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POR QUE BOLSONARO NÃO CAI?

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Acordo com centrão garante permanência no cargo, mas donos do centrão são a verdadeira âncora do presidente

Em contraposição à convicção de que o país não terá rumo com Bolsonaro na Presidência caminha, para descrédito geral, a constatação de que não será possível apeá-lo do cargo, malgrado o rosário de crimes que já perpetrou e que ainda vai praticar até descer a rampa do Planalto.

Pelo senso comum, a tragédia bolsonarista não será estancada porque o presidente e seu entorno mandou às favas as promessas de campanha ao atrelar seu destino aos caciques do centrão.

Ao alugar o centrão por garantismo, Bolsonaro abriu mão de boa parcela do seu poder discricionário, aqueles limites legais que lhe concedem espaço administrativo.

Optou por entregar nacos majoritários do orçamento para agradar a base congressual que não deixa seu impeachment ir adiante na Câmara dos Deputados - Arthur Lira (PP), o presidente da Casa, ignora olimpicamente os mais de 130 pedidos de impeachment. Foram-se os anéis, mas preservam-se os dedos tortos de um governo disfuncional e danoso ao país.    

A pouca margem para os gastos do governo foram convertidos no bilionário orçamento secreto e em emendas do relator. Esses recursos são aplicados segundo as conveniências paroquiais dos deputados e senadores, com graves prejuízos ao urgente planejamento centralizado das muitas carências do país.

É também isso que mantém o presidente aloprado no cargo. Sim, o acordão de Bolsonaro com o centrão garante sua permanência no Palácio do Planalto, mas não seria motivo suficiente para seus muitos desmandos, em que se inclui desemprego e inflação fora de controle, além da fome de milhões e os 600 mil óbitos da covid.

BALANÇA, MAS NÃO CAI

O governo tem outros parceiros importantes entre os donos do dinheiro grosso no país. Essa gente não joga para perder e tem no ministro Paulo Guedes (Economia) seu despachante em Brasília.

Há aqui uma espécie de pacto não escrito que segura as pontas do presidente.

Fosse só aquele empresário do ramo varejista que se fantasia de periquito a ser a apólice bolsonarista, o governo já tinha virado pó.

Mas tem muito mais. Banqueiros, grandes industriais e o pessoal do agronegócio sustentam o presidente no cargo.

É a essa gente que os políticos respondem porque, no geral, são os patrocinadores e, de certa forma, os donos dos seus mandatos.

Advém daí a falta de vontade política para apear Bolsonaro do cargo, não obstante sua desaprovação e a cada vez mais evidente falta de rumos do seu governo.

Sem a adesão de quem realmente manda no país, Bolsonaro vai ficando. Juros altos e inflação castigam os mais pobres, mas não chega a tirar o sono de quem dolarizou de há muito seus investimentos e patrimônio.

Nem mesmo espasmos golpistas como se viu no 7 de Setembro abala os reais donos do poder. Quando e se quiserem, colocam freio nos desatinos de Bolsonaro.

Não aconteceu até aqui e nada indica que vai acontecer. Falta gente na rua, o que impede a ignição daquela faísca que faria o Congresso Nacinal tomar posição.

O por que falta gente nas ruas? Há uma certa letargia na sociedade brasileira, em boa medida por conta da pandemia do coronavírus. Mas não é só o medo de ir às ruas - o povo nunca ficou isolado. Faltam os protestos que pressionariam o próprio governo a mudar seus rumos. Por exemplo, os panelaços ou buzinaços comuns no início da pandemia praticamente desapareceram. Enfim, a tal letargia. 

Bolsonaro, no tempo certo, será descartado pelos grandes interesses que dominam o país. Quando a senha chegar, o centrão pula fora. Ao bolsonarismo restará a frustração de não ter sido o que dele se acreditou.

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