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O QUEBRA-CABEÇAS DE ANASTÁCIO

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Prefeito eleito diz que não definiu ainda nomes dos secretários e que não há conversas com atual administração sobre transição 

Prefeito eleito em Manga, Anastácio Guedes: tempo curto para montar  equipe de governo e cuidar da transição    

[ATUALIZADO] - Passada a euforia da vitória, começa o choque de realidade para o prefeito eleito de Manga, Anastácio Guedes (PT). O futuro governo, tudo indica, não será de tempos fáceis. É que indicam as nuvens grossas que pairam sobre os céus de um país quebrado, Estado idem, e mesmo do município, que depende basicamente de transferências governamentais. 

O tempo das vacas mais ou menos gordas que coincidiu com o primeiro mandato de Anastácio e o mando petista nos governos de Minas e no plano federal ficaram para trás.

O mundo real se impõe e deixa para trás o dia de triunfo na vitória sobre o grupo político do arqui-inimigo Quinquinhas de Quinca de Otílio (PSD). Com a posse, em 1º de janeiro, o prefeito eleito vai receber as chaves de uma cidade bem diferente daquela que o petismo comandou entre 2013/2016.

E olha que não foram dias fáceis aqueles. Anastácio pegou a bagunça dos efeitos da crise econômica do governo Dilma Rousseff bem no meio do seu primeiro mandato e pagou, com isso, o preço de não ter sido reeleito.

O interstício de tempo entre a festa da vitória e o dia da posse, agora de apenas 40 dias, é destinado a duas tarefas por parte do prefeito eleito: a montagem da futura equipe de governo e as tratativas para a transição entre o governo que sai e o que entra.

Segundo Anastácio, nenhuma coisa nem outra foi iniciada. Não há - ainda - conversas sobre o secretariado e a atual administração não sinalizou com os primeiros passos para a transição. 

Animosidade: imagem da reunião de transição do governo Quinquinhas para Anastácio em 2012 que pode não se repetir desta vez  

PRA FRENTE É QUE SE OLHA

Mandato zero quilômetro para rodar, o prefeito eleito precisa mostrar a que veio. De janeiro em diante, há o complicador do desgoverno Bolsonaro, que já disputa o pódio de o pior da história do Brasil, e sua incapacidade crônica para resolver problemas como o desemprego, a miséria e até ameaça de fome caso o ex-ministro em atividade Paulo Guedes (Economia) perca o rumo de vez.

Sem falar na pandemia do coronavírus, que já dá de barato que vai entrar ano novo adentro, com todo potencial de gerar incertezas. O eleito vai andar numa linha fina já no primeiro ano de mandato e tem pouco (nenhum) espaço para errar.

SEM FAMILIOCRACIA

A pouco mais de 30 dias da posse, Anastácio ainda não definiu os nomes para seu secretariado, mas as especulações já comem soltas.

Ao site, o prefeito eleito diz que o perfil da futura equipe “com certeza vai ser outro” daquilo que se viu durante o primeiro mandato, quando se privilegiou uma espécie da ‘familiocracia’ e indicações que passaram pelo crivo partidário do que propriamente pela meritocracia.

“Quando definir aqui passo [os nomes do] o pessoal que vai compor os cargos”, respondeu Anastácio, em modo econômico, a um pedido do site sobre as conversas para definir o time que vai ajudá-lo na difícil tarefa de administrar o município.

O deputado federal Paulo Guedes (PT), irmão do prefeito eleito, deve repetir sua forte influência nos rumos do futuro governo, inclusive na definição de quais nomes vão ocupar o primeiro escalão da recém-nascida administração.

O deputado já garantia ao site, desde antes da campanha, que desta vez será diferente, inclusive com a chance zero de sobrinhos, cunhados ou mesmo a futura primeira-dama serem nomeados para cargos na administração.

BOLSA DE APOSTAS

TEVE MASSACRE E VITÓRIA VOTO A VOTO

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Maurício Almeida atropela Dr. Marcelo na disputa em que eleitor januarense novamente descarta reeleição de prefeito no cargo

Prefeito eleito de Januária, Maurício Almeida, atuava como uma espécie de 'embaixador' do município em Brasília 

O primeiro (e único) turno das eleições municipais no Norte de Minas mostrou tendências para todos os gostos, desde vitórias apertadas – quase empate técnico – até placares elásticos, com o vitorioso a exibir milhares de votos de frente em relação ao segundo colocado na disputa.

Em Itacarambi, a médica Nívea Maria de Oliveira, a Doutora Nívea (PP), foi reeleita com apenas cinco votos de margem sobre Paulo Azevedo (DEM). Na disputa de Porteirinha, o prefeito eleito Juraci Freire (PP) ficou com apenas 11 votos de frente em relação a Hermínio Martins (PSB), o nome indicado pelo bem avaliado prefeito Silvanei Batista (PSB).

