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MANGA ANDA... PARA TRÁS

Ligado .

Eleitor terá neste domingo duas opções já testadas em suas muitas falhas e poucos acertos e a aposta no tertius sem experiência no currículo 

[ANÁLISE] - O eleitor manguense tem à mesa seis opções de candidatos, das quais apenas três são exequíveis do ponto de vista eleitoral. São três projetos distintos, mas todos com algum potencial de sair vitorioso nas urnas no próximo domingo – dada a percepção de que o jogo pode ter embolado nesta reta final da corrida eleitoral.

Uma delas é candidatura do ex-prefeito Anastácio Guedes (PT), que lidera (ou liderava) a disputa, segundo pesquisa do Instituto Veredas, do final de outubro – o único levantamento apto a ser divulgada durante a atual temporada de caça ao voto, posto que foi registrado na Justiça Eleitoral como indica a legislação.

O petista Anastácio ancora seu sonho de voltar a comandar o município com base no recall (lembrança) da sua passagem pelo cargo entre 2013/16, além de contar com o forte cabo eleitoral que a fraca gestão do atual prefeito Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD).

AGORA VAI?

Anastácio também enfrentou um mandato difícil, especialmente na sua segunda metade, que coincidiu com o auge da demonização e queda do petismo do mando federal, com o impeachment de Dilma Rousseff. A crise daquele momento paralisou a administração, que teve ainda como outros pecados a má escolha do time de secretários para ajudar na gestão. 

                      Três prá lá, três prá ca: em sentido horário os candidatos Carlitão, Quinquinhas, Pastor Isaías Nascimento, Anastácio, o vice-prefeito Luiz do Foguete e Adailton Locutor  

Ainda assim, o irmão do deputado federal Paulo Guedes tinha como aliado no governo estadual o petista Fernando Pimentel. Com isso, conseguiu legar um pacote de obras no mandato, parte delas no final do segundo tempo. Várias dessas obras ficaram inacabadas e uma das metas do candidato é, segundo promete, voltar para conclui-las. Como?, é a questão em aberto.

Tem coisa de porte nesse bolo, ao contrário do que o atual prefeito tenta fazer agora. Entre elas a escola técnica federal e uma creche do programa Pro-Infância - além da urbanização do Parque Uirapuru. Alguns desses projetos foram descontinuados no governo Jair Bolsonaro, mas estão em estágio de construção que não admite retorno sob pena de rasgar o dinheiro do contribuinte.  

O TERTIUS

Outra candidatura com alguma chance de vingar no próximo domingo é a do agroempresário José Carlito Oliveira (PSL), que saiu praticamente do nada, aqui em sentido literal, para obter o maior crescimento nas intenções de voto na atual corrida eleitoral – quando considerado o desempenho individual.

Como assim?, perguntam aflitos meus três leitores. Carlitão não existia para a política manguense até meados deste ano. Sua campanha foi construída de última hora, após o agora vice na chapa, o empresário Vicinius Ramos, o Vicinius Interpop (Republicanos), jogar a toalha.

BOIA DE SALVAÇÃO

O candidato do PSL saiu do zero para pontuar acima dos 20%, ainda de acordo com a única pesquisa com registro no TSE. O fazendeiro representa uma espécie de terceira via, com o carimbo da extrema direita bolsonarista e, em certa medida, serviu de boia de salvação para o eleitor que ansiava por um fato novo na política local.

Carlito é a alternativa para o eleitor que não suporta mais ver a cara do prefeito Quinquinhas sempre ‘tentano’ achar um culpado para suas próprias falhas administrativas e sua míope visão política.

Por outro lado, o candidato do PSL atrai quem não quer ver de novo na prefeitura a patota do petismo local, com seus arranjos familiares e partidários. Sim, ainda há um anti-petismo no ar, o mesmo que derrotou Anastácio há quatro anos, agora com reduzido poder de fogo.

NEM TUDO SÃO FLORES

O nome do bolsonarismo em Manga serve de reduto a turma que execra a política tradicional, embora essa bobagem tenha perdido força, como demonstra a surra que o bolsonarismo vai levar das urnas no domingo.

Carlito seria a válvula de escape para o eleitor cansado a um só tempo de Quinquinhas e do PT. Mas nem tudo são flores no seu gramado.

O homem do chapéu vai precisar demonstrar nas urnas que não perdeu o gás antes da hora, feito uma garrafa de Coca-Cola que alguém esqueceu de fechar após o primeiro e saboroso gole. Se chegar lá, anda terá um problema a resolver: não tem experiência com a coisa pública e ainda precisará lidar com o estilo mandachuva dos seus companheiros de travessia. 

AJUDA OU ATRAPALHA?

Seja como for, os efeitos da aparição desse tertius nas eleições de Manga ainda não pode ser completamente dimensionado. A entrada de Carlitão em cena ajuda ou atrapalha os demais concorrentes e em que medida?

