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NOTÍCIAS DE UMA 'GUERRA' SEM SENTIDO

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Rivalidade política em Manga transforma tribunais em ‘arena’ e ameaça paralisar administração
###Oposição aposta que Anastácio chega ao final do primeiro ano de mandato com mais processos judiciais do que obras

Imagem da fachada da Prefeitura de Manga: rivalidade politica tira foco da administração para o que realmente interessa

A população do município de Manga, no extremo norte-mineiro, assiste estarrecida aos últimos acontecimentos. A eterna queda de braço entre os dois caciques políticos locais, a saber, o deputado estadual Paulo Guedes (PT) e o ex-prefeito Quinquinha Oliveira (PTdoB), ameaça jogar o município numa encruzilhada de sucessivos factóides que paralisam a ação administrativa.

O clima é inamistoso de lado a lado e a Justiça vai se transformando em verdadeira ‘rinha’ em que deságua o enfrentamento dos grupos políticos rivais. A oposição anuncia, nos bastidores, que a iniciativa do vereador Evilásio Amaro (PPS), aliado do ex-prefeito Quinquinha, em denunciar ao Ministério Público Regional alguns atos administrativos do atual prefeito e irmão do deputado Paulo, Anastácio Guedes (PT), vai render nada mais, nada menos que 17 processos judiciais contra a atual gestão.

A ser verdade (por enquanto já foram ajuizadas cinco dessas ações, com denúncias de nepotismo, contratação de servidores fantasmas e pagamento indevido de gratificações), o prefeito Anastácio pode chegar ao final do seu primeiro ano de mandato com um triste saldo: terá mais processos judiciais a responder do que obras em andamento. Elas, as obras, por enquanto são apenas duas: a construção da escola técnica federal e a obra do esgotamento sanitário da cidade. Ambas já contratadas quando ele assumiu o mandato.

Terremoto político

As denúncias de Evilásio abalaram o governo petista em Manga. Não há notícia de que o Ministério Público tenha ‘visitado’ outra prefeitura da região em duas ocasiões ao longo de um mês para pedir explicações e documentos. Evilásio virou persona non grata para os petistas manguenses e há informações de que sua vida pregressa teria sido revirada nos últimos meses.

O foco é a passagem do agora vereador pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião de Manga (Cismma), onde ele foi secretário-executivo, durante parte do período em que a presidência do órgão foi ocupada pelo ex-prefeito Quinquinha Oliveira, entre os anos de 2009 e 2012.

O Cismma é presidido atualmente pelo prefeito Anastácio Guedes, que, ao que tudo indica, autorizou uma devassa nas contas da passagem de Evilásio pelo Consórcio. A sanha dos petistas em torno de do vereador é grande. Até o gosto antigo de Evilásio por brigas de galos teria sido objeto de investigação e a devassa já motivou a primeira de uma série de ações contra o vereador (veja aqui ou volta à página inicial).

O rescaldo da disputa eleitoral do ano passado prossegue, portanto, agora em nova arena, ou ‘rinha’, se o leitor preferir por mais adequado ao caso em tela: as instâncias 1 e 2 dos tribunais. É uma verdadeira guerra de liminares, na tentativa de fazer o maior estrago possível na seara adversária.

Para além dessa guerra particular, surgem a cada dia preocupantes indícios de que a administração de Anastácio conduz o município, como se fora um desgovernado Titanic, para uma iminente trombada fiscal. Traduzo: há mais despesas autorizadas do que dinheiro paga pagá-las. Virou rotina: não passa um dia sem que venha à luz do sol a insatisfação de credores do município com atrasos em compromissos assumidos pela administração.

O último petardo veio de alguém bem insuspeito, o presidente da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, padre Gilberto Pereira de Souza. A Fundação é mantenedora do único hospital da cidade e o padre, um aliado de primeira hora da atual administração, botou a boca no trombone para reclamar de atrasos nos repasses do município para o hospital. O aporte especial de R$ 170 mil prometido por Anastácio, e que seria honrado com a parcela extra do Fundo de Participação dos Municípios que o governo federal destinou aos municípios,  não foi cumprido e a falta de pagamento já compromete o atendimento à população. De concreto, o fato de que não haverá vencedoras nessa contenda toda. O município e seu povo é quem têm mais a perder.

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