MASSACRE

Se houve casos em que a disputa foi sofrida, praticamente no voto a voto, o contrário também se deu: vitórias históricas pela amplitude da vantagem do eleito. A reeleição de Humberto Souto (Cidadania) em Montes Claros foi um dos exemplos mais representativos em Minas.

O município é o único da região com previsão de segundo turno, mas desta vez passou longe disso. Com 85,2% dos votos válidos, Souto teve quase 12 vezes a votação do segundo colocado, Ruiz Muniz (PP), e cerca de 17 vezes mais votos que a terceira colocada na disputa, a petista Marilene Alves Souza, a Leninha.

Humberto Souto recebeu 177,5 mil sufrágios, ante 15,1 mil de Ruy e 10,6 mil para Leninha. A margem de Souto é ainda mais completa porque saiu amplamente vitorioso em um pleito que contava com oito concorrentes na disputa.

O resultado das urnas em Montes Claros pode ser creditado à categoria dos raros fenômenos, especialmente porque estamos falando da reeleição de um senhor que terá 90 anos antes do fim do mandato para o qual foi reeleito.

ESTREIA COM BRILHO

Pano rápido para Januária, onde o estreante Maurício Almeida (PP), 35 anos, não igualou a marca do prefeito de Montes Claros, mas colocou nada menos que 11.145 votos (50,48%) de frente em relação ao atual prefeito Marcelo Félix de Araújo, o Dr. Marcelo  (Republicanos).

Oito candidatos entraram no pleito, mas Jane Meireles (PSOL) teve o registro negado pela Justiça Eleitoral.

A acachapante derrota do Dr. Marcelo mostra que o eleitor januarense não é lá muito fã da ideia da reeleição que, em tese, permitiria aos prefeitos darem maturidade aos projetos que têm a oferecer para o município.

A reeleição foi criada no Brasil em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Nesses mais de 20 anos de vigência do instituto, Januária reelegeu apenas Josefino Lopes Viana na disputa do ano 2.000, no primeiro pleito com a regra reeleitoral já em vigor no país.

SEM REELEIÇÃO

Depois disso, nenhum prefeito conseguiu uma segunda chance nas urnas no plano local. Os ex-prefeitos João Lima e seu sucessor Sílvio Aguiar ((2005/2008) foram impedidos de disputar a reeleição em razão da onda de cassação de mandatários que varreu aquele município do extremo norte-mineiro no início deste século.

Sílvio e Josefino entraram na disputa em 2008, mas desistiram do projeto no meio da campanha - aparentemente em acordo com o também candidato Maurílio Arruda. Com isso, abriu-se a avenida que permitiu a vitória de Arruda (2009/2012) sobre o petista Manoel Jorge de Castro - que fazia naquele ano sua segunda tentativa de conseguir o mando político em Januária.

O advogado Arruda, um estreante em eleições, passou por cima do sonho petista de eleger o prefeito de Januária. Manoel Jorge era franco favorito, mas perdeu as eleições.  

Bastou esperar quatro anos para o vento virar a seu favor. Arruda perderia sua reeleição para Manoel Jorge (2013/2016) na eleição seguinte, a de 2012. Manoel Jorge, mais adiante e a seu tempo, optou por ficar de fora da própria sucessão, em 2016, no que abriu espaço para a eleição da novidade da ocasião, o médico Marcelo Félix Araújo, que até tentou um segundo mandato agora em 2020, mas acabou sendo trucidado nas urnas pelo ‘forasteiro’ Maurício Almeida.

PLEBISCITO

As eleições deste ano em Januária se transformaram numa espécie de referendo para a gestão Marcelo Félix e o recado do eleitor foi cristalino: sua administração foi rejeitada por três em cada quatro eleitores do município.

Perder uma eleição quando se está no cargo é ainda mais dolorido e difícil de digerir. Nesses casos, o eleitor decide com base na percepção que teve sobre o trabalho do mandatário novamente candidato.

A derrota do Dr. Marcelo teve essa pegada plebiscitária sobre seu desempenho no cargo. Era ‘sim’ ou ‘não’, mas o eleitor optou por lhe enviar um sonoro recado de desaprovação.

Nessas últimas eleições, Januária dá nova guinada com a eleição de Maurício Almeida, que chega ao cargo após meticuloso trabalho de aproximação com o eleitor local. O agora prefeito eleito deixou migrou para o Distrito Federal há alguns anos e fez o percurso de volta há coisa de três anos, quando iniciou a meticulosa estratégia de circular seu nome nos círculos políticos locais.

