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ANASTÁCIO VAI NA FLAUTA

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Prefeito eleito adia anúncio de secretariado para semana do Natal e eleva ansiedade de aliados

 Os eleitos Anastácio e a vice Cassília: transição no escuro e demora para anunciar time de governo

Neste final de semana completa-se um mês das eleições municipais em primeiro turno. Pelo menos em Manga, nada ou muito pouco aconteceu desde então.

Não há transição em andamento entre os governos que sai e o que entra. Noutra direção, o prefeito eleito, Anastácio Guedes (PT), adiou o anúncio dos nomes que vão ocupar o primeiro escalão da sua administração para a semana que antecede o Natal. 

Há um método nessa demora, segundo o site apurou, mas o tempo urge e deixa ansiosos os aliados do grupo vencedor das eleições de novembro. Procurado, Anastácio se limita a dizer que a divulgação dos nomes que vão compor seu primeiro escalão será feito em bloco e de uma só vez.

"Só vamos anunciar quando estiver tudo acertado e todos os nomes escolhidos", diz, lacônico, o prefeito eleito. A "lista fechada" do futuro secretariado vai ficar para depois do dia 18, prazo-limite para a diplomação dos eleitos. 

SEM RUÍDOS

A estratégia, ao que parece, é evitar a interferência nas indicações para o primeiro escalão em duas eleições consideradas essenciais para a futura administração: a escolha do novo presidente da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, com eleição prevista para a próxima sexta-feira (18), além da eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores, na virada do ano.

O que se pretende evitar são eventuais ruídos que desagradem parcelas de sua base aliada já na largada para o novo governo - o que, convenhamos, é tarefa quase impossível. Um opção por um grupo aqui implica em insatisfações naquele outro acolá. 

O prefeito eleito tem se reunido com uma espécie de conselho informal integrado por Júnior Magalhães, Gilson Rodrigues Alves e o advogado Edilson Pinto, o Saruga. O trio atuou como coordenadores da campanha eleitoral e ganhou acesso aos ouvidos do eleito e de sua vice, a vereadora Cassília Rodrigues (PSB). Os três têm expectativas de ocupar cargos no futuro governo. 

QUEM MANDA 

A ordem para segurar o processo de escolha do primeiro escalão teria partido do deputado federal Paulo Guedes, o morubixaba do petismo local. Anastácio, claro, tenta desvincular a imagem de que só faz o que seu mestre mandar.

O futuro prefeito tem dito a aliados mais aflitos com a demora na tomada de decisões que, após participar das quatro últimas eleições  municipais, ele juntou bagagem e luz própria para saber o que quer - e quando quer, sem precisar obeder às ordens de quem quer que seja.

O caso é que a demora na escolha do time deixa os aliados ansiosos. Uma pessoa que vai assumir, por exemplo, a bagunça da educação municipal herdada do atual governo em surto pandêmico não pode ser convidada de vésperas. O mesmo vale para a saúde, ainda em meio ao manejo da maior crise sanitária da história do município.

De resto, as pessoas têm planos e não podem marcar uma viagem de férias ou qualquer outro compromisso com o risco de serem chamadas às pressas para participar de um governo. Sem falar naqueles que estão desempregados de outras funções e sonham com nova ocupação.  

SACO DE BONDADES

O que Paulo Guedes e Anastácio parecem ter esquecido é que ninguém acrescenta ao currículo o título pouco enobrecedor de ficha-suja, cassado e inelegível por acaso. A falta de decisões do lado do prefeito eleito tem como contraponto a enxurrada de decisões daquele que vai sentar a bunda na cadeira de mandatário até a virada do mês.

Prefeitura de Manga no detalhe de imagem aérea da área central da cidade: risco de herança maldita para novo governo 

O atual ocupante do cargo, o Cassado por decisão judicial intermediária, resolveu abrir um inusitado saco de bondades que sempre negou aos servidores municipais -  justamente no apagar das luzes do seu terceiro mandato.

