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VOLTA ÀS AULAS: MERENDA E ENVELOPE

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Piora da pandemia e falta de estrutura adiam implantação de modelo híbrido para retorno às aulas em Manga

Imagem ilustrativa, sem vinculação com as escolas do município (Barueri)  

Salas vazias: Manga adia retorno às aulas por falta de insumos e riscos da covid-19  

[ATUALIZADO] - O recrudescimento da pandemia do coronavírus no país, somada à ameaça de que as novas e mais perigosas cepas do vírus se espalhem pelo país nas próximas semanas, devem adiar, sine die, a implantação do chamado modelo de ensino híbrido na rede municipal de ensino de Manga.

Decreto assinado pelo prefeito Anastácio Guedes (PT) no começo de fevereiro definiu o retorno gradual e progressivo às aulas no formato presencial e remoto, na definição da Secretaria Municipal de Educação.

Segundo o decreto, “o ensino híbrido é modelo educacional constituído por mais de uma estratégia de acesso às aulas, em que o processo de ensino e aprendizagem ocorre em formato presencial e virtual”. 

VIRTUAL ENVELOPADO

O ensino remoto possível, contudo, não é o virtual com a oferta de aulas via internet ou em mídias físicas. O município vai manter o sistema adotado na gestão passada, com a entrega de envelopes com conteúdos para que os alunos estudem por conta própria em casa.

Mensalmente, a Secretaria de Educação vai distribuir os blocos de atividades pedagógicas enviadas (BAP) juntamente com as cestas básicas que substituem a merenda escolar enquanto durarem os efeitos da pandemia.

A abertura do ano letivo no município está prevista para a próxima segunda-feira, 8 de março. Até o dia 10, a SME pretende convocar os pais dos alunos para receber os primeiros pacotes com as tarefas e a distribuição merenda.

Não é o ideal, mas é o que se vai conseguindo oferecer - no que mantém o grande fosso entre os alunos pobres matriculados nas escolas públicas dos pequenos municípios e o ensino nos colégios das classes média e alta nas médias e grandes cidades.  

OS SEM-INTERNET

A rede municipal de Manga conta com cerca de 2,2 mil alunos, boa parte deles vindos de famílias carentes - o que dificulta a implementação de estratégias de tele-ensino. Faltam computadores, celulares e internet para que a grande maioria dos estudantes acesse os conteúdos oferecidos pelas escolas.

O decreto que instituiu o modelo híbrido presencial-virtual define ainda os papéis dos vários atores no processo de aprendizagem. Estão descritos no documento desde a responsabilidade da coordenação pela Secretaria de Educação até a obrigatoriedade dos alunos na realização das tarefas do BAP, além das funções dos gestores, especialistas em educação, professores e pais ou responsáveis.

ATRASO

Mesmo se quisesse iniciar as aulas presenciais agora em março, o município ainda não teria condições para oferecer a estrutura prevista no decreto. A falta de transição entre o governo anteior e o atual tem reduzido a velocidade das decisões administrativa.

A Prefeitura de Manga corre contra o otempo para concluir as licitações para as compras dos medidores de temperatura (termômetros digitais), máscaras e álcool em gel que vão compor o kits covid individual para cada estudante. 

A secretária municipal de Educação, Karina Pinheiro, avalia que esse nem é o maior obstáculo à remotada do ensino presencial. "Os processos licitatórios estão bastante adiantados. Nossa principal preocupação é mesmo com o agravamento da pandemia em todo o país", explica. 

Imagem: Polícia Militar de Minas Gerais

Alunos durante evento em frente à Escola Estadual Presidente Olegário Maciel:  atraso no reencontro

Karina Pinheiro conta que enfrentou dificuldades com o apagão nas informações básicas que herdou da administração anterior, mas que os processo começaram a ganhar tração e velocidade. Em entrevista por telefone, Karina contou que corre contra o tempo para minimizar os efeitos da pandemia na aprendizagem dos alunos da rede municipal.  

Os obstáculos, ela diz, são muitos. Até mesmo os dados para processamento da folha de pagamento não estavam mais disponíveis e muita coisa precisou ser recuperada ou transportada de arquivos físicos para os computadores.

VAI FICAR PRA DEPOIS

Segundo a secretária Karina Pinheiro, não há previsão de quando o modelo híbrido e gradual será implantado. "Vamos fazer avaliações mensais com todos os participantes do sistema para definir o momento mais seguro", diz a secretária de Educação. A decisão sobre o retorno precisa estar em sintonia com o Comitê Extraordinário Covid-19, além das orientações emanadas da Secretaria Estadual de Educação e do Ministério da Educação.

Por enquanto, o que é possível fazer é acelerar os processos licitatórios para a aquisição dos insumos que vão permitir a segurança da comunidade escolar no retorno presencial às aulas. 

"Estamos todos empenhados para fazer acontecer", diz Karina Pinheiro. Ela cita a contribuição importante de outros setores da administração - em especial a área da Saúde e estrutura montada especialmente para a gestão da pandemia.   

O retorno à sala de aula, quando for possível, vai levar em conta o distanciamento de segurança entre os alunos. O cenário mais provável é que a metade da turma assista às aulas presenciais em uma semana e, na seguinte, volte para casa para ceder lugar à parcela dos colegas que ficaram em casa.

SANITIZAÇÃO

Para funcionar, o tal modelo híbrido vai precisar contar com o acompanhamento do Centro de Atendimento Covid-19 e do comitê municipal de gerenciamento da pandemia.

As escolas deverão notificar imediatamente casos de alunos ou professores com sintomas de febre, tosse seca, cansaço, calafrios ou tonturas - além de providenciar o imediato isolamento de pessoas que apresentarem essas características.

As medidas previstas no decreto também valem para as escolas da rede privada, que deverão zelar pela prática de hábitos de higienização, além da sanitização dos prédios, salas de aulas e superfícies de uso comum.

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