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ANÁLISE: BOLSONARO TERMINA O MANDATO?

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Coronavírus atropelou projeto de reeleição de Trump nos EUA e pode dificultar segunda metade do (des)governo Bolsonaro por aqui

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só pensa na reeleição. O sobe e desce dele país afora para inaugurar obras herdadas de outros governos faz parte da estratégia de conquistar novas faixas de eleitorado, especialmente entre os mais pobres – onde ganhou simpatias após ser obrigado pelo Congresso Nacional a pagar o auxílio emergencial de R$ 600 (agora reduzido pela metade).

Bolsonaro está com tudo e não está prosa, mas há nuvens no horizonte. Uma delas é o isolamento político no mundo com a derrota de Donald Trump, a quem dedica simpatia que extrapola a sempre bem-vinda relação mais distante entre as nações. Países não são amigos, países têm interesses (e negócios), como o presidente brasileiro não demorará a perceber.

O mandatário brasileiro se indispôs com vários dos seus pares na Europa. Para piorar, seu governo cria caso com a China semana sim e a outra também - justo os chineses que são os maiores parceiros comerciais do Brasil. Por último, o país perde a simpatia dos Estados Unidos com a virada democrata de Joe Biden. 

NÃO SAI DO LUGAR

Mas não é só. No front interno, o (des)governo Bolsonaro patina desde o início, situação que se agravou com a pandemia da Sars-Cov-2. O déficit público vai chegar a 100% do PIB neste ano pandêmico e o país precisará rolar uma dívida de quase R$ 700 bilhões nos próximos meses.

Refinanciar essa montanha de dinheiro vai custar mais caro, em razão das incertezas com a demora em tocar as reformas administração e tributária sempre anunciadas, mas ainda paradas em alguma gaveta da Praça dos Três Poderes.

O sonho da reeleição sempre é possível, porque o presidente exibe bons índices de aprovação após a emergência da pandemia. Mas o horizonte não é tranquilo.

Bolsonaro e Paulo Guedes, seu desorientado ministo da Economia, não têm a mais pálida ideia do que vai colocar no lugar do auxílio emergencial nem como resolver a situação de quase 50 milhões de brasileiros sem emprego ou subempregados.

DERROTA MUNICIPAL

O desafio é imenso, mas não há, nas hostes governistas, o necessário senso de urgência para a imensa crise que ameaça tragar o país já a partir do próximo ano. Senso de urgência quem tem mesmo é a inflação, que começa um galope que pode levar os brasileiros três décadas no tempo e anular todo o esforço iniciado com o Plano Real. 

Agora mesmo, o ministro Paulo Guedes espera placidamente o fim da apuração das eleições municipais para voltar a falar da pauta de interesse e urgência do governo federal. As eleições municipais não são - ou não deveriam ser - motivo para o governo paralisar sua agenda.

País precisa de respostas que o governo Bolsonaro  não demonstra ter estofo para produzir

Se o caldo social entornar, pode ser que o presidente nem termine o mandato – cenário bem remoto, claro, mas não de todo descartado se a crise ganhar contornos de tragédia social. Exagero? Nem tanto, dada a total incapacidade do mandatário para lidar com situações adversar. Vide o caso da pandemia do coronavírus. 

Nem bem assimilou a derrota de Trump, Bolsonaro deve amargar outros dissabores vindos das urnas na próxima semana. Vai mal o apoio do presidente aos candidatos a prefeito Celso Russomano, em São Paulo, e Marcelo Crivella, no Rio, ambos do Republicanos, a faceta partidária da Igreja Universal do Reino de Deus.

A aprovação de Bolsonaro no Sudeste, por sinal, começa a dar sinais de esgotamento – o que é compensado pelo crescimento no Norte e Nordeste, além da manutenção do apoio ao seu governo no Centro-Oeste.

Os partidos do centrão caminham para ser os grandes vencedores das eleições municipais, mas convém a Bolsonaro não tomar essa jornada como sua. O centrão tem, antes de tudo, senso de oportunidade e sobrevivência. Se a situação política do presidente ficar insustentável, virá daí as primeiras defecções ao desgoverno.

A CONTA CHEGA

A pandemia do coronavírus ainda é um capítulo em aberto. Donald Trump tinha uma reeleição praticamente garantida nos Estados Unidos, mas foi atropelado pelos efeitos do vírus e a postura negacionista que adotou em relação ao tema.

Por aqui, Bolsonaro fez pior e agora ensaia um movimento para repassar as responsabilidades aos prefeitos e governadores. Não vai dar certo, especialmente se a economia for incapaz de responder aos anseios da imensa parcela da população que perdeu seus empregos, negócios e a esperança em dias melhores.

Se e quando chegar, a conta da negligência será do presidente no plantão. Imaginar dias difícieis para Bolsonaro na metade final do mandato parece torcida contra? Nem tanto. A depender da intensidade da crise e da falta de manejo na sua condição, o tsunami pode sustar os sonhos da reeleição pro aqui também.

Se não sobrevier coisa pior, com a eventual emergência do presidente ser convidado a sair pelas portas dos fundos do Palácio do Planalto antes do tempo regulamentar em eventual perda da governabilidade e apelo desesperado à quebra das regras do jogo democrático.     

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