O Ímprobo, e não sou eu que estou dizendo, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais em decisão lançada no iníco deste mês por três desembargadores da  2ª Câmara Cível, resolveu dar posse a quase 60 servidores aprovados um concurso de 2012 e que foi alvo de contestação judicial. Em tese, o trem da alegria de final de mandato deveria estar prescrito, mas a turma 'tomou posse' com pompa e pandemia e vai engrossar o custo da folha de pagamento no futuro governo.

ABONO COVID

O Ficha Suja antecipou o pagamento do décimo terceiro do funcionalismo em quase um mês, quanta gentileza!, e resolveu pagar de uma hora para outra um abono compensatório de R$ 1,2 mil para os servidores da saúde na linha de frente do combate ao coronavírus - algo que se recusou a fazer lá atrás, quando a pandemia realmente assustava em plano local.

A cidade passa por uma faxina de limpeza de ruas que certamente não é para entregar 'a casa' limpinha para o prefeito que vai chegar. Há aqui uma certa urgência do prefeito Zero Entregas em gastar os dinheiros que o município recebeu para o combate à Covid, com o discurso meio tosco da “transparência e boa gestão dos recursos financeiros, e nos cortes de gastos implementados pela administração municipal nestes quatros anos”.

A gestão agora no apagar das luzes, em definitivo, nunca foi transparente. Basta somar as dezenas de requerimentos que os vereadores de oposição enviaram e que nunca foram respondidos. 

COM QUE ROUPA EU VOU?

Seja como for, o governo que se vai - e já vai tarde - é passado. Conta pouco e interessa menos ainda para a população, que quer saber é como será daqui para a frente, a despeito das nuvens no horizonte não indicar boa coisa.

A calma de Anastácio exaspera os aliados que esperam por cargos. A alguns, exaspera até demais. A ponto de virar briga intrafamiliar. Para piorar, nada de transição no radar - o que atrapalha o ajuste da bússola do novo governo. O Inelegível sinaliza que não vai facilitar a vida do adversário. Por que ele faria isso? 

O prefeito eleito encaminhou ofício ao ainda titular em busca de informações sobre a transição. Sem ela, a futura administração vai começar no escuro, sem saber até mesmo se terá dinheiro em caixa para honrar os salários de janeiro.    

A menos de três semanas da posse, falta ao eleito sinalizar quais as primeiras medidas serão tomadas. Por quem e como serão redigidas essas primeiras medidas? Qual é o plano para os 100 primeiros dias de governo? Se ele existe, anda muito bem guardado. 

FIM DE FEIRA

Parece faltar a Anastácio e a seu time conselheiro um mínimo de curiosidade para saber o tamanho do buraco que vai herdar do prefeito que jurava ter uma eleição nas mãos e que foi botado pra correr pelo eleitor, mesmo sentado na montanha de recursos que recebeu com a excepcionalidade da pandemia - inclusive para o hospital municipal.

A pandemia não veio como era esperada, os recursos sim. Pela pressa da administração que se esvai em gastá-los, parece não ter sido pouca coisa.      

O blá-blá-blá das redes sociais do que sobra do atual governo parece apostar no dilúvio depois que o ainda prefeito deixar o cargo. O fim de feira do governo Zero Obras evoca saudades daquilo que não conseguiu entregar.

A aposta parece ser a de que Anastácio vai quebrar a cara e entregar uma gestão ainda pior do que essa que está nos estertores, no que pavimenta o retorno do que já não é mais para o comando da cidade daqui a quatro anos.

Cada um acredita no seu conto de fadas preferido, mas a propoganda do governo que desce ao túmulo só existe mesmo no Facebook e Instragam. Na vida real, o buraco é mais embaixo. Pra terminar: o mais intrigante é como um gestor que tinha tanta bala na agulha, tanto dinheiro agora gasto às presas, levar aquela lambada eleitoral na busca por mais um mandato. 

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