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BOLSONARO DESCARRILOU O BRASIL

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Por incompetência, negacionismo e reacionarismo fora de lugar, bolsonarismo conduz país a beco sem saída

Não se tinha um país das maravilhas quando Jair Bolsonaro acidentalmente chegou à Presidência da República. Longe disso. Boa parte de nossas mazelas estão dadas desde de muito. O que ele fez foi piorar ao paroxismo o que não estava bonito. E o fez com a competência dos insanos. 

Potencializou a pandemia que já era grave e estraçalhou os fundamentos da economia sob o argumento de que a defendia, quando tudo que praticou - e pratica - é o mais puro negacionismo e a teimosia dos irresponsáveis. Veja o caso da crise de energia, que Bolsonaro e seu governo negou a gravidade até ficar patente que não sabiam com o que estavam lidando ou, pior, mentiam simplesmente. 

O país chega agora a 600 mil mortos pela pandemia do coronavírus com inflação anualizada na casa dos dois dígitos e o dólar nas alturas. O clima de guerra ideológica permanente com que Bolsonaro conduz o país gera instabilidade e coloca lenha na fogueira de uma crise que só piora - sem acenos de dias melhores.   

O Brasil que se pretendia consertar a toque de marreta, com os muitos arrotos de arrogância e arremedos de falsa competência do ministro Paulo Guedes (Economia), saiu do trilhos. E não sabe quando a eles voltará. 

Outra promessa alardeada por Bolsonaro era a de acabar com a corrupção do lulo-petismo. Sua chegada ao poder coincidiu com os dias áureos da operação Lava-Jato e do reinado popular daquele juiz que rasgou a Constituição em nome de um projeto de poder, que agora assiste dar com os burros n'água.

Livre para agir muito além do limite legal, Sérgio Moro e sua caterva prenderam e arrebentaram. Quebraram empresas e jogaram o país no caos pior do que ele já se encontrava  - tudo em nome de uma limpeza ética que veio, nada produziu de concreto e foi embora sem deixar legado.

No limite, tiraram de cena o candidato preferido do eleitor nas eleições de 2018, no que pavimentou a estrada para Bolsonaro e a gente doida que trouxe aqui para Brasília, imbuídos de produzir o pior governo de todos os tempos.

O PECADO DE LULA 

Minha tese desde muito é a de que Lula errou - talvez seu maior equívoco na carreira - quando bancou a reeleição de Dilma Rousseff, a quem escolhera como sucessora na Presidência.

A ‘Mãe do PAC’ caiu nas graças do petista-mor e então mandachuva da Nação pela suposta habilidade que tinha em manusear um laptop e trazer números e dados às conversas.

O resto é conhecido. Dilma fez perder o bonde da boa fase que o país vivia desde a estabilização da moeda no governo FHC e os avanços sociais do duplo mandato lulista no Palácio do Planalto.

CHOCADEIRA 

Dilma foi vítima dessa mesma turma que agora coloca Bolsonaro no cabestro. Mas é preciso o registro de que seu histórico de guerrilheira atiçou os quartéis e a extrema direita, que não concordava com a pauta identitária que os governos petistas adotaram.

Em certa medida, os desgovernos Dilma foram a chocadeira do bolsonarismo. E Lula tem o mérito quase solitário de mentor da ascensão da primeira mulher presidente do país. 

Mas muita gente se esquece de uma coisa: essa primeira mulher era uma extremista de esquerda. Antes da extrema direita representada por Bolsonaro, o país viveu sua experiência oposta. Deu no que sabemos. 

TROPEÇOS

Com os tropeços da ‘presidenta’ na economia, veio a oportunidade para seu 'impichamento' - injusto sem dúvidas, mas não ilegal nem evitável para alguém com um mínimo de capacidade para atuar na seara da política.

A onda do (falso) moralismo e da bandeira anticorrupção irrompera no país nos eventos daquele junho de 2013, com os quebra-quebras nas ruas sob o argumento-faísca do reajuste de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo.