EMBAIXADOR

Enviado especial: prefeito eleito Maurício Almeida ao lado do deputado Zé Reis (D) em agenda com o então ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto 

Sem experiência administrativa, o januarense Maurício Almeida ganhou bagagem política nos bastidores do poder aqui em Brasília, onde atuava como assessor parlamentar no gabinete do deputado por Alagoas Marx Beltrão (PSD), ligado ao grupo político do senador Renan Calheiros (MDB).

Nas horas vagas, Almeida circulava como ‘embaixador’ avulso de Januária aqui na corte. Em um texto da assessoria de imprensa de agosto de 2019, o deputado estadual Zé Reis (Podemos) exalta as qualidades de Maurício Almeida na conquista de verbas para Januária. O 'benefício' para os norte-mineiros supostamente teve a ingerência do então assessor parlamentar. 

SEM AMADORISMO

Zé Reis, por sinal, comemora a vitória de Maurício em Januária como sendo um feito do seu mandato. “O deputado estadual Zé Reis comemora a vitória de 19 prefeitos apoiados por seu mandato nas eleições municipais de 2020, consolidando assim sua base política no Norte e Noroeste de Minas. Algumas vitórias foram marcantes, como as ocorridas em Januária e Montalvânia”, diz texto de sua assessoria.

Zé Reis e seu afilhado Maurício Almeida terão agora quatro anos para quebrar esse tabu que o eleitor de Januária parece ter contra a reeleição. Os dias difíceis de corrupção e desmandos parecem ter ficado para trás e com a casa arrumada (considerando que isso seja verdade) fica mais fácil mostrar serviço.

Em mãos mais profissionais, quem sabe o município, que parece se orgulhar do fato de que, definitivamente não foi feito para o manejo de amadores, volte a apostar na continuidade dos projetos políticos que se lhe apresentam a cada quatro anos.

Até aqui, os prefeitos não só não conseguem se reeleger, como também não voltam à cadeira que um dia ocuparam desde a virada do século. Marcelo, que deixa o cargo sob o signo da forte rejeição, também tem motivos para esperar.

Uma escorregada do governo Maurício Almeida pode lhe valer como porta da esperança para um retorno à cadeira de prefeito. A beleza da coisa toda é que, mesmo quem perde, pode sair do processo com alguma experiência na bagagem de alguma forma útil para o que o futuro puder oferecer. 

BLITZ DO MP ELEITORAL EM ITACARAMBI

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Operação desta quinta-feira investiga suposta compra de votos com uso de cestas básicas destinadas à merenda escolar

Momento da chegada da batida policial à casa de um suspeitos de fraude eleitoral em Itacarambi 

O Ministério Público circulou pelo entorno da Prefeitura de Itacarambi nesta quinta-feira (19). Com apoio das polícias Civil e Militar de Minas Gerais, o MP Eleitoral de Januária chegou à cidade logo cedo para cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes de suposta organização criminosa acusada de abuso do poder econômico, corrupção eleitoral e outros ilícitos nas eleições municipais deste ano.

De acordo com informações que ganharam as redes sociais ao longo do dia, teria sido desmontado um esquema de compra de votos por meio da distribuição de cestas básicas aos eleitores do município - especialmente na semana que antecedeu o pleito.

Caso as investigações preliminares indiquem o uso de recursos da União na fraude, o caso pode ser encaminhado para a investigação da Polícia Federal em Montes Claros.  

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ÚLTIMOS TEXTOS PUBLICADOS: 

O RALLY DA VITÓRIA
DOUTORA NÍVEA DE NOVO, POR UM TRIZ
SEGURA A ONDA
PROFISSÃO PREFEITO
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A denúncia que chegou ao Ministério Público dá conta que cestas básicas de um programa federal de merenda escolar teriam sido distribuídas por pessoas ligadas à campanha vitoriosa nas eleições do último domingo. Com a suspensão das aulas durante a pandemia do coronavírus, os governos passaram a entregar os alimentos in natura e diretamente às famílias e não mais nas escolas.

PROTEÇÃO À TESTEMUNHA

A Justiça decretou sigilo do caso e deve colocar a pessoa que ofereceu a notícia-crime sobre o esquema em um desses programas destinados à proteção a vítimas e testemunhas. Segundo a denúncia, as cestas básicas foram entregues em quantidade superior ao número de filhos matriculados nas escolas. A contrapartida era a promessa de que os beneficiários votassem em candidatos indicados pela Orcrim. 

O Ministério Público não divulgou o balanço da operação, mas consta que houve apreensão de sobras do material supostamente utilizado na tentativa de fraudar o resultado das eleições. Um vereador eleito no último domingo é investigado por participação no esquema  e teria se beneficiado da fraude.   

