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FREIO NO GALOPE AUTORITÁRIO?

Ligado .

Habituado com a impunidade nos muitos delitos que cometeu ao longo da carreira, Bolsonaro simula marcha-à-ré em pendores golpistas

 

Um desses rebentos do presidente Jair Bolsonaro, também ele sustentado pelo suor dos impostos pagos pelo povo brasileiro desde o berço, insinuou certa vez um dia que o golpe de Estado que o pai planeja contra a frágil democracia brasileira não era questão de se, mas para quando. Não era blefe do filhote aloprado e extremista, como ficou claro nesses idos de setembro. 

A tentativa, como se sabe, aconteceu nos tristes eventos a que o país assistiu, na condição de refém, no último 7 de Setembro. Frustrou-se a investida por erro de cálculo e planejamento ou mesmo pela carência da massa de manobra para um bote dessa magnitude, mas o fato é que se deu.

As forças armadas, Exército à frente, não toparam fazer parte da empreitada delirante e isso tirou os pés de Bolsonaro do pântano golpista em que se metera. A pantomina toda está suspensa, não enterrada. 

Tudo indica que novamente se dará, porque como disse o insano que desgoverna o país há quase três anos, o recuo foi estratégico. Jogo de cena estragégico para acalmar suas hostes e destinado a juntar forças e melhor oportunidade para enfim se concretizar.

Bolsonaro nunca escondeu que seu desejo mais íntimo sempre foi o de jogar o país nas trevas de autoritarismo e isolamento mundial. De se reconhecer que, até aqui, tem sido muito 'competente' nesse mister. O assustador é a falta de reação do país contra seus planos de jogar o país no atraso e na miséria.

E nesse ponto estamos. Colunistas de jornais e palpiteiros do Youtube se engalfinham em desatinos verbais com os prós e contras sobre a factualidade do ataque final do bolsonarismo à normalidade democrática, tão custosamente conquistada após a ditadura militar instalada em 1964.

Daqui até a eleição presidencial - provavelmente após o fechamento das urnas e o 'mito', enfim, desnudado em seu nanismo - pode ser que vejamos novamente as súcias do bolsonarismo em desembesto, prontas para fechar estradas e rumar na direção do STF, onde as togas esvoaçantes e sob apuros, novamente estarão de prontidão para jogar tudo para debaixo do tapete desta República - na enésima repetição do velho hábito de buscar o acordão, de se mexer rápido, mas para que tudo fique com dantes.

IMPUNIDADE É INCENTIVO 

Bolsonaro escapou - mais uma vez - da punição pelos seus muitos crimes. O que ele comandou no feriado da pátria foi tentativa de  golpe e atentado contra a democracia. Não há outro nome para chamar o evento em que ele era o condottieri de claro ataque ao STF e, na sequência, ao Congresso Nacional.

Somado aos muitos delitos que praticou desde que chegou ao Palácio do Planalto, já deveria ter sido punido com o impeachment, que, por muito menos, jogou, rampa abaixo, dois ex-presidentes desde a redemocratização.

O agora presidente, por sinal, sempre arruma um jeito de fugir às responsabilidades pelos seus crimes contra a Constituição e independência dos poderes. Foi assim na sua expulsão do Exército, após a revista Veja revelar que planejava uma série de explosões no Rio de Janeiro, inclusvie da adutora do Guandu.

O então capitão do Exército brigava por melhores salários para a soldadesca. Sob tal argumento, não temia matar milhares de pessoas afogadas em caso de estouro da represa.

A Justiça Militar lhe foi branda, mesmo com juízes tendo diante de si a prova inconteste de que era ele o mentor de plano terrorista. Depois, já no Congresso Nacional, eleito e reeleito para mandatos como deputado federal por muitas vezes deu motivo para ser cassado - uma delas ao fazer apologia à tortura na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff -, o que nunca aconteceu. 

Ainda durante a campanha presidencial, Bolsonaro perdia sono porque estava sub-judice em ação penal no STF, acusado de apologia ao estupro no caso em que envolveu a então deputada Maria do Rosário. Se os juízes tivessem feito o dever de casa, o traste ficaria inelegível. Mais uma vista grossa aos seus muitos crimes deu no que vemos.        

Por conta talvez do aprendizado que os impeachments de Collor e Dilma ofereceram, Bolsonaro segue firme no cargo e nada indica que vá cair, embora seu governo tenha aberto a maior sequência de sacrifícios para a população desde o Descobrimento: inflação em dois dígitos, desemprego, violência, morticínio via covid, ataque ao meio ambiente, seca e apagão, só para ficar num resumo breve.

Necessário dizer que qualquer governo teria dias ruins ao ser tragado por uma pandemia. Mas Bolsonaro cuidou de piorar - e muito - o que já lhe era infortúnio. E aqui estamos, sem perspectivas e sob a ameaça constante do seu desgoverno. O que realmente assombra Bolsonaro nas suas madrugadas insones é a perda da imunidade que as garantias do cargo conferem. Nisso estará seu foco para voltar a atentar contra a democracia. Vai conseguir? Pouco provável.

VÁLVULA DE ESCAPE

Mas ele se auto impõe agora a missão de conquistar as forças armadas para seu ataque derradeiro ao edifício das nossas liberdades democráticas. A massa de manobra para fazer o necessário barulho lhe segue fiel, nessa espécie de deep web em que se tornou os grupos extremistas do Whatsapp.

Não se iludam. A calmaria mal-ajambrada pelo ministro do STF Gilmar Mendes (desta vez sem vir à boca da cena) e pelo sempre histriônico ex-presidente Michel Temer é a véspera do novo arremesso de Bolsonaro contra as muralhas que garantem a existência dos três poderes. O resto, fica por conta do fracasso cada vez mais irremediável do seu trágico governo.

Fracasso esse que torna praticamente insuportável esperar pelo fim do atual mandato. Bolsonaro faz mal ao país, inclusive para os que ainda o sustentam no cargo. Qual a alternativa para nosso desalenado país? Quiçá novos préstimos de gente como Gilmar e Temer, povo excluído como de hábito, para se achar a via da renúncia à disputa do Sociopata pela reeleição, desde que o Judiciário lhe assevere novo salvo conduto para, mais uma vez, escapar do rosário de crimes que espalha por onde passa.    

Comentários  
0 # pé de cabra 24-09-2021 20:17
leiam "Memorias de uma guerra suja" sobre o pastor claudio guerra e tentem não chorar...
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