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PREGO REDONDO EM FURO QUADRADO

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Mudam os atores, mas promessa de retomada do asfalto da BR-135 não sai do papel

Não satisfeito em ser um dos piores prefeitos que Manga teve nas últimas décadas, Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto, dá-se ao luxo de tirar onda de liderança regional ao abraçar a campanha pela retomada do asfalto da BR-135, entre Manga e Itacarambi. A obra, como sabem meus quatro leitores, parou no tempo e espaço - e dali parece não querer sair mais.

Desde que o PT perdeu a paternidade da pavimentação desse pedaço da BR-135, há coisa de três anos, o dono de postos de gasolina junta sua patota, sob a liderança do deputado estadual Arlen Santiago, para, volta e meia, vir aqui em Brasília, “lutar” pela volta do canteiro de obras para a beira da estrada.

A comitiva reúne ainda os prefeitos José Nunes (São João das Missões) e Nívea Maria de Oliveira (Itacarambi), além de alguns vereadores, e teve, mais recentemente, o reforço do senador Carlos Viana e do deputado Federal Antônio Pinheiro Neto, o Pinheirinho.

ISOLAMENTO

Os políticos que integram a caravana têm, em comum, o crachá de bolsonaristas na lapela. O adesismo ao grupo de turno no poder, entretanto, não tem ajudado muito. A obra do asfalto segue parada e sem previsão de retomada.

O asfalto da BR-135 avançou durante os mandatos petistas, mas deixou ilhado o trecho entre Manga Itacarambi. Entre outros motivos, pela suposta existência de um cemitério indígena do povo Xakriabás ali pela altura de São João das Missões. Resumo da ópera: Manga tem asfalto para a Bahia, mas está isolada em relação ao mapa de Minas Gerais.

A campanha dos novos donos dos destinos da BR-135 é para achar uns trocados no orçamento federal que possam pagar a feitura de novo projeto de engenharia para a obra de cerca de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi. O anterior caducou e, agora, tudo precisa começar do zero.

ORFANDADE

A promessa é de que o projeto deveria ser retomado agora neste segundo semestre, mas, pelo andar da carruagem, nada vai acontecer e o usuário da estrada vai enfrentar mais uma temporada de chuva e lama na pista.

De concreto, o que se teve foi um encontro entre o governador Romeu Zema e bancada de deputados federais mineiros aqui em Brasília na semana passada.

Zema mostrou aos parlamentares uma lista de projetos no pipeline para 2020. O Norte de Minas passa quase em branco nesse rol, exceto por algumas obras de combate à seca. Não há uma única linha sobre o asfalto entre Manga e Itacarambi.

Se o dono daquela rede de postos de gasolina e sua turma tivessem mesmo algum poder para influir nessa antiga demanda da população desses municípios do extremo Norte de Minas, um dos deveres de casa seria convencer o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) a federalizar novamente a obra da BR-135.

PROMESSAS

A estrada federal foi repassada novamente para a gestão do Estado no final do ano passado e precisa ter previsão orçamentária do governo mineiro para sair do papel.

Por outro lado, o pré-requisito para que a União volte a investir na BR-135 é a refederalização da rodovia, mas não se tem notícia de que os governos de Minas e a União tenham avançado um milímetro sequer nessa questão.

Sem isso, o que se tem mais uma vez são políticos tentando faturar com um sonho antigo da população do extremo Norte de Minas. Repetem, o que criticam nos governos passados: o engodo de vender à patuleia promessas que não estão aptos a entregar.

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