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QUINQUINHAS QUER ENDIVIDAR ELEITOR

Ligado .

Custo per capita do financiamento pretendido pela Prefeitura de Manga é de R$ 220 para cada morador 

Meus dois leitores certamente conhecem o efeito mágico da composição de juros sobre determinado valor de capital principal. Se você está do lado investidor, a coisa é uma maravilha e atua para produzir fortunas.

Do lado do tomador, o efeito deletério dos juros é assunto sério e motivo para levar muita gente à falência. Juros compostos aliados às indecentes taxas cobradas no Brasil têm efeito devastador nos orçamentos de famílias, empresa e governos quebrados.

Você leu aqui ontem que o prefeito de Manga, Quinquinhas de Quinca de Otílio (PPS), anunciou esta semana em uma rede social que o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) acaba de aprovar empréstimo para o município no valor de R$ 2 milhões para financiar obras de calçamento de ruas nos bairros Alvorada, Arvoredo, Boa Vista, Cruzeiro e Nova Brasília.

AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA

O projeto ainda precisa passar pelo crivo da Câmara de Vereadores para a obtenção da chamada autorização legislativa, indispensável para que o município aumente o seu endividamento. Se vai passar ou não é questão ainda em aberto. O prefeito não tem maioria na Casa, mas vereadores são sempre propensos ao convencimento.

Noves fora a briga política que vem por aí, o fato concreto é que Quinquinhas quer espetar na conta de cada contribuinte manguense uma dívida per capita de R$ 220 reais pelos próximos sete anos. O site usou o serviço Cálculo Exato para uma estimativa de qual será valor final do empréstimo pretendido pelo prefeito. Essa conta permite avaliar quanto a brincadeira vai custar a cada um dos munícipes.

TOMA QUE A DÍVIDA É SUA

Graças ao efeito dos juros sobre juros (composição), o empréstimo no BDMG pode ter custo total de R$ 4,4 milhões (um pouco mais, ou um pouco menos, pois há uma parte variável nos juros cobrados pela instituição financeira).

Manga tem cerca de 19 mil habitantes pela última simulação do IBGE. Se você dividir o valor final do financiamento que o prefeito pretende tomar para calçar ruas pelo números de habitantes do município, cada morador vai assumir compulsoriamente uma dívida de R$ 220 ao longo do prazo de 78 meses da operação financeira.

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O problema é que apenas 10,1% da população local tem ocupação (dados de 2016, segundo o IBGE) - é de se considerar que esse número deve ter piorado por conta da depressão econômica que o país ainda enfrenta. Esse dado, per se, eleva o custo per capita do futuro empréstimo para 2.200 reais para cada trabalhador ativo.

Não, essa dívida não será enviada para a casa de cada contribuinte como acontece com o carnê do IPTU, mas, na prática, acontece uma subscrição passiva para cada um dos habitantes, já que entes públicos não tem capacidade de gerar receitas e sobrevivem com o pagamento de impostos. 

Resumo da confusão: o prefeito quer endividar o município em nome do projeto da reeleição e a conta vai cair no colo da população. Empréstimos financeiros, como se sabe, precisam ser honrados e, de imediato, a proposta em debate já compromete as receitas da Prefeitura pelos próximos sete anos - período em que Quinquinhas já será uma triste e péssima lembrança do pior governo que a cidade já teve em tempos recentes.

PÓS-VERDADE

Mas esse episódio tem o mérito de mostrar o quanto o prefeito enganou o povo, logo após tomar posse, quando disseminou a informação de que havia recebido um município endividado e com status de terra arrasada. Fosse verdade, não seria possível pleitear o empréstimo bancário que ele agora defende e que tanto demonizou na gestão do seu antecessor.

Municípios quebrados não têm como comprovar capacidade de pagamento. Como a crise fiscal só piorou desde que Quinquinhas tomou posse, a conversa mole do seu assessor in pectori para todas as maldades tinha cunho meramente ideológico, com o objetivo de demonizar o grupo político adversário.

De mais a mais, se Quinquinhas quer endividar o povo manguense para repetir aquele serviço de pavimentação vergonhoso que realizou em 2008, logo após assumir o cargo com a vaga aberta pelo golpe legislativo contra o então prefeito Humberto Salles, é melhor desistir da ideia.

O que restou do asfalto-sonrisal está aí para todo mundo ver, mas daquela vez pelo menos não se exigiu que o povo pagasse elevados juros bancários por uma obra de péssima qualidade.

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