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PRAZO DE VALIDADE

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Disposição do governo em mandar às favas teto de gastos sinaliza porta de saída para Paulo Guedes

O ministro Paulo Guedes (Economia) tornou-se mero sobrevivente no governo Jair Bolsonaro. Após forte adesão ao bolsonarismo mais mesquinho, o dado novo é que agora o ministro perde fôlego - na verdade, deu o que tinha que dar e eventualmente vai precisar ser removido em nome do projeto reeleitoral do chefe.

Guedes foi, paulatinamente, escanteado para as franjas do bolsonarismo, em movimento simbólico por ser o descarte extraoficial do outrora temido mercado pelo liberalismo de fancaria do governo Bolsonaro. 

O ministro, como escrevi aqui há mais de ano, sempre foi um 'ficante' no governo mais disfuncional da história. Todo 'ficante' só fica até cair e Bolsonaro parece disposto a romper qualquer escrúpulo de que seu desgoverno um dia tivesse em relação à sanidade das contas públicas do país.

A decisão de elevar para R$ 400 o Bolsa Família até passar a eleição pode representar o limite da permanência do ministro Guedes no cargo. Será o fim melancólico do tal teto dos gastos, instrumento legal com o qual o governo fingia não ser o que é: o síndico despreparado de um país quebrado e sem rumo.

SEM CHOQUE

Guedes prometia legar ao país um choque de liberalismo e recebe como prêmio a indicação de a porta de saída é a serventia da casa. Deixa como rastro melancólico da sua tentativa o mais do mesmo da quebradeira nacional e da absoluta falta de rumos na seara fiscal do país. 

Bolsonaro e o centrão estão combinados para quebrar o país em nome de uma reeleição que é, sob todos os aspectos, uma miragem pelas condições atuais. A rejeição do presidente-candidato não alimenta sonhos, nem mesmo se turbinados por um novo auxílio emergencial para o qual não há fundos disponíveis.

O presidente nem se dá mais ao trabalho de reafirmar que o ministro está firme no cargo. O Posto Ipiranga agora é o pastor Silas Malafaia, nada mais justo para um governo disposto a crer mais em milagres do que no árduo trabalho de colocar ordem na casa.

Bolsonaro e o centrão, sócios no caos, vão vão quebrar o país e, no limite, matarão a galinha dos ovos de ouro. De quebra, podem estar contratando uma crise sem precedentes para quando 2023 chegar - se possível com o país sob nova direção. Se ainda houver direção possível. 

ALICE

Depois do rombo no teto dos gastos, o ministro Guedes é mero fantasma do que nunca foi. Foi-se a quimera de ainda tinha algum peso no governo. Sem apoios no governo, onde o centrão atua celeremente por sua demissão e órfão do apoio que ainda pudesse vir dos seus pares banqueiros, agora menos otimistas com sua baixa performance.   

Cada vez mais desacreditado até pela sua patota do mercado financeiro, o ministro repete ad nauseam a balela de uma recuperação em 'V', de uma economia que explode em vigor apenas no seu mundo de fantasia.

Guedes já não é útil ao bolsonarismo. Desde que o centrão tomou de assalto a gestão dos orçamentos, o minstro não passa de acessório, de empecilho ao interesse maior do baixo clero em garantir a própria permanência no parlamento e a reeleição do  cúmplice presidencial.

Os grandes interesses do país que garantiam até aqui a presença do ministro Guedes, inclusive parcela da mídia, chegam agora à encruzilhada mais custosa, a que causa danos também aos que sempre lucram nas tempestades e bonanças. O país já não conta sequer com ventos favoráveis vindos do mundo, especialmente da China, e se redescobre um Titanic rumo ao muro de gelo.

BANCO RESERVA

Não passa uma semana sem que o governo sopre nomes no colunismo de jornal para ocupar o lugar do defenestrado Guedes. O último deles é o do ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida, que deixou o governo já nos primeiros sinais anti-liberais emitidos por Bolsonaro.

São também cotados para o cargo o presidente Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Se Guedes vai cair ou não, é questão em aberto, porque ele demonstra inusitado apego ao cargo do qual tem pouco domínio.

Se cair, como tudo está a indicar, dará lugar a nome que comunga na sacristia do centrão. Por si mesmo, Guedes não cai, perdeu todos os anéis, mas conserva o argumento do 'ruim comigo, pior sem mim'. É um ficante que fica para administrar o caos por ele mesmo criado. O que restou. Vida que segue. 

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