propícia aos políticos, porque, ainda que lentamente, o eleitor começa a perceber que é chamado, a cada dois ou quatro anos, a fazer parte de um circo, uma democracia de fachada. Faltou sensibilidade, mas quem se preocupa com que o eleitor vai pensar. Acunha Eduardo.

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A HORA DO ESPALHA BARATAS

No Domingo, 08 Fevereiro 2015 11:03.

Datafolha mostra tamanho da fissura entre governo e o povo. Defesa fica mais frágil

Cronistas aliados do governo petista na mídia, não se espante leitor, que os há e em bom número, mesmo e para além do universo da blogosfera bem-remunerada, não conseguem mais segurar sua perplexidade diante do rápido movimento que traga a credibilidade e a margem para manobras de Dona Presidenta. A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo pela ‘Folha de S.Paulo’ torna o desgaste do governo mais palpável: os sonhos ficaram para trás e algumas nuvens escuras sobem sobre o horizonte da política em Pindorama.

Os números da pesquisa são desalentadores para quem se esforça na defesa da presidente e seu governo: a avaliação positiva caiu de 42% para 23% (conceitos ótimo ou bom) em menos de dois meses. Na ponta contrária, os que avaliavam o governo como ruim ou péssimo subiram de 24% para 44%. Segundo a ‘Folha’ essa é a mais baixa avaliação de um presidente desde FHC, com 46% de reprovação em 1999. Para 77% dos entrevistados, a petista tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. Mais da metade (55%) acha que a situação econômica do país vai piorar – o maior índice desde 1997.

“Dilma Rousseff está na aurora do segundo mandato, mas parece viver um momento crepuscular”, diz a reportagem de capa revista ‘Carta Capital’, até outro dia um veículo de matiz governista, agora atordoada entre os sons das risadas festivas que se ouve nos jardins da casa grande, em oposição secular aos gemidos que já se começam a ouvir vindos dos limites da senzala. Esta última chamada a pagar a conta, na guinada neoliberal que a presidente parece levar avante.

Ao fazer o inventário dos perigos que rondam o Palácio do Planalto, a revista de Mino Carta recorda a estiagem que prenuncia a falta d’água e o “risco galopante de racionamento de energia no País inteiro”, além da crescente insatisfação dos aliados do sindicalismo e o assento de um inimigo presidencial declarado em posto-chave da República. Desnecessário citar o nome e potencial de estrago para o fim de festa petista. “Animado com o cenário e entusiasta do ‘quanto pior melhor’, o PSDB fala abertamente em impeachment. Se o Circo Brasil ainda não pegou fogo, está bem perto”, registra a revista, ao trazer a palavra proibida para agenda de país que se queira estável no plano político.

Mas talvez a mais importante constatação no diagnóstico é o registro de que crescem as brigas internas nos intramuros do PT, com a especulação da cada vez maior distância entre a presidenta e Lula. Fonte importante das dores de cabeça presidenciais, diga-se de passagem.

A queda da popularidade da presidente não chega exatamente a ser surpresa, dado o fato concreto de que sua prática na aurora deste segundo mandato é a negação de tudo que disse em campanha. O governo virou uma fábrica insuperável de más notícias para a população, pela enésima vez chamada a pagar o pato pelos erros dos seus governantes. A crise na economia e o buraco nas contas públicas não surgiram após o fechamento das urnas em outubro passado.

Leitura obrigatória do petismo, o site Brasil2/4/7=13 gasta 24 horas e sete dias por semana para tentar jogar na linha defensiva do governo. Mesmo ali, começam a aparecer sinais de limite: já há quem duvide do país das maravilhas mostrado pelo marketing petista na sucessão presidencial, ainda de memória recente. O colunista Paulo Moreira Leite faz tentativa infantil para explicar o mau-humor do eleitorado com Dona Presidenta: o “nível deprimente de impopularidade" pode ser creditado à incapacidade da mandatária em se comunicar com a sociedade.

Para PML, o péssimo desempenho da presidente nas pesquisas se deve, pasmem!, ao fato de que ela não conta mais com o privilégio de contar com o “horário político para defender-se, para argumentar e fazer o contraponto”. Um espanto que alguém com esse talento para argumentação ganhe espaço na mídia. Seria o caso de perguntar se PML concorda em ceder o mesmo espaço para a oposição, mas a ideia é tão capenga que não vale a pena. Para o colunista, o Brasil estaria melhor se o marqueteiro João Santana pudesse indefinidamente enganar a população ao exibir na televisão um país do faz de conta. Esquece, por conveniência, que a presidente tem a prerrogativa de convocar rede nacional de rádio e TV na hora que melhor lhe apetecer. Se a presidente não o faz, é porque não tem mesmo muito o que dizer: a não ser mais porrada no fígado eleitor.

