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SALTO FORA DAS QUATRO LINHAS

Ligado .

Em escalada inédita na insanidade, Bolsonaro faz tanque de guerra desfilar na Praça dos Três Poderes, às portas do Congresso e STF
Jair Bolsonaro tenta diariamente superar o dia anterior em tibieza e despreparo. Na terra arrasada em que o país se transformou durante a pandemia, se 
recusou, pelo menos oficialmente, a tomar a vacina contra a covid quando todos os chefes de Estado que importam no mundo o fizeram para sinalizar responsabilidade com seus respectivos povos ante a calamidade da pandemia da covid-19.

Aqui, o mandatário optou entrar na contramão por puro negacionismo e estupidez, embora oficialmente tenha dito que optou por ficar no fim da fila e dar o exemplo de líder que nunca será. De todo modo, decisão de foro íntimo.

No coletivo, contudo, o triste desgoverno Bolsonaro vai encurralando o país, para vergonha dos adesistas de primeira hora - que agora tentam sair de fininho com notas vazias e cobranças inócuas.

O governo brasileiro lidou mal com a maior crise sanitária da história e o resultado é conhecido: preferia comprar vacinas de picaretas a investir o dinheiro dos contribuintes em laboratórios reconhecidos internacionalmente - sem falar da briga tola e irresponsável contra o distanciamento social e a nomeação de um general incompetente para uma função que não estava preparado.

TANQUES NA ESPLANADA

A briga de vez, contra o voto impresso, também não faz sentido. É apenas arruaça para tirar o país do desejável caminho da busca de rumos após o baque da covid na economia e vida das pessoas. A normalidade, contudo, não interessa a Bolsonaro e ao magote de malucos que o seguem em motociatas.

O objetivo é o caos constante e a ameaça da instalação de uma ditadura nos moldes de 1964, a Atlântida perdida dos sonhos e delírios do Bolsonarismo, com ordem e disciplina vinda de cima e imposta à força de cassetetes.

Não há limites nessa loucura. Agora mesmo, o presidente e seus comparsas do Centrão vão levar o projeto de voto impresso ao plenário da Câmara, mesmo após a derrota na fase de comissões.

Somado à briga com os tribunais, Bolsonaro mandou vir de Formosa - cidade goiana aqui do lado - um comboio de blindados para desfilar em frente ao Congresso Nacional e STF. Para não dar mais a dúvidas sobre qual é sua intenção, já anunciou que vai desfilar dentro de um desses carros - no que repete gesto do então ministro da Justiça Sérgio Moro, mas este era um bobalhão em dia de circo.  

Com Bolsonaro, o caso é mais grave - muito mais grave. A manobra militar em pleno coração da República é explicada com o argumento de que o comandante do comboio vai desembarcar de um blindado em frente ao Palácio do Planalto, onde faz a entrega de convite a Bolsonaro para presenciar uma certa Operação Formosa, um exercício estratégico da Marinha que acontece desde 1988 aqui no Centro-Oeste. 

Agosto é mês de desgostos na história do Brasil. O desfile de blindados é provocação no mais alto grau, na mesma semana em que a Câmara dos Depuados avalia o tal voto impresso. Corre, a boca miúda aqui em Brasília, que no entorno do candidato a ditador sobra quem incentive a ruptura institucional na simbólica data do Dia do Soldado, daqui a duas semanas. Por enquanto, o passeio de milicos na Praça dos Três Poderes soa como mero aviso.

A pátria que pariu o desgoverno Bolsonaro agora não sabe o que fazer com ele. Nem o impeachment - que não vai acontecer - resolveria, porque há o precedente Dilma Rousseff que, impichada, disputou o Senado por Minas Gerais dois anos depois. Para perder e nos envergonhar os que somos mineiros, mas disputou.

PRECIPÍCIO

A estratégia de colocar o país sob o risco constante de ruptura nem é nova. Bolsonaro usa a tática golpista desde a posse. A gravidade do momento é que, se ele quiser mesmo jogar fora das tais quatro linhas da Constituição, o momento se aproxima. Sua escalada de loucura e irresponsabilidade leva-o - cada vez mais - ao ponto do não retorno.

E aqui estamos nessa boca de um beco sem saída. A tibieza de muitos no Judiciário (que poderia ter tornado o agora presidente inelegível em 2018) e a venalidade de sempre no Legislativo (que se recusar a votar seu impeachment) vai levando o país para o crepúsculo que antecipa outra noite de ditadura. Vai acontecer? Não há como saber quando se tem um doido de pedra na Presidência da República e gente muito bem remunerada pronta para bancar seus delírios.

O que é possível depreender pelos sinais que não cessam é que Bolsonaro sonha mesmo em jogar fora das quatro linhas constitucionais. Bolsonaro samba alegremente na beira do precipício na doce ilusão de que o país apoia suas sandices.

O golpe, se e quando vier, tem tudo para ser um tiro no pé. O mundo não comporta mais esse tipo de quartelada. O caso é que antes de arrancá-lo da cadeira presidencial, vivo ou morto (Bolsonaro tem repetido que só deixa o cargo por intervenção divina), o país já terá pago uma fatura que não teria como bancar após o drama que vai já vai matando 600 mil brasileiros.

Bolsoaro, o inconsequente, adora brincar de jogos de guerra como forma de, mais uma vez, ameaçar o país e suas instituições. Estica a corda até mais não poder na expectativa de que o 'inimigo' peça arrego. De concreto, faz movimento para se isolar cada vez mais e tornar o tão sonhado golpe menos factível. Seu salto fora das quatro linhas pode ser do tipo sem rede.      

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