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O PIOR FICOU PARA TRÁS?

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Adesão ao isolamento leva hospital de Manga ao menor índice de ocupação para o ano nesta quarta-feira 
Imagem. Stela Abreu

Ambulâncias recolhem pacientes na ala clínica do Hospital de Manga: unidade tem dias melhores após operar no limite com o surto da covid de março

O Hospital da Fundação de Amparo ao Homem do Campo em Manga registrava apenas uma internação nos 16 leitos disponíveis na manhã desta quarta-feira (14). É a menor taxa de ocupação do ano e situação bem diferente do caos que a unidade vivenciou durante o mês de março - quando o houve ameaça de desabastecimento do oxigênio medicinal e falta de medicamentos básicos no tratamento da covid-19.

O solitário paciente, entretanto, não ficou sozinho na Ala Covid do hospital de Manga por muito tempo. Por volta do meio-dia houve uma nova internação, também para pessoa suspeita de contaminação pelo coronavírus. Ainda assim, essa é uma excelente notícia.

UMA SEMANA SEM ÓBITO

Após os números de óbitos explodirem durante o mês de março, o município de Manga está há uma semana sem o registro de novas mortes pela covid. Até agora, 20 vidas foram perdidas na batalha contra a pandemia em Manga - 13 delas no curto intervalo de um mês.

Há pouco mais de três semanas, no dia 20 de março, a unidade havia registrado lotação máxima para os 16 leitos destinados ao atendimento na área de isolamento para pacientes convalescentes da covid-19.

Na ocasião, o consumo diário do oxigênio subiu para 17 cilindros/dia, após a Ala Covid operar em sua capacidade plena, e tudo sinalizava para um colapso no sistema de saúde local. No meio daquela crise, considerada o pior momento da pandemia do Sars-Cov-2 até agora, os hospitais da região não aceitavam transferências.

Técnicos do Hospital de Manga conferem estoque de oxigênio medicinal, insumo que registrou o maior consumo na história da unidade na crise do mês de março 

O único hospital de Manga é responsável pelo atendimento semi-intensivo de pacientes com diagnóstico de covid da microrregião formada por seis municípios (Manga, Montalvânia, Miravânia, Juvenília, Matias Cardoso e São João das Missões).

ADESÃO AO ISOLAMENTO

O presidente da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, o advogado Edilson Silva Pinto, o Saruga, comemorou o menor número de pacientes internados no Hospital. Saruga atribui a redução da pressão sobre o atendimento hospitalar à adesão da população local ao decreto estadual que instituiu a onda roxa, além das medidas tomadas em âmbito local.

Etapa mais restritiva do programa Minas Consciente, a onda roca determinou medidas bastante duras como o toque de recolher das 20h às 5h, a proibição de circulação de pessoas com sintomas de gripe, exceto para a realização ou acompanhamento de consultas ou realização de exames médico-hospitalares, além dos eventos em espaços públicos ou privados.

“O isolamento funcionou e contribuiu muito para esse resultado. Mesmo com muitas dificuldades e muita insistência da administração municipal, as pessoas cumpriram as medidas”, diz Saruga. Ele destaca ainda que as pessoas não podem relaxar e que é fundamental que a população siga firme no isolamento, nos cuidados como o uso da máscara facial e higienização das mãos.

Outra explicação para a descompressão no balcão do hospital manguense pode ser o avanço da vacinação contra a covid no próprio município e no vizinho São João das Missões. Em Manga, o percentual de imunizados já supera os 20% da população total, por conta das remessas extras de doses para atender ao público quilombola.

São João das Missões, que é sede do maior grupamento remanescente de indígenas de Minas Gerais, a etnia Xakriabás, a vacinação supera a metade da população.  Os casos de conaminação por covid de Missões são atendidos em Manga, que fica ali do lado.  

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