O Ministério Público Eleitoral busca evidências de que o suposto esquema teria sido patrocinado por pessoas ligadas à candidata vitoriosa das eleições do último domingo, Nívea Maria de Oliveira (PP), a Doutora Nívea, 41 anos, reeleita com apenas apenas cinco votos de vantagem em relação ao segundo colocado na disputa, o ex-reitor do Centro Federal de Educação Tecnológica em Januária Paulo Azevedo (DEM), 63 anos. 

Não há informação se a prefeita reeleita é alvo da investigação deflagrada nesta quinta-feira em Itacarambi, mas pessoas com trânsito direto ao seu gabinete estariam na mira do Ministério Público.

Em possível desdobramento da operação de hoje, a Justiça Eleitoral pode negar a diplomação à prefeita  eleita, caso as investigações apontem para seu envolvimento no esquema criminoso - o que,  no limite, impediria sua posse marcada para daqui a 40 dias.

Mas esse  claro, é um cenário extremo. O mais comum nesses casos é que a posse aconteça por meio de liminar e o processo, se for efetivado, transcorra com o eleito no cargo.

HORA DA MERENDA

O RALLY DA VITÓRIA

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Em disputa renhida, empresário outsider e mentor da Caravana Solidariedade implode mando político de Dr. José e Arlen Santiago em Montalvânia

A diferença foi pequena, de apenas 49 votos. Foi com essa margem apertada que o empresário cochanino radicado em Goiânia Fredson Lopes França, o Fred do Rally (Podemos), 53 anos, derrotou o grupo político do médico José Florisvaldo Ornelas (PTB), representado na disputa municipal pelo médico Tarcísio Lopes Lessa (Avante). Ornelas desistiu da reeleição, em razão da idade avançada, 80 anos.

Fred do Rally recebeu 3.762 votos (39,69% do total), votação bem próxima do resultado obtido pelo Dr. Tarcísio Lessa, 3.716 votos (39,17% dos votos válidos). O ex-prefeito Jordão Medrado (PSL), que tentou voltar à boca da cena com roupagem bolsonarista, ficou na terceira colocação com 19,28% dos votos válidos, seguido do vereador e advogado Flávio Macedo (MDB), com apenas 1,86% dos votos apurados no município.

Dono da Provest, que se apresenta como a maior assessoria a vestibulandos do país, o prefeito eleito de Montalvânia é um milionário para os padrões subsaarianos do semiárido do note-mineiro (ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 7 milhões, com destaque para as cotas de capital da Provest, fazendas e imóveis de alto padrão em Goiânia).
Imagem: www.rallydasolidariedade.com.br

Imagem de arquivo do Rally Solidariedade comandado pelo agora prefeito eleito Fred França (segundo à esquerda): preocupação social fora da vida pública 

A pobreza de Montalvânia e entorno, por sinal, foi o que levou Fred do Rally à tentativa de fazer a diferença na administração pública. O prefeito eleito se tornou conhecido ao arrebanhar profissionais liberais bem-sucedidos e empresários de Goiânia e Brasília a dedicaram seu tempo e recursos financeiros na doação de cestas básicas e material escolar, distribuídos na chamada Caravana da Solidariedade.

RALLY DO SERTÃO: VEREDAS

Esse outro rally pelos sertões, e daí vem o pós-nome de guerra do empresário Fred, saí do riquíssimo Centro-Oeste, com ponto de partida em Goiânia, para percorrer estradas poeirentas até o Norte de Minas, com destino final em Montalvânia, onde os viajantes eram recebidos com festa.

No caminho, a trupe promove a distribuição de cestas básicas, brinquedos e roupas, além de consultas médicas para os filhos das famílias carentes de cidades esquecidas nos grotões de Goiás, Bahia e Minas. Uma iniciativa meritória, sem dúvidas, mas de caráter assistencialista e sem poder de fogo para mudar as estruturas que levam à pobreza – o que de resto não é função de empresários em jornadas no período de férias.

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LEIA TAMBÉM:
FIM DE CICLO EM MONTALVÂNIA
Ornelas não encara reeleição após governo apagado e sai de cena com quatro postulantes à sua vaga
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Com esse histórico à Barack Obama, com base no "Yes, we can" que deu nome ao Podemos por aqui, era de se esperar que a eleição a prefeito de Montalvânia fosse mais um passeio para Fred do Rally, mas não foi bem o que aconteceu. Mesmo em fim de carreira, o ainda prefeito José Ornelas deu uma canseira no outsider (aquele que se apresenta na política como alguém vindo de fora do sistema) que ameaçava o mando político iniciado no ano 2000, com a primeira eleição do médico Ornelas.

