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PARA SAIR DO BANHO MARIA

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Às voltas com insatisfação de aliados, Anastácio promete pacote de obras para tirar administração do marasmo inicial
Imagens: Governo de Minas

Vistas parciais do Parque Uirapuru e da urbanização da orla do Vecho Chico: abandono goveno Quinquinhas e promessa de retomada no segundo semestre

Há pouco mais de seis meses, ainda no entusiasmo produzido pelo calor da posse para um mandato zero quilômetro, o prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT), prometia retomar até ese meado de ano a recuperação do Parque Uirapuru e da urbanização da orla do rio São Francisco. São duas obras emblemáticas para sua gestão e diretamente ligadas à derrocada do seu principal adversário na política local, o ex-prefeito Quinquinhas de Quinca de Otílio (PSD).

Iniciados durante o primeiro mandato do petista em Manga, aquilo que o petismo chama de os dois principais cartões-postais da cidade foram praticamente desconfigurados pelo pouco caso que recebeu durante a gestão Quinquinhas, um político de pensamento atrasado e arrogante, ainda partidário da ideia ultrapassada que não se deve dar continuidade para obras iniciadas em governos adversários.

De volta a Anastácio, seus planos para recuperar os estratos no Parque Uirapuru e na Orla do Velho Chico não andaram conforme a previsão. Até aqui, sua gestão ainda patina na mesmice da falta de um começo efetivo, mesmo após passar um semestre inteiro aboletado na cadeira de prefeito.

A retomada da obra do parque, por exemplo, era esperada já nos primeiros dias da gestão, porque é bem cara ao petismo manguense e, em boa medida, responsável pelo reconhecimento da opinião pública de que Anastácio deixou um legado em seu primeiro mandato, mas que foi abertamente abandonado pela administração anterior, derrotada nas urnas.    

Para resumir a ópera, a coisa anda mais ou menos assim: a condução do município não piorou em relação a gestão Quinquinhas, a pior que Manga já viu em décadas, mas também não avançou conforme se esperava. Segue naquele naquele ramerrão que não sai do lugar: nem piora nem avança.

ARRECADAÇÃO EM ALTA

A boa notícia para Anastácio é que, apesar da pandemia e da crise econômica que o país atravessa, a arrecadação municipal não despencou - pelo contrário, no geral, tem até aumentado. Sem o aperto no caixa, sua gestão consegue pagar os servidores em dia e realizar o dia-a-dia da administração, com coleta de lixo e recuperação de estradas vicinais, por exemplo.

O prefeito tem espalhado para seu círculo mais próximo que o município conseguiu produzir um caixa de cerca de R$ 10 milhões com o qual espera lançar um pacote de obras agora no segundo semestre.

São economias próprias, derivadas até mesmo da arrecadação em alta, e alguns repasses vindos das emendas parlamentares dos deputados aliados Paulo Guedes (federal) e Virgílio Guimarães (estadual).

DIAS MELHORES VIRÃO?

O pacote de obras ainda depende da finalização dos processos de licitação e deve incluir, além do Parque e da Orla, a urbanização da saída de Montalvânia na altura do Bairro Arvoredo e a instalação de placas de sinalização para os principais bairros e pontos da cidade.

Se tudo der certo, será um primeiro ano de mandato bem melhor em relação a 2013, quando Anastácio iniciava sua passagem pelo comando do município para um mandato difícil e permeado pelas crises financeiras e políticas do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff - de péssima memória.

BRIGA DE CORREDOR

Se há uma boa perspectiva de tirar o mandato do marasmo com a realização de algumas obras, o mesmo não se pode dizer do fator político. O consórcio partidário que elegeu o petista Anastácio para seu segundo mandato tem se estranhado, ainda que em silêncio, pelos corredores da Prefeitura.

Além do PT, cujas lideranças resmungam pelos cantos por ter ficado de fora da divisão dos cargos do primeiro escalão, há uma guerra surda entre os partidos aliados PSB, da vice-prefeita Cassília Rodrigues, e o PSC, do secretário de Governo, José Magalhães Chaves Júnior, e do procurador jurídico, Reginaldo Rodrigues.

Na repartição do butim, o PSB ficou ainda com a Secretaria da Educação, com a indicação da advogada Karina Viana de Oliveira, para o cargo. Há no PSB quem avalie que foi um erro tático da vice Cassília ter ocupado a pasta da Saúde em plena pandemia do coronavírus. O partido ficou com as duas secretarias mais importantes da administração, mas, ao mesmo tempo, as mais complicadas para mostrar serviço em tempos de crise.

Na educação, por exemplo, pouco se avançou em relação ao modelo utilizado pela administração anterior que optou por não retomar as aulas presenciais e, em lugar delas, distribuir envelopes com tarefas para os alunos estudarem sozinhos, além de uma cesta básica em lugar da merenda escolar.

ABACAXIS

A turma do PT e mesmo do PSC suspeita que a atual vice Cassília tenha anseios de ser a primeira mulher a levar a honraria de ocupar o cargo de prefeita em 100 anos de história do município - e essa impressão a obrigaria a jogar na defensiva.

O PSC também sonha em cavar seu espaço no governo para, quem sabe, indicar um nome novo para a disputa de 2024. Uma fonte que pede para não ter o nome revelado diz que essas disputas internas paralisam a gestão - sobretudo porque o prefeito Anastácio (na foto, ao lado da vice Cassília Rodrigues) não tem jogo de cintura para lidar com elas e os abacaxis são enviados para o deputado federal e seu irmão, Paulo Guedes, resolver.

No mais, o prefeito Anastácio recebe críticas de todos os lados - menos, e por enquanto - da oposição, que caiu do caminhão de mudança com a derrota de Quinquinhas e até agora não achou o rumo.

Anastácio é mal avaliado até aqui, sobretudo por não conseguir cumprir a grande expectativa de boa parte dos eleitores que é oferecer empregos em cargos públicos. Há até mesmo quem considere que, se a eleição fosse hoje, ele talvez não tivesse mais a votação folgada que teve em outubro do ano passado - se não algo ainda pior, a derrota pura e simples.

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