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SEGURA A ONDA

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Grandes aglomerações em carreatas e festas da vitória da recente campanha eleitoral pedem alerta para recidiva da covid


O boletim epidemiológico divulgado na terça-feira (17) pela Secretaria de Saúde de Manga dá conta que o município tem agora 200 casos confirmados para a doença Sars-coV2, para um total de 640 notificações recebidas pelas autoridades sanitárias desde o início da pandemia, há nove meses.

Os diagnósticos confirmados devem ser vistos com cautela e uma dose de ceticismo, em razão da conhecida subnotificação de casos e a baixa oferta de exames para a população.   

Ainda assim, o número de vítimas pelo coronavirus em Manga está estacionado em cinco óbitos desde o início do mês de outubro, o que é uma ótima notícia.

Atualmente, o serviço de saúde local diz monitorar 43 pacientes, um deles em isolamento hospitalar. Esse dado teve variação para baixo nos últimos 15 dias e são o indicador de que não haveria um surto da doença em formação.

Em Januária, para ficar em outro caso no extremo norte-mineiro, são 377 diagnósticos positivos para a Sars-coV-2 e oito óbitos confirmados até a última segunda-feira. As notificações somam 1.835, desde o mês de março.

MICARETA

Apesar do quadro de aparente normalidade, os sistemas de saúde de vários municípios da região (e do país) estão agora em alerta para a ocorrência de eventual surto da doença nas próximas horas ou dias. Tudo por conta dos comícios e carreatas que aconteceram na reta final das campanhas eleitorais.

O que se viu por todo lado foram verdadeiros carnavais fora de época, com o descaso quanto às medidas de distanciamento entre as pessoas e o abandono de medidas protetivas como o uso da máscara facial e o álcool em gel.

Nada disso é exatamente novidade, porque bares cheios e festas nos finais de semana deixaram de ser novidades há algum tempo. O que ainda não se tinha visto eram eventos públicos com centenas e milhares de pessoas dividindo o mesmo espaço.

IMUNIDADE

A expectativa é de que o surto não aconteça, o que será um fato curioso a apontar, se não para a adquirência da chamada imunidade de rebanho (quando a maior parte da população já foi contaminada e o vírus perde seu poder de contágio), o Brasil como um curioso caso de estudo pela OMS e quem mais se interessar.

As cenas do povo nas ruas atrás dos caminhões de som, em alguns casos eram trio elétricos, foram impressionantes e na contramão de tudo que se recomenda para enfrentamento da pandemia.

Tudo isso aconteceu na mesma semana em que especialistas em saúde pública se dividem sobre a ocorrência da prevista segunda onda do coronavírus ou o aumento de números de casos ainda relacionados à primeira leva da doença. O dado concreto é que a pandemia voltou a acelerar no Brasil, com o aumento de 45% no indicador média móvel de óbitos.

Outro dado que indica a reincidência da covid é a chamada A taxa de transmissão (Rt), que voltou a subir – e muito - no Brasil. Segundo monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido o Rt está agora em 1,10 – o que equivale dizer que cem pessoas contaminadas podem transmitir o vírus para outras 110 pessoas. Não são boas notícias. 

SEM CAIXA

É fato que o tema coronavírus saiu das manchetes temporariamente no calor das disputas eleitorais e que agora volta à boca da cena, naquele movimento típico da vida como ela é. O assunto rende provocações em rede social e faz a festa dos negacionistas da pandemia.

‘Agora que passou a eleição, o coronavírus vai voltar”, provoca daqui ou ‘Não pode ir à missa (culto) nem à escola, mas estava lá no meio da bagunça da campanha’, acusam acolá.

Coincidência ou não, fato é que pelo menos 14 estados brasileiros tiveram aumento considerável de casos nos últimos dias. Em São Paulo, há relatos de UTIs novamente lotadas nas redes particular e privada.

Se isso foi reflexo das eleições ou não é difícil saber, mas é fato que se coloca um elemento de forte preocupação na vida e economia do país, que não tem mais caixa para bancar nova rede de proteção às pessoas em caso da necessidade de novo isolamento social.

OLHA A ONDA

De resto, ninguém aguenta mais falar em quarentena e as pessoas estão ansiosas para virar a página desse trágico 2020. De concreto, a constatação científica que uma segunda onda da doença vai acontecer (já pegou a Europa inteira) e que será preciso conviver com essa realidade impensável há menos de um ano.

O coronavírus ainda assusta o mundo – com exceção, talvez, da China onde tudo começou. Por aqui, se acontecer mesmo a recidiva da Sars-coV-2 em razão da temporada eleitoral será uma dor de cabeça fora de hora para prefeitos eleitos ou não.

Como pedir a colaboração das pessoas depois das cenas que o país inteiro assistiu há pouco menos de uma semana? Mas há ainda a chance de o brasileiro humilhar o vírus e nada acontecer, o que só contribui para a tese sem pé nem cabeça de que o brasileiro teria imunidade natural vinda dos esgotos a céu aberto país afora, como Jair Bolsonaro sugeriu em de suas jactâncias sem respaldo na ciência

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Comentários  
0 # Anna Alice Barbosa 18-11-2020 15:56
Já era de se esperar. O problema é que o povo relaxou também em outros tipos de aglomerações, já que a grande maioria entendeu que, se pode fazer campanha, pode fazer festa também, isso em pleno final de ano.
O pior de tudo foi uma turma que vivia escrevendo que não queria visita, não saia de casa e tava lá no meio do povão. Enfim, a hipocrisia, como diz o meme do momento.
E depois o desemprego vai assombrando todo mundo, já que pode ser preciso de outro lockdown. As pessoas estão sendo inconsequentes, infelizmente.
*VIA FACEBOOK*
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