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OUÇO O QUE FALAM, MAS DIZEM NADA

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Esse estado permanente de campanha eleitoral que acompanha o governo Bolsonaro não é bom para país nenhum e muito menos para o Brasil, tão carente de correção de rumos na trajetória sempre errante de eterno país de um futuro que nunca chega. Jair Bolsonaro, como se sabe, só pensa no segundo mandato, por mais que o atual se configure como tragédia administrativa sem comparativo na história local.

Aquilo que de mais próximo o atual governo teve de projeto para o país era a agenda liberal do ministro Paulo Guedes (Economia), mas foi abortada logo de saída com a postura de sindicalista que Bolsonaro adotou em favor das forças armadas e polícias, que inexplicavelmente, aposentam mais cedo e com salário integral – enquanto a parcela do país que efetivamente produz foi penalizado.

O ponto é este: Bolsonaro está em campanha permanente pela reeleição, mas não tem um projeto para o país após quase três anos no poder. A bem da verdade, do fosso profundo e doentio que aparenta ser a mente do mandatário só há ideias para afundar cada vez mais o Brasil, já bem depauperado pelos efeitos da pandemia.

EXTERMINADOR DO FUTURO

Bolsonaro e sua caterva querem destruir tudo de positivo que o país construiu – especialmente desde a redemocratização. Vide o caso presente do fim da lei das improbidades, que seu aliado Artur Lira toca no Congresso, e esse preocupante retorno da inflação sem reação visível em política monetária e outras - além, claro, do aleijão na Lei de Responsabilidade Fiscal e a desconfiguraçã do arcabouço protetivo aos direitos humanos e minorias. 

Se da mata governamental bolsonarista não sai coelho, o panorama não é diferente nas alternativas de poder. Líder de preferência em todas as pesquisas, o ex-presidente Lula acena com a repetição de novos dias felizes que proporcionou ao país com a boa coincidência do boom das commodities do início dos anos 2000 e de um mundo que funcionava melhor – inclusive na cena democrática.

Lula de novo é volta ao passado, felizmente mais recente do que esse beco sem saída de retorno à ditadura e à vida dos anos 1.970, que aparenta ser o único projeto que Bolsonaro persegue com alguma lógica no escuro labirinto que se mostra essa sua triste passagem pela Presidência de uma economia do porte da nossa – infelizmente relegada ao papel de vilã do meio ambiente e do aprofundamento das desigualdades, como nunca se viu.

Fora disso, sobra o chamado centro em que se amontoam sonhadores com a Presidência. No geral, são políticos sem votos, ainda que bem intencionados. O que restou desse campo conta ainda com Ciro Gomes, os tucanos João Dória e Eduardo Leite, além do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, não devem dar para o gasto na tarefa de evitar a polarização Lula-Bolsonaro.

A pouco mais de um ano das eleições, o quadro sucessório para 2022 vai se fechando no rumo da polarização que contaminou o país na última disputa. Não é bom sinal, porque facilita a vida das vozes da caverna pró-radicalização. Ao fim e ao cabo, há muito ruído nessa fase pré-eleitoral, mas fica difícil perceber qualquer discurso que minimamente acene com a esperança de dias melhores.

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