SIGA À DIREITA

A chapa de Fred do Rally teve ainda particularidade de apresentar a única mulher na disputa majoritária, a enfermeira Maria Horença Ferreira Bonfim (Progressistas). Maria Horença é a primeira mulher a ser eleita para o nível executivo em Montalvânia.

Mas, apesar dessa pegada da diversidade trazida por Fred do Rally, quando se soma e apura os significados e significâncias da eleição, o município confirma seu histórico de ser um reduto da direita de perfil bolsonarista ou centro-direita brasileira. Partidos do espectro mais à esquerda não faz a cabeça do eleitor cochanino.

Nem mesmo o agora combalido PT nos seus áureos dias de glória do lulismo no poder federal conseguiu algum avanço nas urnas por lá. Siglas como PSB, Psol, Rede Sustentabilidade, Democracia Cristão e PC do B não deram as caras nestas eleições e não têm histórico nas disputas locais. Do espectro oposto, aí sim, havia participações diretas ou em coligações majoritárias entre Avante, Podemos, PSL, Solidariedade, PP e PTB, partidos mais identificados com o centrão. 

DOUTORA NÍVEA DE NOVO, POR UM TRIZ

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Itacarambi repete eleição com margem apertada na vitória de prefeita com 5 votos de frente

Itacarambi repete emoção de pleito apertado na reeleição da prefeita Níveia contra grupo de Ramon Campos

A médica Nívea Maria de Oliveira (PP), a Doutora Nivea, 41 anos, foi reeleita para o segundo mandato em Itacarambi por cinco votos de vantagem em relação ao segundo colocado na disputa, o servidor público aposentado Paulo Azevedo (DEM), 63 anos, ex-reitor do Cefet Januária por dois mandatos.

Nivea recebeu 4.203 votos (15,22% do total de válidos) contra 4.198 (45,17%) do oponente Paulão. Margens ínfimas em eleições majoritárias não são improváveis, mas não acontecem com frequência nem costumam se repetir para os mesmos atores, como aconteceu com a prefeita reeleita.

Na cidade de Caraúbas, na Paraíba, aconteceu o raríssimo empate no número de votos para prefeito. José Silvano Silva, o Silvano Dudu (DEM), 52 anos, empatou em exatos 1.761 votos (48,70%) com Nerivam Alves de Lima (MDB), 35 anos. Silvano de Dudu sagrou-se o vencedor pelo critério da maior idade.  

Já o caso de Itacarambi ganha relevo porque é a segunda vez que Nívea, a primeira mulher a governar o município, leva uma eleição no sufoco do voto a voto. Há quatro anos, ela bateu o então prefeito Ramon Campos (DEM), também pela dianteira apertada de apenas 29 votos. Ramon Campos, por sinal, não quis fazer o enfrentamento direto com a prefeita reeleita e optou por ser o vice de Paulão Azevedo na disputa deste ano.

HEGEMONIA

Nascida em Juiz de Fora, a Dra. Nívea dá continuidade à linhagem de prefeitos forasteiros que detiveram o mando político em Itacarambi – trajetória iniciada pelo empresário Zé Ferreira de Paula, ainda na década de 1980. Zé de Paula, que faleceu em janeiro de 2019, comandou o município em quatro ocasiões e ainda elegeu Antônio Nemer para dois mandatos, naquilo que foi um dos períodos de hegemonia política mais duradouros no Norte de Minas.

A reeleição de Nívea Maria consolida a tradição de prefeito alienígenas em Itacarambi: ao longo dos últimos 40 anos, e 10 mandatos, o município estará sob o comando de migrantes em nove deles. Essa regra só foi quebrada com a eleição Rudimar Barbosa (2009/2012), que perdeu o mandato após ser acusado de corrupção e cedeu a vaga para outro forasteiro, o empresário Carlos Henrique Campelo, o Caíca, migrante com origem em Sete Lagoas.

FRUSTRAÇÃO

SEGURA A ONDA

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Grandes aglomerações em carreatas e festas da vitória da recente campanha eleitoral pedem alerta para recidiva da covid


O boletim epidemiológico divulgado na terça-feira (17) pela Secretaria de Saúde de Manga dá conta que o município tem agora 200 casos confirmados para a doença Sars-coV2, para um total de 640 notificações recebidas pelas autoridades sanitárias desde o início da pandemia, há nove meses.

Os diagnósticos confirmados devem ser vistos com cautela e uma dose de ceticismo, em razão da conhecida subnotificação de casos e a baixa oferta de exames para a população.   

Ainda assim, o número de vítimas pelo coronavirus em Manga está estacionado em cinco óbitos desde o início do mês de outubro, o que é uma ótima notícia.

