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GUEDES DIZ SER "PILATOS NO CREDO"

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Deputado nega participação em negociação para compra de vacinas e diz que só ajudou correligionários em momento dramático da pandemiaCitado em documento em mãos da CPI da Covid, Paulo Guedes diz que só participou de reunião virtual com prefeitos para oferta da vacina     

A assessoria de comunicação do deputado federal Paulo Guedes (PT/MG) emitiu nota no início da noite da segunda-feira (19/8) para explicar a citação do nome do parlamentar em matéria exibida ao longo do último final de semana pelo canal de notícias CNN Brasil.

Guedes foi citado numa troca de mensagens entre Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical no Brasil, e Luiz Dominghetti, o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais que se jactava de ser preposto da mesma empresa na venda de vacinas das farmacêuticas AstraZeneca e Janssen em solo nacional.

A dupla Carvalho e Dominghetti é a mesma que expôs ao ridículo o governo do presidente Jair Bolsonaro que, por muito pouco, não realizou pagamentos da ordem de US$ 1,6 bilhão por vacinas que eles não tinham como entregar. Além de oferecer imunizantes de que não dispunham com o Ministério da Saúde, Carvalho e Dominghetti também negociaram com governadores e prefeitos de vários estados do país.

FACHADA

A troca de mensagens entre os dois apareceram nos documentos que estão em poder da CPI da Covid. Em uma das trocas de mensagens via Whatsapp o nome do petista Paulo Guedes é citado como sendo o responsável por repassar ao suposto emissário do laboratório americano Jhonson & Jhonson o contato do prefeito de Montes Claros, Humberto Souto (Cidadania), principal cidade do Norte de Minas, que teria demonstrado interesse na compra das vacinas. 

Numa conversa entre Carvalho e o cabo Dominghetti há o questinamento se o interesse Humberto Souto foi por indicação da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Carvalho responde: - Que eu saiba, o deputado Paulo Guedes, de Minas Gerais, passou o meu contato. Não fui procurado por ninguém da FNP até agora ou falando em nome dela.

Em sua nota, o deputado diz que nunca falou com Cristiano Carvalho e o militar Luiz Dominghetti e que não participou de qualquer negociação de compra de vacinas.

“O único contato que tive relacionado a este assunto foi em reunião virtual com a presença de alguns prefeitos do Norte de Minas, realizada no dia 20 de março, a convite do advogado Antônio Olímpio, que é filho de um amigo. Naquela reunião, o Sr. Cristiano Carvalho se apresentou como representante da empresa Davati para venda de vacina. Ali fizemos muitos questionamentos e, é claro, não houve nenhuma negociação”, explicou Paulo Guedes.

Fac-simile de imagens em poder da CPI da Pandemia com as conversas entre  Carvalho e Dominghetti

Segundo o deputado, logo em seguida, três dias depois, o advogado Antônio Olímpio teria enviado mensagem via Whatsapp em que o informava ter descoberto que se tratava de uma empresa de fachada. Na mensagem, Olímpio pedia desculpas às pessoas envolvidas com o assunto e avisava aos prefeitos que desconsiderassem as propostas da Davati. “Tudo acabou ali mesmo”, acrescenta Guedes.

MEA-CULPA

Na carta enviada ao deputado Guedes e aos prefeitos norte-mineiro, o advogado Antônio Olímpio e seu sócio Isaias Nunes disseram que que, para impressionar positivamente os futuros compradores, o lobista Carvalho dizia ter fechado contrato com a Prefeitura de São Paulo, a maior cidade da América Latina.

Segundo a matéria da CNN, o prefeito Humberto Souto teria participado da reunião virtual e manifestado interesse na compra da vacina – o que também não aconteceu, após o aviso de que os vendedores não tinham entregar o produto fez com que as negociações não avançassem.

O advogado Olímpio e seu parceiro na tentativa de vender vacinas para prefeitos norte-mineiros, Isaias Nunes, explicaram na carta de desculpas que começaram a suspeitas do negócio após lerem na imprensa as dificuldades da Jhonson & Jhonson em cumprir a meta para a entregas das vacinas no mês de março.

Fac-símile da mensagem enviada aos prefeitos pelo advogado Olímpio com pedido de desculpas 

“Com isso comecei a desconfiar que a Davati Medical, através do seu representante Cristiano Carvalho não teria essa disponibilidade de vacina, que segundo o mesmo seria mais de 100 milhões de doses”, diz Olímpio. A dúvida foi solucionada com um simples telefonema para Roger Patti, diretor nacional de contas estratégicas da Janssen Farmacêutica, que é o responsável pela comercialização da vacina da empresa no Brasil.

No pedido de desculpas enviado aos prefeitos, o advogado Antônio Olímpio justifica a participação no imbróglio em que se meteu "por acreditar que a tão sonhada vacina chegaria para os municípios" da região Norte de Minas. "Em nenhum momento, com todas as informações e documentos que nos foram apresentados, imaginariamos que se tratava apenas de especulação. Fica o aprendizado e o alerta que só devemos negociar compra de vacinas diretamente com o laboratório", disse em mea-culpa.

HOSPITAIS LOTADOS

De volta a Paulo Guedes, o parlamentar diz que não tem autonomia para comprar vacinas e que somente atendeu ao pedido de um correligionário para tentar atender o grande dilema dos prefeitos naquele momento, quando a pandemia mostrou sua pior face no país – com hospitais lotados, ameaça da falta de insumos e até de oxigênio.

“Como todo brasileiro, queria e quero que toda a população esteja vacinada, e enquanto deputado federal eleito pelo Norte de Minas, também estou trabalhando para ajudar os municípios a vencer esse momento dramático, mas isso precisa ser feito com lisura e responsabilidade”, diz o deputado na nota enviada à imprensa.

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