“Apesar da parcialidade dos meios de comunicação, o governo tinha como responder aos ataques, com bom espaço, no horário nobre. Também participava de debates, onde era possível denunciar a falsidade de boa parte das críticas”, escreveu PML, que usa seu espaço para vociferar contra a liberdade de imprensa.

'Carruagem desgovernada'

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FOI, VIU E VENCEU... E AGORA?

No Domingo, 01 Fevereiro 2015 15:35.

Guedes toma posse para terceiro mandato na Assembleia, mas deixa cargo para assumir Sedinor


Os 77 deputados eleitos para a 18ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) acabam de tomar posse em cerimônia que começou no início da tarde no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. Será um momento de breve triunfo para o norte-mineiro Paulo Guedes (PT), reconduzido para seu terceiro mandato com a maior votação (164,8 mil sufrágios) da história do parlamento mineiro. Guedes deixa a Assembleia para assumir a Secretaria de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) ainda esta semana.

A cerimônia foi presidida pelo deputado Hely Tarquínio (PV), o mais idoso dos eleitos, e conta com as presenças do governador Fernando Pimentel, em evento quede reunir cerca de 1,1 mil pessoas, entre prefeitos, presidentes de câmaras municipais, deputados federais, autoridades do Estado, reitores de universidades e familiares dos deputados.

O petista Paulo Guedes sonhava com a presidência da ALMG, mas desistiu do projeto para facilitar a composição de forças entre o governo Pimentel e aliado PMDB. Como compensação, vai levar a Sedinor e promessas de autonomia nos assuntos que interessam ao Norte de Minas.

Guedes mal esquenta a cadeira na Assembleia. Na próxima quarta-feira (4), recebe deferência especial do governador Fernando Pimentel, que vai a Montes Claros assinar o termo de sua posse e do também deputado Luiz Tadeu Martins (PMDB), como titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Política Urbana e Gestão Metropolitana (Sedru). Pimentel também prestigia a posse do correligionário César Emílio, que será empossado novo presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams).

Registro da chegada dos deputados no prédio da Assembleia Legislativa agora há pouco (Foto: Willian Dias\Alemg)

O rito de passagem na cerimônia na Assembleia Legislativa deste domingo representa o coroamento de uma das mais meteóricas carreiras de políticos do Norte de Minas. Ao final deste mandato, em 2018, Paulo José Carlos Guedes terá acumulado 24 anos de vida pública, em seis mandatos legislativos, o que inclui sua passagem como vereador por Manga (1993/2004), onde iniciou sua vida pública após atravessar o Rubicão, no caso o pequeno Rio Itacarambi, afluente do São Francisco, que divide os municípios de Manga e o atual município de São João das Missões (naquela época ainda um distrito de Itacarambi), onde o agora secretário de Estado nasceu em outubro de 1970 - numa família de 11 irmãos.

O menino alfabetizado aos 16 anos, que conviveu com o com o estigma de não poder sorrir por conta de dentes prematuramente estragados, segundo seu próprio relato em vídeo para campanha eleitoral, alçou voo longo na política regional. Além da carreira legislativa consolidada, ele conseguiu alçar o irmão Anastácio Guedes, contra todos os prognósticos, para a cadeira de prefeito de Manga - e simultaneamente chegar ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Montes Claros em 2012. A diferença nesta nova fase é que o petista deixa de ser o estilingue calibrado em 20 anos de prática oposicionista para ser a vidraça no teto da Sedinor - em momento especialmente complicado para a pasta que tenta reduzir os efeitos da estiagem e desníveis socioeconômicos da região.

E agora, Paulo José?

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PELAS BARBAS DO PROFETA...

No Sábado, 31 Janeiro 2015 11:21.

Será que Narciso acha feio o que não lhe é mesmo espelho?

O senador Aécio Neves (PSDB) aterrissou com algum barulho ontem (sexta-feira, 30) aqui em Brasília, após as férias, para participar da sessão de abertura dos trabalhos legislativos do Congresso Nacional. Políticos em Brasília em finais de semana já é algo novidadeiro, mas é que as duas casas congressuais elegem suas respectivas mesas diretoras na tarde deste domingo.

Mas não foi só: o neto de Tancredo apareceu com barba por fazer na sua rentrée aqui na Corte, em visual que lembra a marca identitária dos petistas. Não faltou quem o comparasse ao ex-presidente Lula, o barbudo-mor da República.