Atualmente, o serviço de saúde local diz monitorar 43 pacientes, um deles em isolamento hospitalar. Esse dado teve variação para baixo nos últimos 15 dias e são o indicador de que não haveria um surto da doença em formação.

Em Januária, para ficar em outro caso no extremo norte-mineiro, são 377 diagnósticos positivos para a Sars-coV-2 e oito óbitos confirmados até a última segunda-feira. As notificações somam 1.835, desde o mês de março.

MICARETA

Apesar do quadro de aparente normalidade, os sistemas de saúde de vários municípios da região (e do país) estão agora em alerta para a ocorrência de eventual surto da doença nas próximas horas ou dias. Tudo por conta dos comícios e carreatas que aconteceram na reta final das campanhas eleitorais.

O que se viu por todo lado foram verdadeiros carnavais fora de época, com o descaso quanto às medidas de distanciamento entre as pessoas e o abandono de medidas protetivas como o uso da máscara facial e o álcool em gel.

Nada disso é exatamente novidade, porque bares cheios e festas nos finais de semana deixaram de ser novidades há algum tempo. O que ainda não se tinha visto eram eventos públicos com centenas e milhares de pessoas dividindo o mesmo espaço.

IMUNIDADE

A expectativa é de que o surto não aconteça, o que será um fato curioso a apontar, se não para a adquirência da chamada imunidade de rebanho (quando a maior parte da população já foi contaminada e o vírus perde seu poder de contágio), o Brasil como um curioso caso de estudo pela OMS e quem mais se interessar.

As cenas do povo nas ruas atrás dos caminhões de som, em alguns casos eram trio elétricos, foram impressionantes e na contramão de tudo que se recomenda para enfrentamento da pandemia.

Tudo isso aconteceu na mesma semana em que especialistas em saúde pública se dividem sobre a ocorrência da prevista segunda onda do coronavírus ou o aumento de números de casos ainda relacionados à primeira leva da doença. O dado concreto é que a pandemia voltou a acelerar no Brasil, com o aumento de 45% no indicador média móvel de óbitos.

Outro dado que indica a reincidência da covid é a chamada A taxa de transmissão (Rt), que voltou a subir – e muito - no Brasil. Segundo monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido o Rt está agora em 1,10 – o que equivale dizer que cem pessoas contaminadas podem transmitir o vírus para outras 110 pessoas. Não são boas notícias. 

SEM CAIXA

PROFISSÃO PREFEITO

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Político mais longevo no poder em Manga, Élzio volta à vida pública após 25 anos de jejum com eleição em Miravânia 

Foi uma longa espera, mas o ex-prefeito de Manga Élzio Mota Dourado (PTB) está de volta à cena. Élzio foi eleito no domingo (15) para aquele que será o quarto mandato eletivo da sua carreira.

Trata-se do mandatário que por mais tempo ocupou a cadeira de prefeito em Manga: 12 anos no total - distribuídos em dois mandatos inteiros de seis e quatro anos, respectivamente, e mais dois anos que recebeu de presente vindo de um aliado entediado com o cargo.

Eleito com 62,85% dos votos válidos, quase uma consagração, o político veterano atropelou seu principal adversário, Laerson Oliveira (Podemos), que obteve 34,09% dos votos apurados. A ex-bancária Soninha Mota (PT) ficou na lanterna 3% dos votos válidos.

PRESENTE DOS CÉUS

Élzio conseguiu a proeza de ser apoiado até pelo atual prefeito, Raimundo Pereira Luna (DEM), que se desentendeu com a vice Soninha Mota e com o ex-aliado Laerson e hipotecou apoio público ao agora prefeito eleito.

Na política desde os anos 1970, Élzio foi vereador por Manga, eleito depois como vice-prefeito na chapa de Silvino Pereira Gonçalves, em 1976. Naquela época, ainda no regime militar, os mandatos de prefeitos tinham seis anos e não quatro como nos dias de hoje.

Silvino derrotou a recidiva do mando político das famílias dos coronéis em Manga, sob o comando do então prefeito Oswaldo Bandeira, mas se cansou da cadeira de prefeito e doou os dois finais do longo mandato para o vice Élzio, que foi reeleito em 19682 para novo mandato de seis anos.

LONGO INVERNO

NÃO É ASSIM QUE SE FAZ

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No day after da disputa eleitoral, mensagens de agradecimento revelam visões de mundo antagônicas de quem saiu derrotado  

Passada a refrega eleitoral, fica mais fácil perceber quem teve a grandeza para entender que a história não acaba em uma só disputa e quem acha que está dispensado de construir pontes para o futuro – ou aquele que acreditava ser projeto eleitoral, mesmo rejeitado pelo povo, a única opção à mesa.