O governo federal demorou a perceber a onda de insatisfação - potencializada pelo fracasso do país na Copa do Mundo de 2014, e foi por ela arrastado. 

FERMENTO

Dilma foi deposta sob os discursos de que o país encontrara, enfim, seu rumo. Michel Temer deu início ao desmonte dos direitos sociais, envolvido também ele em rumoroso escândalo, enquanto Jair Bolsonaro fermentava o ódio que jogaria o país em extremo oposto à ex-guerrilheira, ao juntar milicos saudosos da ditadura, religiosos de seita e o liberalismo-mamata que sempre vicejou no Brasil.

Os dias felizes na terra onde jorraria leite e mel não se confirmaram. Bolsonaro leva adiante o pior e mais disfuncional governo da História.

Sim, por dever de consciênca e fidelidade aos fatos, é preciso dizer que qualquer governo teria dificuldades em lidar com a pandemia e os desarranjos que ela criou, mas o bolsonarismo oficial só conseguiu potencialar a crise e dá provas repetidas de não consegue discernir entre sucesso de fracasso. 

Os muitos erros de Bolsonaro anulam as conquistas do Plano Real com a volta da inflação agalopada e joga na miséria absoluta milhões de famílias que, sim, puderam melhorar de vida nos primeiros ano do século. 

A tese bolsonarista de que o país entrou em nova jornada ética com a família presidencial é tola e mera teimosia ante o óbvio: entramos em preocupante marcha-à-ré nos governos ditos liberais de Temer e Bolsonaro. 

HOSPEDEIROS 

A centralidade dos partidos do centrão no destino dos dinheiros públicos vai desenhando um período de corrupção nunca vista por aqui - com a providência adicional do desmonte pelo Congresso Nacional de todos os mecanismos legais de punição, neste caso, com o beneplácito do PT, diga-se de passagem. Vide as últimas votações que mudam a Lei de Improbidade e desfiguram o mandato constitucional do Ministério Público.  

Não seria com a família Bolsonaro, essa turma que parasita os erários há décadas com seus cargos legislativos e as muitas suspeitas que acumulam, que o Brasil seria exemplo de ética e moralidade na política. Quem comprou essa bobagem, levou gato por lebre.

Parcela não desprezível da população ainda cai nesse conto do vigário (ou de vigaristas, para melhor sintonia). Quem não tem colírio prefere óculos escuros, daqueles que obstruem a visão, como diria Raul Seixas.

Bolsonaro nunca trabalhou a sério na vida e nada entende de executar, embora se gabe de ser o 'chefe do executivo'. Sua especialidade sempre foi ser sindicalista de milico e polícia, além de pregar o caos e fazer apologia da violência.   

ILUSÕES PERDIDAS

Friedrich Nietzsche (1844/1900), filósofo alemão, já alertava que “por vezes, as pessoas não querem ouvir a verdade, porque não desejam que as suas ilusões sejam destruídas”.

É por aí. Ainda vai demorar um tempo, talvez muito tempo, para que a ficha caia e o que resta do bolsonarismo praticante (e oportunista) perceba que seus ídolos têm pés de barro.

O que restou dos ‘camisas amarelas’ dos atos pró-impeachment, paisagem na posterior campanha presidencial de 2018 e mais recentemente no movimento golpista do 7 de Setembro, está por aí à deriva e, cada vez mais, sem discurso.

O ‘mito’ não tem como cumprir - e jamais cumprirá - a promessa de levar a massa insatisfeita com os governos petistas rumo à Atlântida perdida, aos dias da bonança que julgavam existir no dias da ditadura militar. 

Esses reincidentes na crença bolsonarista são atores - e vítimas -, junto com o país, de um grande engodo. O governo Bolsonaro tirou de vez o Brasil dos trilhos. Vai durar um tempo para achar o caminho de volta ao país com chances de futuro mais promissor. Especialmente porque há carência real de quem possa levar essa tarefa adiante no mercado da política. 

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