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NEGACIONISTAS DA POLÍTICA

Ligado .

Dilma, Moro e Dória têm em comum o desprezo pelo jogo de paciência na política

Bonecos de Sérgio Moro em atos anti-corrupção em Brasília: vaidades em excesso lebou ex-juiz a ser tragado pelo sistema que dizia combater

O fracasso da nova política era mais ou menos previsível. De pouco adiantou para a melhoria da ambiência do país o número inédito de parlamentares eleitos sob o signo da anti-política nas últimas eleições. 

O Congresso Nacional tem uma de suas piores legislaturas, após ser capturado pelas raposas do centrão - sob o olhar inerte da representação do MBL, religiosos e bancada militar, os autodenominados baluartes da étioca e da moral na vida pública.

O Parlamento não é agora mais ético do que antes, tudo indica ser o contrário. Pede-se mais política e menos personalismos, daqueles que inviabilizam o debate.

Mesmo nos seus piores dias, prestes a ser condenado e preso, o ex-presidente Lula alertava para os riscos de se negar a política tradicional em nome de aventuras. Deu no que se vê.

VAIDADES - Sintomático notar que, três dos protagonistas da política com bastante influência na última década, tiveram suas carreiras chamuscadas justamente por terem dificuldades de diálogo com seus interlocutores na política - em especial a partidária. 

O caso mais notório é Dilma Rousseff, derrubada da Presidência pela evidente dificuldade em fazer acordos e concertação. Vaidade e teimosia levaram Dilma ao cadafalso. 

Ela só aceitou chamar Lula para tentar salvar seu mandato quando já era demasiado tarde. Fora do Planalto, sofreu um duro revés ao ser preterida pelos mineiros quando buscava uma cadeira no Senado (terminou em quarto lugar naquela disputa). 

HUMILHAÇÃO - Foram também a vaidade e o autoengano que levaram o ex-juiz Sérgio Moro à sucessão inacreditável de humilhação pública para quem, até outro dia, era representado em manifestações da direita com bonecos de super-homem - o herói do povo brasileiro. 

NA MOENDA

Prepotente e autonomeado o dono da verdade, Moro foi moído pelos craques da velha política. Ficou sem clima no Podemos após exigir do senador Alvaro Dias que desistisse do projeto de reeleição e o indicasse ao Senado pelo Paraná. 

Tomou um não e deixou o Podemos rumo ao União Brasil. No novo ninho, foi avisado de que não haveria lugar na janelinha da disputa presidencial. 

No máximo, uma legenda para disputar uma vaga a deputado federal por São Paulo. Moro mal chegou a conhecer a vida e já anuncia a hora da partida, como diria Cartola em ‘O mundo é um moinho’. 

O ex-juiz já vai tarde. Leva consigo o desprezo pela política, onde só enxergava corrupção e perversidade. 

LEALDADE - João Doria ingressou no PSDB com a promessa de levar para o setor público o jeito Lide (Grupo de Líderes Empresariais) um jeito novo de conduzir a coisa pública. Um jeito de negar a política tradicional com a roupagem liberal. 

O ex-governador de São Paulo era adepto da maximização de resultados, na tentativa de encurtar seu caminho para a Presidência da República, mas, curiosamente, só conseguiu tornar seu sonho de consumo cada vez mais distante.

Quebrou uma regra de ouro da política, a lealdade, ao trair o companheiro de partido e candidato à Presidência em 2018, Geraldo Alckmin, para abraçar o bolsonarismo. Faltou lealdade ao eleitor ao abandonar por duas vezes os cargos para os quais foi eleito, na Prefeitura de São Paulo, e, agora, de saída do governo estadual.       

ANÉIS - Dilma, Moro e Doria são três exemplos personalistas na política (concedo ao ex-juiz o status de político, mas é pouco adequado).

Dilma foi para o rodapé da História, locus em que, em breve e muito provavelmente, a ela se juntarão Doria e Moro após as patacadas da semana passada - quando desistiram, no mesmo dia, do projeto presidencial para, horas depois, desistirem de desistir. 

Soma-se à dificuldade de se entenderem com o político profissional certa dificuldade de se enturmar com o povo. Nesse perfil se encaixam melhor Lula e até mesmo o inepto Jair Bolsonaro, que, não por acaso, seguem ativos na cena política nacional, como pólos antagonistas.  

Bolsonaro chegou lá também demonizando a política e com discurso anti-corrupção. Não era nem uma coisa nem outra. Alertado pelo exemplo recente da queda de Dilma, apressou-se em compor com o centrão - a quem entregou os anéis para preservar os dedos. Sobrevive, para infelicidade geral da Nação.         

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