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QUE FIASCO FOI ESSE?

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Comparativo das entregas em final de mandato mostra avanço acachapante de Matias Cardoso sobre Manga

[ATUALIZADO] - O evangelista Tiago (2:17-19) diz que a fé sem obras é uma fé morta. Proponho um passo secular para longe dos domínios da doutrina e rumo ao profano: uma administração pública sem obras é ela também morta, e não só morta, é como o joio que não merece florescer - também aqui com o empréstimo do sentido teológico.

Digo isso a propósito do momento político-eleitoral que acaba de acontecer, feito intrinsecamente de escolhas, em que o eleitor tem a oportunidade de fazer seu julgamento sobre se vai renovar ou não os votos de confiança com quem soube cuidar dos talentos que recebeu via soberania popular e sobre quem os deixou apodrecer em maus toneis, onde o bom vinho é transformado em péssimo vinagre.

Salto das metáforas bíblicas para a vida como ela é - ou como deveria ter sido. Duas cidades vizinhas, dois governos em finais de mandato, mas com resultados absolutamente opostos.

Talentos distribuídos em solo fértil e talentos jogados aos pedregulhos, ali naquele chão em que nada floresce e os corvos aproveitam para beliscar o almoço.

TÃO PERTO, TÃO LONGE

Falo de Matias Cardoso, onde o prefeito Edmárcio Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), fecha o ciclo de dois mandatos ao enfileirar lista de entregas de porte, performance coroada com boa aprovação popular - o que não é fácil para mandatos duplos.

Dito isso, não há como evitar a comparação com Manga, bem ali do lado, onde o ainda mandatário Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD), passa pelo vexame por não ter o que mostrar para o eleitor em plena campanha para a reeleição, concluída no domingo (15 de novembro 2020).

Como não poderia deixar de ser, pela falta de entregas - ele é o primeiro prefeito em Manga com o carimho de zero-entrega após quatro anos no cargo, como não poderia deixar de ser, chegou ao momento eleitoral com baixa aprovação dos seus conterrâneos, além da perda de muitos aliados ao longo da jornada. 

Tempo de colheita: obras da gestão atual nos povoados de Lagedão e Gado Bravo, esquecidos pelo poder público desde sempre 

TEMPO DE PLANTAR, TEMPO DE COLHER

Em Manga, o prefeito cita como uma de suas realizações o “esforço para a conquista do asfalto da BR-135”. Não, o leitor não leu errado: o prefeito de Manga listou a busca por um asfalto que a população espera há 60 anos, que não saiu e não tem a menor previsão de quando será iniciado, entre o rol de feitos do seu mandato.

Com um adendo: o asfalto, quando e se um dia for feito, é obra federal e não do prefeito de turno. A lista de entregas do atual síndico da Prefeitura de Manga está (ou pelo menos estava) disponível no seu perfil do Facebook como material de campanha.

Ali, ele enumera reforma disso e reforma daquilo, curso de tal e coisa e coisa e tal, instalação de qualquer coisa com coisa nenhuma, parcerias com a associação 'X' e implantação da sala 'Y', não se sabe bem para quê.

Projeto da orla em Matias Cardoso deixa manguense intrigado sobre os porquês do fiasco da gestão local

Há o tempo de plantar e há o tempo de colher, como diz o Eclesiastes, que naturalmente não prescreve o prêmio da fartura para quem não fez por merecer.

Depois de muito pesquisar, o eleitor se pergunta quase em desespero, mas e as obras?, prefeito. É inútil a busca, pois obras não há - nem mesmo as que herdou quase prontas da gestão anterior e que só bastava finalizar. 

Nada. Zero. Uma gestão sem obras, pode-se dizer que, assim como a fé, também é morta e, talqualmente, sujeita à recusa pela soberania popular em seu momento de juízo. Uma gestão que cita como ‘obras’ o apoio à realização de casamentos coletivos é para acabar (nada contra o casamento coletivo, óbvio, mas à falta de assunto de um prefeito após quatro anos de mandato). É vergonhoso.

Manga não merecia passar por esse vexame. É por essas e outras a gestão atual ganha o carimbo de pior administração das últimas décadas em Manga, quando se considera a rubrica obras.

Desalentado, o eleitor que tentar cotejar as obras em Manga com o quintal da vizinha Matias Cardoso verá realidade distintas. Um dos meus três leitores poderá argumentar que Edmárcio da Sisan está há oito anos no cargo, enquanto do outro lado Rio São Francisco o prefeito de turno disputa um novo mandato após quatro anos de gestão.

É verdade. Mas também é certo que o mandatário de Manga acumula 10 anos na cadeira de prefeito e o seu legado é muito ruim depois desse tempo todo. Quem percorrer o município pode conferir o que se está falando aqui.

Antes e agora: Praça da Rodoviária em Manga é exemplo de falta de cuidado com a zeladoria da cidade 

Edmárcio, que sonha com um mandato de deputado estadual daqui a dois anos, vai deixar o cargo com rol de entregas que mudou a cara da sede do município e dos povoados de Lagedão, Lagedinho e Gado Bravo (veja nas imagens acima).

Não entro no mérito se foi bom prefeito em 100% das atribuições de um governante, mas é preciso destacar que Matias Cardoso tem orçamento bem inferior ao de Manga (a diferença gira em torno de um terço).

SEM ZELO

Se um gestor consegue mostrar resultados, por que o outro, em tese com mais recursos, não tem praticamente nada para listar no balanço de mandato? Como explicar o sucesso de um administrador e o fiasco do outro? E mais: além da colheita pobre em realizações, no caso de Manga houve uma clara deterioração de equipamentos públicos. A falta de zelo com a cidade foi uma das marcas do atual mandato. 

Em Manga, o mandachuva culpa a crise financeira do país, os antecessores, a pandemia, a seca e que mais couber, mas o fato é que para dois municípios tão próximos (Matias Cardoso já foi distrito de Manga) e de realidades tão semelhantes todo confronto das duas gestões, quaisquer comparações entre os dois estilo de gestão serve apenas para evidenciar que Manga atravessa um fiasco administrativo.

Fiasco que o eleitor poderia - ou não - referendar no dia reservado ao seu juízo. Não referendou, como sabemos agora. Ninguém colhe o que não plantou. 

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