O prefeito de Manga, Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD), fez tradicional agradecimento após a jornada das urnas somente ao seu eleitor, aos familiares e vereadores eleitos ppor sua coligação. Mostrou que tem muito o que aprender com a postura dos concorrentes.

Mensagens dos candidatos derrotados nas eleições de Manga Carlitão Oliveira e Quinquinhas: visão do pedaço e visão do todo

Quinquinhas pode fazer um estágio de boas maneiras com a dupla Carlito Oliveira (PSL) e Vinicius Ramos (Republicanos), que, mesmo na condição de terceiros colocados nas eleições municipais, tiveram a grandeza de ver para além dos próprios umbigos.

E A TRANSIÇÃO?

Adotar uma postura xiita, como acaba de fazer o ainda prefeito de Manga e falar apenas para os seus apoiadores é erro crasso e demonstração de miopia política. Não parabenizar o vencedor de uma eleição em que as coisas não saíram conforme o planejado, mostra miudeza de caráter e negacionismo infantil ante a adversidade da derrota.

A mensagem é esta: não te reconheço como prefeito eleito, por isso não lhe dirijo a palavra. Falta a Quinquinhas a humildade e a percepção do seu papel no mundo. Não se ouviu dele nem uma palavra sobre a transição, que deveria começar imediatamente, e que ele sinaliza que não vai fazer. Crianças, a enxaqueca eleitoral pode ser duradoura.

RETROVISOR

QUINQUINHAS NÃO SOUBE PERDER

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Agradecer somente aos seus é postura antidemocrática de quem não entende que política também é feita com gestos de grandeza

Após submergir por 24 horas com a derrota na tentativa de buscar a reeleição junto com o quarto mandato em Manga, o prefeito Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD), veio à boca da cena com uma nota de agradecimento publicada no Facebook no início da noite da segunda-feira (16).

Nota bonitinha, (até que) bem redigida, mas, no conteúdo, falha e reveladora da pequenez do prefeito. Ele agradeceu aos seus familiares, cabos eleitorais e aos 3.483 votos que recebeu dos seus eleitores.

Até aí tudo muito bom, tudo muito bem. Faltou, entretanto, o reconhecimento da derrota - a c a c h a p a n t e - e uma sinalização, mínima que fosse, ao vencedor do pleito, que, indiretamente, ele reconhece ter sido justo.

Bom, se não consegue parabenizar o vencedor, a quem dedica hostilidade gratuita, Quinquinhas também fica mal na fita, ainda que de forma indireta e sem a menor necessidade, com os 7.655 eleitores que votaram nos demais candidatos, inclusive os 4.409 votantes no prefeito eleito.

Processos eleitorais, ele parece não ter aprendido ainda, são feitos por todos os seus atores e não somente 'por nossa turma', só com os que mandaram sorrisos e energias positivas na direção do seu palanque.  

Fac-símile da nota emitida pelo prefeito derrotado: outro bola fora com os demais participantes da arena democrática  

“Embora não tenha[mos] sido reeleito, saímos dessa vitoriosos e com a certeza de que a nossa campanha foi movida pela dedicação, ética e transparência. Foram 45 dias de muita alegria e energia positiva que emanavam nos lugares que passávamos” escreveu Quinquinhas, dando de bandeja que a “alegria e a energia positiva” que percebeu na jornada eleitoral talvez, vai saber, ser fossem comemoração antecipada do seu fracaso. O eleitor sorri para o candidato, mas nem sempre aperta o seu número na urna. 

AOS AMIGOS, TUDO

Para piorar sua intervenção desastrada, Quinquinhas também dedicou uma palavrinha de estímulo ao G-4, o grupo de vereadores que conseguiu eleger para a futura Câmara Municipal. “Na oportunidade, parabenizo os vereadores eleitos pela nossa coligação e desejo que eles cumpram um mandato pautado no trabalho, na honestidade e seriedade”, disse o prefeito. A pergunta que não pode calar: e os cinco vereadores eleitos pelos demais partidos? Não são dignos de um aceno do ainda prefeito? Em definitivo, não é assim que se faz.

Noblesse oblige, dizem os franceses. Mas a nobreza só obriga a quem a detém como tesouro inalienável e de berço. Não é o caso aqui. O ainda prefeito não só não cumprimentou o vencedor, um movimento básico da etiqueta política, como não disse nenhuma palavra sobre a natureza democrática do processo do qual acabava de participar. Política não é guerra, mas esse é um entendimento de linha fina demais para as mentes revanchistas. 

