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BOLSONARO QUER O PAÍS NAS CORDAS

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Quem viu o lucro dos grandes grupos empresariais e do sistema financeiro nas últimas semanas reluta a acreditar que tais desempenhos se dêem em um país ainda estraçalhado pelos efeitos da maior tragédia humanitária dos tempos modernos - são mais de 60 milhões brasileiros na miséria e outras mais de 600 mil mortes de vítimas da covid.

Já seriam dramas suficientes para impactar qualquer povo, mas o Brasil ainda passa pelo gravame de contar com um político doido de pedra e mau caráter no comando da Nação. Não é uma coincidência fortuita nem bem-vinda para o futuro do país essa ascensão de uma extrema direita xiita ao poder em dias tão aziagos.

Também não é fortuito a obsessão do presidente Jair Bolsonaro em não deixar o poder ao final do seu mandato. Ele sabe os delitos que cometeu nos verões passado e que comete diariamente contra a democracia, contra a toda institucionalidade e a harmonia entre os poderes da República.

Sem falar nas suas omissões também criminosas em relação à tragédia da pandemia, o negacionismo em relação à covid e a recusa em cuidar da emergência sanitária com o rigor que ela merecia.

O Brasil tinha meios para ter se saído melhor na gestão da pandemia e só não o fez porque Bolsonaro claramente sabotou todas as medidas para o seu enfrentamento, na suposição de que o travamento da economia prejudicaria seu projeto de reeleição.

TUMULTO

E aqui estamos, no pior momento das crises política e institucional, quando Bolsonaro incentiva diariamente - agora sob o rótulo de um insustentável cavalo de batalha do voto impresso para as eleições do ano que vem.

Registre-se que ele não está preocupado com o modelo de votação, mas muito mais interessado em tumultuar o ambiente - já ciente de antemão que dificilmente seria reeleito ante a tragédia administrativa que impõe ao país.

Comanda o pior governo da História, porque, até mesmo na economia, onde o ministro Paulo Guedes prometia revolucionar o Estado, o governo navega sem rumo definido e agora o ministro se mostra empenhado em ser parte do projeto de uma reeleição que não virá pela via legal, se considerada o desastre que produz e que, dificilmente, vai conseguir reverter até a temporada eleitoral.

Guedes, o guardião do cofre cada vez menos o todo poderoso Posto Ipiranga, faz adesão à permanência do bolsonarismo para além do prazo contratado, ainda que se quebre o país em proporções jamais vistas.

E não obstante tudo isso, o capital segue bem remunerado obrigado, com lucros estratosféricos. É o caso dos R$ 43 bilhões que a semi-estatal Petrobras anunciou como resultado financeiro de apenas 90 dias (2º trimestre 2021), para ficar em um dos muitos exemplos de multiplicação dos lucros em meio à terra devastada em que o país se transformou .

O país que trabalha e dá lucros tem o que mostrar, mas segue sem bússola na tentativa de recuperar os imensos prejuízos trazidos pela tragédia do coronavírus, porque, não há um só dia - nem nos feriados e fins de semana - em que Bolsonaro não contribua para desestabilizar o ambiente da macropolítica, com efeitos óbvios em todas as frentes.

LENIÊNCIA

Um presidente arruaceiro e receoso de ter que responder por seus muitos delitos é o que temos para conviver nessa longa e difícil trajetória até as eleições de outubro do ano que vem.

O Judiciário, que agora tenta conter a sanha golpista de Bolsonaro, é o mesmo que fez vista grossa para um processo em que ele estava condenado - e portanto potencialmente inelegível - no caso das ofensas à então colega de parlamento e deputada Maria do Rosário.

A leniência e a frouxidão do Judiciário lá atrás, cobra seu preço agora. Antes disso, o Exército Brasileiro não teve peito para puni-lo exemplarmente quando ameaçou fazer greve e insinuava com ato terrorista na explosão de um reservatório de água no Rio de Janeiro, lá pelos idos dos anos 1970.

Nominado O Cavalão nos seus tempos de quartel, Bolsonaro agora faz montaria com deleites de vingança sobre a elite das forças armadas - parte delas, ainda que pequena, coopada para o seu projeto de reinstalar no país a ditadura militar que tanto atraso legou ao país em 20 anos de cerceamento das liberdades. 

Tratado desde sempre com baixo rigor na longa ficha corrida de crimes, inclusive as suspeitas de rachadinha no seu gabinete e dos filhos, Bolsonaro refuta qualquer possibilidade de ter suas vontades contrariadas. Como um arruaceiro anti-sistema, ele ameaça jogar o país no caos - ainda que isso custe muito sacrifício da população e ameaça às gerações que estão por aí sem emprego, sem escola, sem esperança.

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