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BOLSONARO ABRE CAIXA DE PANDORA E MIRA NA ESPERANÇA

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Cada vez mais isolado, presidente tenta ‘abraço do povo’ em ato desesperado no Sete de Setembro

Homem revira container de lixo em Brasília na busca por comida: governo parece não ter planos para a miséria galopante 

Jair Bolsonaro sabe o que fez nos verões passados. Tem consciência de que cometeu - e comete continuamente - crimes contra o país.

Sabe ainda que seu governo é absoluto fracasso para todo lado que se olhe, ainda que os áulicos da picaretagem evangélica, agrotrogloditas, milicos e soldados rasos das forças estaduais compareçam em romaria à porta do seu Palácio para hipotecar juras em contrário.

Em claro ato falho, durante comício numa igreja evangélica em Goiânia, ele deu o tom do que ameaça o seu conturbado espírito:

"Tenho três alternativas para o meu futuro: estar preso, morto ou a vitória. Pode ter certeza que a primeira alternativa não existe. Estou fazendo a coisa certa e não devo nada a ninguém", afirmou.

Reduzir seu futuro ao status de quem está encurralado como o presidente fez na frase acima é uma temeridade só passível aos incautos ou ingênuos - o que não é o caso. Mas ele conseguiu expor a fragilidade em que se enxerga, convencido de que é vítima de uma tentativa de golpe - embora nada existe a corroborar esse fato.

O objetivo?: incitar o 'povo' a fazer uma revolução em seu favor, quem sabe já no feriado nacional.  

CRIMES A GRANEL

Encurralado, Bolsonaro ainda não está. Só se isola a olhos vistos dos políticos, do empresariado, e mesmo do povo que percebe sua ingerência na atual quadra de infortúnios que assola o país.

O que há, de fato, é sua convicção de que o Judiciário tem meios para barrar sua malograda passagem pela Presidência da República via da cassação eleitoral ou, noutra vertente,  pelos muitos crimes de responsabiliadde que seriam facilmente comprovados em seu desfavor, como os que têm sido evidenciados pela CPI da Corrupção.

Há, ainda, elementos críveis de crimes cometidos por dois dos seus três filhos na política. 

O levante que Bolsonaro anuncia para o feriado nacional do 7 de Setembro é a busca desse ‘abraço com as massas’, na tentativa de intimidar seus adversários - reais ou imaginários - sobre qualquer avanço sobre seu mandato ou de obstrução da sua reeleição.

Some-se a isso o medo real de que uma operação surpresa alcance o vereador Carlos Bolsonaro por conta do envolvimento no inquérito que investiga a prática se espalhar fake news para desestabilizar o equilíbrio entre os poderes da República.  

É o comportamento esquizofrênico do presidente que o leva a crer que a Polícia Federal vai bater na porta do Palácio do Alvorada ou na casa de um dos seus rebentos em qualquer manhã dessas, embora essa possibilidade não esteja em questão sob qualquer cenário de curto ou médio prazo.

ESCOLHAS RUINS

Por critério de justiça, é preciso dizer que ele pegou um país com as contas atrapalhadas e teve a infelicidade de ser obrigado a administrar a pandemia do coronavírus - evento bem superior aos seus parcos limites.

Sim, Bolsonaro é azarado e bronco. Mas nem é isso que explica seu malogro: há muita gente ruim por aí que tem pelo menos o insight de se cercar de pessoas competentes para realizar um bom governo.

Não é o caso de Bolsonaro. Ele fez péssimas escolhas e, entre elas, a história meio bobinha de que teria um Posto Ipiranga para mitigar seu analfabetismo na economia e quase tudo que fuja ao binômio esquerda X direita ou comunismo X cidadão de bem.

Esse é o mundo em preto e branco visto da perspectiva de Bolsonaro.

COME CAVIAR, ARROTA BACABA

Paulo Guedes, que chegou ao governo com prato de caviar, acabou arrotando bacaba. Prometeu zerar o déficit primário no 1º ano do mandato e arrecadar, via privatização, R$1 trilhão.

Nos seus devaneios, as reformas da Previdência, tributária e reforma administrativa seriam um passeio. Exceto pela reforma da Previdência, num golpe que o Congresso Nacional impôs ao trabalhador brasileiro.

Mas o mais grave da fracassada - e nisso irreversível - Presidência Bolsonaro está nessa espécie de Caixa de Pandora que sua ascensão ao cargo escancarou para libertar todas as mazelas que agora apavoram o povo brasileiro: a fome, a seca, o desemprego, a miséria galopante, a volta da inflação, a ameaça de apagão, o esgotamento fiscal, a pandemia do coronavírus.

No mito da Caixa de Pandora, junto com todo o mal que dela é liberto quando destampada, a esperança - a última que morre - viria como bônus. Com Bolsonaro, até mesmo ela, a esperança, se vê na alça de mira.

O país não vai bem, mas pode ficar pior a cada espirro autoritário do presidente - como é o caso desse atos programados para o feriado do Dia da Pátria.

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