Seu crescimento vertiginoso será o bastante para levá-lo à vitória já na primeira tentativa e contra gente bem mais experiente nos embates políticos locais? Seu perfil mais à direita pode inviabilizar o prefeito Quinquinhas e ambos morrerem na praia ou seu estilo populista arrebanha votos da seara do petista Anastácio? Perguntas em aberto até a noite deste domingo.

O ZERO-ENTREGAS

Por último, mas não menos importante: o eleitor tem entre suas possibilidades de escolha o projeto de reeleição do prefeito Quinquinhas. É mais do mesmo e nome já testado, especialmente por seus baixos resultados. O atual prefeito vai completar agora em dezembro 10 anos de mandatos acumulados, embora não sucessivos.

Quem passa por Manga percebe de imediato que não há legado disponível da era Quinquinhas após tanto tempo no poder. A eleição do domingo é, para todos os efeitos, uma espécie de referendo da administração Quinquinhas.

Ele chegou a dar a empreitada como derrota certa e cogitou até mesmo em desistir da reeleição, mas voltou atrás e agora tenta, quase que em desespero, uma virada de jogo.  

PAROU POR QUÊ? 

Nunca é demais lembrar que prefeitos em busca da reeleição são candidatos com algum potencial de vitória, quando menos porque o cargo oferece vantagens competitivas incomparáveis no sistema eleitoral brasileiro (entre elas, disputar a reeleição com a caneta que assina o cheque nas mãos).

Vai daí que é factível considerar que a reeleição do atual mandatário tem alguma chance de ser o projeto vitorioso na noite do próximo domingo. Pode. Não significa que vá.

E por que não? Porque Quinquinhas comanda uma das piores gestões que o município vê em décadas. O prefeito zero-entregas corre agora contra o relógio – e concomitante com a campanha eleitoral – para botar de pé um mal-ajambrado pacote de obras em final de mandato. Isso depois da vergonhosa inoperância de 3,5 anos de mandato.

Se isso fosse pouco, Quinquinhas destruiu boa parte da base de apoio com que venceu a eleiçao há quatro anos. Das suas costelas eleitorais saíram as candidaturas do atual vice Luiz do Foguete (PDT) e, de certa maneira, também a de Carlitão, que é um arranjo patrocinado pela família de Vinicius Ramos, até outro dia aliados incondicionais do atual prefeito.

Deixaram o campo do prefeito nos últimos quatro anos o médico Cândido Dourado e o ex-vice-prefeito Eliel Dourado, o ex-secretário Henrique Fraga e o ex-vereadores Gil Mendes, sem falar numa série de cabos eleitorais que agora tentam a sorte como candidatos a vereador de outros grupos políticos.       

MARCHA À RÉ 

As obras, em sua maior parte de pavimentação de ruas, podem nem ficar prontas neste mandato, mas cumprem a função de passar ao eleitor, na undécima hora, a impressão de que a velha promessa de ‘acelerar’ o município, seu slogan de campanha na campanha passada, estaria sendo cumprida.

Onde está o busílis? O problema é que, no cômputo geral, Manga até anda, mas infelizmente anda para trás – na marcha à ré. Para piorar, o município (e o país) foi surpreendido com a crise do coronavírus, cuja fatura ainda não chegou.

Quando a crise finalmente mostrar sua face de desarranjo, não será um cenário bonito para os dias que virão por aí. A dívida consolidada do município (em especial a previdenciária) deve crescer neste ano pandêmico de 2020.

MENOS PIOR

As perspectivas de arrecadação para o próximo mandato não são boas, de modo que as muitas promessas de obras e – principalmente – empregos não vão sair do papel. Ainda assim, tem candidato prometendo fábulas que sabem serem impossíveis de cumprir. O eleitor acredita se quiser.

No horizonte logo após a posse dos futuros prefeitos, a intenção do governo federal em substituir o auxílio emergencial, aquela esmola que salvou o país do caos durante a pandemia, por linhas de microcrédito. Essa ideia de jerico não vai funcionar e os futuros prefeitos verão a crise explodir nas portas dos seus gabinetes, sem muita margem de manobra.

Governos, em geral, inclusive os municipais, são ruins por definição e ex-ante. Mesmo quando juram o contrário em suas peças de propaganda. Quebrado, o setor público brasileiro não tem promessa que dê jeito. Nas parolagens de candidato, acredita quem quiser. Ou que possa ver nisso alguma vantagem pessoal. No mais, resta ao eleitor escolher o menos pior. O que é sempre mais difícil.  

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Comentários  
0 # pe de cabra 12-11-2020 19:47
"que vengla el toro!!!"
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0 # pe de cabra 13-11-2020 12:17
epa!
"que venga el toro!!!"
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