'MOSTRAR A DIFERENÇA'

O agradecimento do prefeito restrito apenas à sua patota ficou ainda mais diminuto e fora de lugar no campo da educação e polidez diante do gesto do candidato a vice-prefeito Vinicius Ramos, o Vinicius da Interpop (Republicanos), que também agradeceu aos apoios que ele e o candidato Carlito Oliveira, o Carlitão (PSL), receberam.

Fez mais: se colocou à disposição do prefeito eleito, Anastácio Guedes (PT), para buscar o aquilo que os políticos chamam de 'o bem do município', o bem comum, que deve ser o objeto de busca de toda política, para além das escamaruças eleitorais.

“Que você faça uma boa gestão e pode contar comigo no que precisarem, porque não vamos fazer uma política de oposição que atrapalhe o prefeito. Torcemos por Manga e vamos fazer a diferença, mostrar que somos diferentes”, disse Interpop em vídeo distribuído na segunda-feira (16) nas redes sociais.

Vinicius, com seu gesto, tenta sepultar o 'velho' jeito de fazer política. Conseguiu, embora não tenha sido sua intenção, deixar Quinquinhas do Posto ainda mais lililputiano do que ele sempre foi. Um tapa com luva de pelica, como se dizia antigamente. Noblesse oblige, mas esse é um comporttamento para poucos. 

Quinquinhas só confirma o que escrevi aqui. Sai do poder pela porta dos fundos e menor do que entrou (e olha que entrou também pela fresta oportunista do que não têm voto). Não demonstrou grandeza na derrota, o que implicitamente o coloca na posição de que também não tenha merecido as vitórias que teve até aqui. Noblesse oblige!. Já vai tarde!

DANÇA DAS CADEIRAS NA CÂMARA

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Eleitor renova dois terços do Legislarivo em Manga, dilui representação e deixa prefeito eleito sem maioriaImagem do plenário na Câmara acima e os três vereadores mais votados: a campeã de de sufrágios e estreante Jácia Lopes, o veterano Raimundo Mendonça e o novato Ronny 'da Ambulância' Xavier

O cargo de vereador em Manga tem sido uma das ocupações mais instáveis da cidade. Seis dos nove vereadores eleitos no domingo (15 de novembro) farão suas estreias em plenário a partir de janeiro do próximo ano. A renovação no legislativo local bateu nos 67% nessas eleições. Com isso, seis dos atuais membros da Casa deixam o cargo no final deste ano - apenas dois deles por decisão própria. 

Dois dos atuais parlamentares desistiram da reeleição. É o caso da vice-prefeita eleita Casslia Rodrigues (PSB) e do vereador Evilásio Amaro, que considerou melhor não disputar a difícil eleição para vereador em meio à pandemia no coronavírus. Quatro dos sete vereadores que buscavam novo mandato tiveram seus nomes recusados nas urnas.

Juntos e misturados: por ordem de votos recebidos, os novatos Gilson Francisco Viana, o Tola, e Jackson Cunha, o Jacó,  Jarbas Pimenta (segundo mandato), Cibelle da Saúde (primeiro mandato), Professor Ramon Seixas (estreante) e o veterano Dão Guedes

Son Nogueira (PSB, 143 votos), Naldo Neves (PSD, 231 votos), Bento Ferreira, o Bento do Arvoredo (PL, 43 votos), Macalé Mendes o Macalé da Agroasto (PSL, 191 votos), não conseguiram renovar seus mandatos. Na outra ponta, Raimundo Mendonça, o Raimundão Gordo (PSD, 331 votos), Jarbas Pimenta, o Bio (PSB, 277 votos) e Dão Guedes (PT, 193 votos) garantiram suas cadeiras em plenário para a próxima legislatura.

CARAS NOVAS

No time da renovação estão os vereadores eleitos para primeiro mandato Jácia Lopes (PSD, 385 votos), Ronny Xavier, o Ronny da Ambulância (PSD, 327 votos), Gilson Francisco Viana, o Tola (Repubicanos, 300 votos), Jackson Cunha, o Jacó (Republicanos, 280 votos), Cibelle Santos Vieira, a Cibelle da Saúde (PP, 273 votos) e Eric Ramon Lopo Seixas, o Professor Ramon (Democracia Cristã, 216 votos).

Na visão bancadas, a coligação de partidos vinculados ao atual prefeito e candidato derrotado Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD) elegeu quatro vereadores, enquanto os partidos da base do prefeito eleito, Anastácio Guedes (PT), ficaram com três.

O fiel da balança para equilíbrio entre situação e oposição na futura Câmara de Manga fica por conta do Republicanos, partido da coligação do candidato Carlito Oliveira, o Carlitão (PSL), que conseguiu eleger dois parlamentares. O PSL de Carlitão não terá vereador no próximo mandato.

DE OLHO NA MESA MESA DIRETORA