Em entrevista coletiva, o senador mineiro desancou o governo da presidente Dilma Rousseff, por quem foi derrotado em outubro passado, e a quem atribui agora a ‘falência do governo’. Nada de novo no front, pois Aécio segue com a estratégia de ser o referencial da oposição para quando 2018 chegar - no PSDB e fora dele.

O cálculo é mais ou menos o seguinte: a crise da água que promete paralisar o país e São Paulo vai deixar em maus lençóis seu principal adversário no intramuros do PSDB, a saber, o governador Geraldo Alkmin. A margem política para que Alkmin passe incólume novamente pela falta d’água no Estado vai ficando menor, e já se aposta que vai retirá-lo do jogo na próxima sucessão presidencial.

Na seara adversária, o potencial de desgaste é ainda maior, porque forma-se a tal tempestade social perfeita, capaz de abalar o receituário populista do petismo de que mudou o Brasil. Além do efeito devastador que as crises da água e energia reservam para o humor da população, há ainda o risco de agravamento da recessão que a cada dia se torna mais evidente. Sem contar com os riscos de relâmpagos e trovoadas na seara da política, na hipótese da Operação Lava Jato ser mesmo para valer.

Com Dilma fora do jogo, os olhares e esperanças companheiras se voltam para Lula, que de bobo não tem nada, e pode recolher os flats ante a possibilidade de manchar sua mitológica biografia (ou o que restar dela) em derrota constrangedora para seus principais desafetos na política nacional. A soma de eventual fracasso administrativo no quarto mandato petista pode turbinar a percepção da derrocada do partido em outros campos, para os quais o eleitorado dá pouca atenção em temporadas de vacas gordas. A tendência é que o eleitor resolva punir desvios ético e moral da política e dos políticos.

Tudo que o repaginado Aécio precisa fazer é seguir a máxima de Paulinho da Viola: “faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. Vai apostar no quanto pior (melhor para ele, bem entendido, não para o país e seu povo). Pode, inclusive, retomar terreno em Minas – onde foi sumariamente derrotado por Fernando Pimentel e Dilma.

Qual é o risco para os planos aecistas? As previsões catastrofistas podem não se materializar. Nunca é demais lembrar que o lulo-petismo foi às cordas em 2005, após o escândalo do mensalão e de lá saiu como fênix revivida. Bom, é bem verdade que o buraco agora é mais embaixo, para lá das placas do pré-sal, e o mensalão virou troco nas peripécias que a turma aprontou nos corredores da Petrobras. Pelas barbas do profeta!

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MARTA BATE PESADO EM DILMA

No Terça, 27 Janeiro 2015 10:23.

Ex-ministra de Dilma diz que Dilma conduziu país ao ‘descalabro’. Mas tem um problema: devia ter dito antes

A senadora e ex-ministra da Cultura Marta Suplicy (PT) anda um poço de mágoas contra a ex-chefe Dilma Rousseff. Marta assina, hoje, na ‘Folha de S.Paulo’ a mais dura crítica que um aliado já produziu contra a presidente e seu governo. Sobrou farpas também para o PT, partido que ela agora deve deixar de vez por absoluta falta de clima para convivência com os antigos companheiros.

É o segundo ataque da ex-ministra ao governo em duas semanas, desde a polêmica entrevista à jornalista Eliane Cantanhêde, no jornal ‘O Estado de S.Paulo’, quando insinuou que Dilma não tem condições para governar o país e que Lula teria esperado dela um gesto para ser candidato em 2014. O PT acusa Marta de agir por ambição eleitoral e por falta de espaço no seu partido para entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo já no ano que vem.

No artigo ‘O diretor sumiu’, Marta diz, sem meias, palavras, que “se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro”.

Marta não poupa nem o partido pelo qual construiu sua trajetória política, onde se filiou pelas mãos do ex-marido e agora ex-senador Eduardo Suplicy. “O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção”. Não se tem notícia de colunista ‘da direita’ que tenha ido tão longe nas críticas ao petismo.

A senadora Marta Suplicy se diz incomodada com a falta de transparência do governo. “Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança”, disparou.

Marta parece ter cruzado a ponte do não retorno ninho petista. Resta saber se combinou o jogo com Lula. No mais, são críticas que chegam tarde demais e, não há como deixar de registrar a deslealdade no gesto. Tivesse feito o alerta em tempo adequado, quem sabe “a peça [que] se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível” tivesse melhor sorte.

“Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”, como diagnóstica ninguém mais ninguém menos do que uma das estrelas visíveis do partido e ex-ministra do governo em que agora senta a pua.