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O SALTO ALTO DO PT

Ligado .

Em política, euforia antecipada e clima do já ganhou em razão da liderança nas pesquisas são sempre péssimos aliados

Eleições, como se sabe, só terminam quando acabam. Ninguém apostava um dólar furado em Jair Bolsonaro nesta mesma altura em 2017, quando faltava um ano para as eleições do ano seguinte. Nem o próprio Bolsonaro, mas deu no que vimos.

O mesmo vale para os casos de Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde Romeu Zema foi o novo que implodiu PT e PSDB nas eleições daquele mesmo inacreditável 2018, e o defenestrado Wilson Witzel deram zebra. 

Com vantagem folgada em todas as pesquisas, Lula conhece a máxima e se protege: fala pouco, evita exposição pública e não dá as caras nas passeatas que pedem o impeachment do presidente-desastre, como aquela que aconteceu no último fim de semana. Estratégia de quem já passou por muitas eleições e perdeu algumas.

Mas nem todo petista pensa igual. Corre por aí um certo clima de já ganhou entre a militância, o tal sapato alto, tipo de entusiasmo fora de hora e lugar.

Os crentes do lulo-petismo já gozam das delícias do poder, apeados que foram antes da hora pela tragédia do governo Dilma Rousseff. 

Sim, Lula é o favorito em todas as pesquisas e está no jogo depois que a Justiça mandou recomeçar ou arquivou os muitos processos a que respondia, mas não se ganha eleição de véspera. 

ANTI-TUDO

Se a tragédia do governo Bolsonaro remete parcela do eleitorado aos dias melhores vividos quando Lula presidiu o país (2003/2010), não se pode esquecer que o anti-petismo será elemento de peso na jornada sucessória que o país inicia. Só perde para o anti-bolsonarismo, por motivos óbvios.

O ainda presidente mentiu, traiu e enganou muita gente, especialmente o eleitor que entrou na sua canoa com base na crença de que se instalaria no país o reinado da nova política - ou até mesmo a anti-política, com sua negação pura e simples.

Como a terra do nunca da negação da política não existe, Bolsonaro retornou para o abraço do que pior existe na política brasileira, gente que outro dia mesmo trocava de endereço toda noite para não ser surpreendida por uma operação da Polícia Federal.

DEMANDA

Tudo sinaliza para um embate entre Lula e Bolsonaro nas eleições de 2022, com vantagens de sobra para o primeiro contendor. Mas o otimismo do lulo-petismo precisa levar em conta a demanda do eleitor por novidades e mudanças.

Lula é o velho de novo. Bolsonaro é o que se deve rejeitar por todos os meios (embora ainda tenha um público alienado e fiel). São experiências já vividas, que suscitam no eleitor, ambas, o desejo de anulá-las.

Há o anti-petismo e há a onda avassaladora do anti-bolsonarismo para embolar o jogo da sucessão do ano que vem. Bolsonaro se agarra ao nicho radical de extrema direita que pode ou não levá-lo ao segundo turno ano que vem. 

FIM DA UTOPIA

Lula era imbatível, até cometer o erro crucial de apoiar a segunda eleição de Dilma Rousseff em 2014 e ser tragado pelo tsunami da Lava Jato.

É candidato forte, mas só se viabiliza na medida em que ao seu eleitorado se some a imperiosa necessidade de vetar um segundo mandato para Bolsonaro. Até mesmo antigos eleitores do petismo enfrentam o sentimento de ser Lula para evitar Bolsonaro.  

Não há eleição tranquila nem espaço para o salto alto do PT. Novamente em campanha, Lula terá que explicar porque o partido se desvirtuou do caminho que um dia representou a utopia de muita gente.

O PT foge o máximo que pode desse debate, mas em campanha essas cobranças reaparecem. São velhos erros, cujas explicações não convencem muita gente. Os antagonismos contra Lula e Bolsonaro dão espaço para que o inusitado ainda apareça, mesmo com a ruindade da matéria-prima que se oferece como terceira via.

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