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FOGO NA LONA DO CIRCO

Ligado .

Temores e horrores de Bolsonaro ante à certeza de que não conseguirá ser eleito em jogo limpo

Na maçaroca angustiada e angustiante que revela ser a cabeça de Jair Bolsonaro está patente uma verdade de há muito infiltrada pelos poros do cocuruto presidencial: ele reconhece não ter condição moral nem legitimidade para vencer as eleições deste 2022 pela via do voto e regras estabelecidas para o jogo. 

Venceria, talvez, se algo de muito extraordinário sobreviesse, entre eles a impossibilidade do seu principal adversário em disputar o pleito que se aproxima.

Lamenta, talvez, não ter mais a seu dispor a pusilanimidade interesseira de um Sérgio Moro, para lhe prestar o novo serviço sujo de retirar do páreo o favorito das eleições, como obraram na temporada de 2018.

Por isso, Jair busca o tumulto e o caos - na esperança que a militância bucha de canhão vá para o enfrentamento e sacrifício e 'exigir' dele que fique no cargo para além do tempo regulamentar, mesmo na condição de derrotado. 

Está aí, na admissão íntima da derrota antecipada, a motivação para a vergonha que Bolsonaro impôs aos brasileiros no episódio em que o celerado reuniu algumas dúzias de embaixadores sediados em Brasília para açoitar com mentiras e alucinações o sistema eleitoral do país que governa. Uma patuscada que nos tornou motivo de riso mundo afora. 

MINUTO ETERNO

Espetáculo ainda mais grotesco em seu grand finale, quando a besta que nos governa, esperou, pela eternidade de mais de minuto, por aplausos que não vieram por parte da plateia emissária de governos de todo o mundo junto ao nosso país.

Convencido de que será derrotado em eleições limpas e de urnas eletrônicas acima de qualquer suspeita, o presidente anseia pelo caos.

Não há dia em que, olhar aturdido e com os característicos sinais de demência, Bolsonaro não dispare a seus desembestados seguidores desesperados sinais de que precisa ser salvo, que lhe deem um motivo para radicalizar e destruir de vez o que restou das nossas instituições e bases democráticas.

FOGO EM ROMA

Bolsonaro tem horror a freios desde seus tempos de Exército, de onde saiu expulso por incompatibilidade com a disciplina da vida militar. A justiça dos milicos lhe foi branda, segundo consta, para evitar dores de cabeça com a baixa oficialidade.

O ex-capitão não gosta de ser contrariado, muito menos derrotado. A iminência de um fracasso nas eleições de outubro lhe tira o sono e atiça os velhos impulsos terroristas - com os quais o Exército lidou durante sua passagem pela caserna.

Bolsonaro quer atiçar fogo ao país tal qual um Nero redivivo. Age agora com o mesmo grau de ousadia - e covardia - com que um dia planejou explodir a Adutora do Guandu, que mataria sabe-se lá quantos brasileiros. A revista Veja denunciou os indícios desse quase ato terrorista numa edição de outubro de 1987.

PESADELO

Para desespero do staff da sua campanha, o presidente não parece muito interessado no pleito. Desdenha até mesmo de pontos positivos que poderiam melhorar sua performance nas pesquisas de intenção de voto - caso da redução do preço da gasolina e do gás de cozinha, além do aumento já aprovado para o outro bolsa família.

Jair Prefere demonizar o Judiciário e atacar as urnas eletrônicas diariamente, para sua má sorte uma das poucas coisas que ainda funcionam no Brasil oficial.

Ante a certeza prévia da derrota (que nem é favas contadas, porque eleição só termina quando acaba), o Nero brasileiro insinua com o patrocínio de nova escalada de insensatez, já a partir de agosto, ali pelo Dia do Soldado.

DIA SETE

O ápice dessa nova investida contra a democracia pode se dar no 7 de Setembro - simbólico, desta vez, pela coincidiência com as comemorações do bicentenário da proclamação da República. Data especial que, aliás, o desgoverno Bolsonaro não saberá comemorar à altura de sua importância histórica.

Os 200 anos da República seria o ápice de um presidente que almejasse ser reconhecido pelo seu povo com resultados de governo. Não é o caso de Bolsonaro, que só age e se move para evitar o dia em que, finalmente, terá que pagar pelo imenso prontuário de crimes que cometeu ao longo da vida.

Esse é seu moto-contínuo desde que entrou para a vida pública. Esquivar-se nas brechas do frouxo sistema judiciário brasileiro dos muitos crimes que praticou ao longo da vida, adicionados a posteriori ao caráter de quadrilha quando empurrou para a vida pública sua prole destemperada e ávida por benesses e dinheiros públicos.

O resto, é conhecido, mas a punição nunca chega. E aqui está nosso dilema: se ainda quiser ser reconhecido como país e não como cloaca de marginais, o Brasil precisa colocar Bolsonaro no lugar há muito merecido pelo conjunto de crimes que espalha por onde passa. 

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