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Prefeito de Matias coloca antecessor na chefia de gabinete e também vai atrás de empréstimo do BDMG para ampliar orla do Velho Chico

Prefeito Maurélio vai tomar empréstmo de R$ 1 milhão para concluir obra iniciada na gestão do seu mentor polícito e antecessor 

Uma reunião com seis dos nove vereadores de Matias Cardoso na residência do ex-prefeito Edmárcio de Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), na semana passada, definiu a contratação de dois empréstimos pela Prefeitura local em valores da ordem de R$ 1,5 milhão junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Edmárcio, que agora atua como chefe de gabinete do atual prefeito de Matias, Maurélio Santos (Avante), comandou o ritmo do encontro com a bancada governista.

Agora na condição de subordinado do prefeito Maurélio, de quem era chefe há apenas seis meses, Edmárcio estava à vontade no comando da ópera da coordenação política da administração.

O ex-prefeito de Matias está em pré-campanha para disputar uma vaga de deputado federal e era só empolgação com a aprovação dos projetos que vão aumentar o endividamento do município. Maurélio não parece se incomodar com a influência do antecessor em seu governo.

“O trabalho liderado pelo ex-prefeito Edmarcio Leal nos seus oito anos merece nosso reconhecimento porque foi um verdadeiro choque de gestão e que fez da nossa cidade um lugar melhor para se viver e respeitado pelos nossos vizinhos”, derrete-se o ex-secretário e agora prefeito.

 TRATORAÇO

Como missão dada é missão cumprida, a maioria governista de seis parlamentares na Câmara de Vereadores de Matias aprovou na quinta-feira (1), a autorização para que o município faça a contratação de dois empréstimos junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

À oposição, só restou fazer algum muxoxo sobre a falta de transparência da administração Maurélio.

A vereadora Maria de Lourdes Rodrigues da Silva, a Pretinha de Merson (PT), reclamou do tratoraço do prefeito. Segundo a parlamentar, o pedido de autorização para a tomada do empréstimo chegou à Casa sem informações básicas, entre elas, o percentual da taxa de juros praticada no financiamento, o prazo e o valor das prestações.

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Pretinha cita ainda a ausência de dados dos projetos como o memorial descritivo e o cronograma físico-financeiro para o desembolso das tranches dos empréstimos. Nada disso acompanhava o pedido de autorização do financiamento realizado pela Câmara, segundo a vereadora.

Outro oposicionista, o vereador José Rodrigues da Silva, o Barão da Serraria (quase escrevo Barão da Pisadinha), também petista, explicou em plenário que os votos contrários não expressam exatamente uma censura à ampliação da orla, que seria desejada pela população.

Para o vereador, esse seria um “momento não oportuno” para se contrair os financiamentos. Barão da Serraria diz que existem outras urgências no município, por exemplo, por exemplo uma extensa fila por cirurgias eletivas, – suspensas em razão dos efeitos da pandemia do Sars-Cov-2.

EXPANSÃO DA ORLA

Alheio ao chororô da oposição, Maurélio disse ao site que “a obra será muito importante para o progresso turístico do município”. A referência é ao projeto que destina R$ 1 milhão para as obras de ampliação da urbanização da orla do Rio São Francisco, o cartão postal da cidade.

“Acompanhei de perto os últimos oito anos da gestão deste município como chefe de gabinete, depois secretário de administração e, finalmente, como secretário de obras, quando contribui para melhoria de vida do nosso povo. A orla se tornou um cartão postal da nossa cidade, daí vimos a necessidade de fazer essa extensão”, explica Maurélio.

A urbanização da orla começou durante o último mandato do ex-prefeito Edmárcio, que adotou o feito como o principal de sua gestão de dois mandatos no município e cartão de visita nos contatos com lideranças políticas da região em busca de apoio para sua empreitada de conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados aqui em Brasília.

EDMÁRCIO FOI AO BDMG

Vale o registro de que o ex-prefeito Edmárcio e agora chefe de gabinete da Prefeitura de Matias, havia tomado outro empréstimo junto a esse mesmo BDMG no valor de R$ 1,5 milhão, em janeiro de 2018. O dinheiro foi aplicado na primeira fase de urbanização da orla.

Naquela ocasião, o então prefeito Edmárcio justificou o endividamento com o argumento de iria oferecer à população áreas de lazer, com quiosques, posta para a prática e Cooper e academia ao ar livre – além da mureta de proteção para separar o espaço urbano do barranco do rio.

Agora, segundo mensagem enviada por Maurélio aos atuais vereadores, o recurso vai garantir a extensão da orla até a elevatória 2 da Copasa, com a construção de muro de contenção, área de lazer e calçadão.

CONTENÇÃO DE DANOS

Em nota encaminhada ao site, o prefeito Maurélio diz que trata-se de “possível novo financiamento, porque ainda é proposta não aprovada pelo Banco. Segundo o prefeito, a chamada do BDMG para a linha de crédito tem taxa de juros de 5,5% ao ano para município de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), como é o caso de Matias Cardoso. O prazo da linha é de 78 meses, com carência de 12 meses.

Os empréstimos têm como garantia a vinculação das arrecadações do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). O valor da prestação também não foi definido, poque o BDMG não concluiu a análise financeira da obra.

“Com essa extensão da orla do São Francisco vamos fechar com urbanização praticamente todo o trecho dentro do perímetro urbano, inclusive com contenção da encosta, uma vez que a erosão começou a invadir a avenida já pavimentada com paralelepípedos”, justifivca o prefeito.

CAMINHÃO TRUCADO

O segundo projeto aprovado pela Câmara, autorizou a contratação de recurso no valor de R$ 500 para a aquisição de um caminhão-caçamba truck, ou pesado, no jargão dos caminhoneiros, com um terceiro eixo para dar mais estabilidade ao veículo.

A oposição também critica o financiamento do caminhão porque o município dispõe de outros veículos com características parecidas e, além disso, seria muito fácil conseguir recursos para a aquisição desse bem por meio de emendas parlamentares a que deputados ligados à base de apoio do presidente Jair Bolsonaro têm conseguido país afora.

Maurélio rebate essa crítica com o argumento de que o deputado federal aliado Marcelo Freitas (PSL) aportou até agora mais de R$ 2 milhões para o município. O prefeito anda alfineta a oposição, com uma indireta ao deputado Paulo Guedes (PT).

“Sobre a destinação de emenda parlamentar para aquisição do caminhão basculante, bem que o deputado federal votado pela oposição nas três últimas eleições poderia aportar o recurso para essa aquisição, para que assim abortássemos a busca do financiamento”, provocou.

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