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MANGA ACELEROU NA MARCHA À RÉ

Ligado .

Em busca do quarto mandato, Quinquinhas repete estratégia de fazer ‘poupança’ para pacote de obras eleitorais 

Lula do Sindicato, candidato a vice, e Quinquinhas em pose para material de campanha: tentativa de conquistar novo mandato 

[ANÁLISE] - Nada de novo no front. Quando assumiu a Prefeitura de Manga em meados de 2007, após o impeachment do então prefeito Humberto Salles, Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD), deu início à chamada economia de guerra com vistas a garantir recursos para um pacote de obras que garantisse sua reeleição mais adiante.

Essa ‘poupança’, conseguida com certo sacrifício para o cotidiano da população lá naquele momento, porque representou menos gastos correntes na saúde, por exemplo, deu espaço orçamentário para que Quinquinhas contratasse a pavimentação de algumas ruas na cidade, inclusive a saída para Januária, na altura do Batalhão da Polícia Militar.

A estratégia deu certo no curto prazo. Quinquinhas foi reeleito para um segundo mandato (2009/2012), mas a ‘jogada’ se mostraria péssima para a população ao longo do tempo.

‘ASFALTO SONRISAL’

A pavimentação da saída de Januária e em algumas ruas do bairro Santo Antônio ganhou o apelido ‘asfalto sonrisal’ dos opositores do prefeito, porque começou a esfarinhar pouco tempo após a obra ter sido entregue.

Agora mesmo, os buracos da avenida receberam remendos, mas não de massa asfáltica, como seria recomendado. Aplicou-se ali uma espécie de pasta de cimento com cascalho, que não deve resistir ao período de chuvas que acaba de começar.

Pista de rolamento da entrada sul da cidade, no sentido Januária: asfalto do 1º mandato de Quinquinhas tem falhas de excução 

Mas é ainda pior: por falhas de projeto, a preparação da sub-base das pistas de rolamento da avenida fiou abaixo do nível do solo na região e o asfalto recorrentemente é coberto pela terra, trazida pelas águas das chuvas e pelo vento.

Exemplo típico de mau uso do dinheiro público que arranhou, de saída, a imagem do empresário competente com a gestão pública que o de novo prefeito tenta vender desde que entrou para a política.

O caso ‘asfalto sonrisal’ foi parar na Justiça, numa ação civil pública em que se pede restituição dos valores aos cofres públicos. Há, até aqui, decisão liminar sobre o pleito, que recebeu parecer favorável do Ministério Público, mas o caso segue sem desfecho.

A corrosão do asfalto, por seu turno, tem sido mais rápida que uma eventual decisão restauradora na seara judicial. Enquanto isso, o asfalto segue esburacado e escondido sob a areia na maior parte do tempo.

PAROU POR QUÊ?

Nada de novo no front. A má notícia é que Quinquinhas repete a tática da ‘poupança forçada’ para tentar animar o final do atual mandato. Ele disputa a reeleição pela coligação ‘Manga não pode parar’, que tem como candidato a vice o empresário Luiz Cláudio Chaves, o Lula do Sindicato (PP).

Manga deveria ter acelerado, em todos os campos, conforme as promessas de  Quinquinhas nos palanques de quatro anos atrás, mas o que se viu em três anos e meio foi a paralisia da gestão e a ausência de obras, naquela que se candidata a ser pior administração em Manga por décadas no realizações.

 

 

Imagens de 2018 mostram descaso com a zeladoria da cidade: carro de lixo quebrado é ruas sujam são síntese da gestão que prometia acelerar o município  

A zeladoria da cidade é, de longe, o pior resultado da gestão Quinquinhas, que tem como característica única a falta de entregas a dois meses do final do mandato.

A população conviveu ao longo dos últimos quatro anos com buracos nas vias públias e com a falta de limpeza, além dos descaso com equipamentos públicos - casos das as academias ao ar livre, a orla do São Francisco e Parque Uirapuru.

O prefeito-candidato tenta repetir a dose com algumas frentes de calçamento no município, tudo para colar a imagem de ‘obreira’ na atual administração.

Vale um atenção para a qualidade e durabilidade desses calçamentos. Obra feita às pressas não sempre ttaz o risco da baixa qualidade, como mostrou o 'asfalto-sonrisal'.

Noutra ponta, forças-tarefas simulam a limpeza de ruas da cidade em plena campanha eleitoral ou atuação em ações de combate à pandemia.

VOTO COM CALAMIDADE

O período de excepcionalidade da pandemia abriu precedente necessário, mas ao mesmo tempo perigoso, quando facultou aos gestores públicos, sob o argumento de calamidade, poderes super discricionários nas contratações emergenciais, inclusive de pessoas.

As obras eleitoreiras serão suficientes para garantir um quarto mandato a Quinquinhas? Isso só as urnas podem dizer. Não foram, por exemplo, para o novamente candidato Anastácio Guedes (PT), que também enfrentou mandato sem obras e em constante crise financeira.

O petista tentou tirar o atraso no ano eleitoral de 2016, com as obras de urbanização da orla do Rio São Francisco, Parque Uirapuru e a pavimentação da Avenida Ayrton Senna, entre outras. Perdeu a eleição para Quinquinhas, que agora repete a fórmula, embora com pacote de obras meia-boca.

Em conclusão, disputas eleitorais só terminam quando acabam. Daqui a uma semana será possível saber o que o eleitor escolheu para os próximos quatro anos. Anastácio lidera a corrida, segundo pesquisa encomendada ao Instituto Veredas e divulgada aqui.

Mais atrás e segundo o mesmo levantamento, Quinquinhas e o candidato José Carlito de Oliveira, o Carlitão (PSL), ensaiavam um empate técnico. No limite, Carlitão pode ultrapassar Quinquinhas, mas também há a hipótese de que fique na poeira, caso seu vertiginoso crescimento estanque antes da eleição.

DE NOVO?

De toda sorte, pesquisas são um instantâneo nas disputas eleitorais. Captam um único frame de um momento maior que é o filme completo de toda corrida rumos às urnas.

O fato é que pesquisa do Veredas, que foi contratada pelo PT, provocou os brios dos concorrentes e serviu mesmo para acelerar os comícios em bairros e comunidades rurais pelas campanhas do atual prefeito e de Carlitão.

Árvore que oferecia sombra para manifestações culturais na Praça da Rodoviária vira terra arrasada na atual gestão: falta de zelo 

Em conclusão, o prefeito Quinquinhas, responsável por ‘acelerar’ Manga em marcha-a-ré e rumo ao atraso, adotou nesta campanha slogan em que diz que “o município não pode parar”.

A frase é uma piada pronta, porque se for para continuar nessa rota batida da paralisia administrativa o melhor é que o eleitor bote o pé no freio e peça ao motorista para descer da boleia.

Depois de 10 anos no cargo, talvez tenha chegado o momento de Quinquinhas passar as chaves da cidade para alguém mais capacitado. Pode piorar? Sempre pode, mas o eleitor manda sinais de não suporta mais esperar por promessas nunca realizadas. 

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