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OPINIÃO: SOMOS TODOS AMBIENTALISTAS

(*) Por Heitor Scalambrini Costa

Persiste entre formadores de opinião, o uso pejorativo do termo “ambientalista”, visando depreciar os cidadãos que lutam pela causa ambiental, além de tentar esconder outras intenções, menos ingênuas, como fazer o jogo dos poderosos, dos poluidores, que têm seus interesses contrariados pela persistência daqueles que defendem a preservação do meio ambiente e das condições de vida no planeta.

Os últimos relatórios dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram inquestionavelmente que a ação humana é a principal causa da elevação da temperatura média da Terra, ou aquecimento global. Mesmo assim, interesses poderosos das industrias de combustíveis fósseis e nucleares, da agroindústria, dentre outros, continuam a negar este fato, financiando campanhas que atacam aqueles que propõem mudanças no atual estilo de vida perdulário, no consumo e na produção de matérias primas e energia.

O crescimento sempre foi um objetivo da política econômica. Acreditava-se que o aumento da renda de um país fosse suficiente para proporcionar uma vida melhor a seus habitantes. Portanto, a partir de uma análise simplificada, geralmente utilizando o Produto Interno Bruto (PIB) como indicador base, bastava o anúncio de seu aumento, para que se aceitasse que os indicadores de bem estar o estavam acompanhando. Isto de fato não acontece.

Já há alguns anos, verificam-se os danos causados pela atividade econômica sobre o planeta. Em nome do crescimento a qualquer preço, tudo é permitido, inclusive a destruição do meio ambiente. São incontestes as evidencias de que não é mais possível crescer e enriquecer para melhorar a qualidade de vida da maioria da população. Ou seja, manter os padrões atuais de produção e consumo esbarra nos limites físicos do nosso planeta.

Estamos recebendo sinais de reação da Terra...

A COPA E O NÍVEL DO COPO

A volta ao mundo real após a breve incursão no Planeta Bola

 

As probabilidades de que aconteça o apocalipse tão desejado pelas oposições ao governo federal durante a Copa do Mundo, agora tão próxima, são poucas. Para não dizer nulas. Não é por aí que essa banda vai tocar, pois o futebol tem mesmo o poder de deixar a pátria de chuteiras, em seu nirvana mui particular em que todo o resto perde importância temporariamente.

O povo não vai para as ruas de novo porque, de resto, a estupidez dos chamados black blocks reduziu quase a pó a ocorrência de grandes mobilizações no entorno do entorno dos estádios de futebol – agora transformados em diversos enclaves da Fifa dentro do território nacional. Ouviremos algum muxoxo de insatisfação se o Brasil perder a chance de ouro de chegar ao tal hexacampeonato, mas nada que tenha octanagem para mudar os rumos da sucessão presidencial.

Não é por aí que a banda vai embalar os sonhos eleitorais do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB). O buraco, com o perdão do recurso ao mau gosto, é mais embaixo. Como era previsto, os gastos bilionários com recursos públicos são irreversíveis – a despeito do governo federal ter prometido que não entraria dinheiro do povo na brincadeira.

Aliás, o povo brasileiro jamais pagou preço tão alto para ver o país mais uma vez dar vexame perante ao mundo na sua conhecida incapacidade de tocar o mais reles planejamento. A insuspeita Fifa diz que, nunca antes na história, o certame mundial teve fase preparatória tão complicada. Nem na África do Sul, em comparação mais óbvia, além de recente na memória de cálculo.

Mas eu dizia que o buraco é mais embaixo

UMA COPA NO MEIO DO CAMINHO

Pesquisas reservam más notícias para todos os candidatos, mas têm pouca relevância para sucessão

Dilma (E), em queda livre, ainda ganha de rivais no primeiro turno: mas isso tem pouca relevância no processo

As sucessivas rodadas de pesquisa eleitoral sobre a sucessão presidencial e as carradas de interpretações que suscitam devem, por ora, ser vistas com relevância relativa. Elas são a fotografia de momento e pouco peso têm a acrescentar nos números que vão efetivamente sair das urnas em outubro. Em especial, pelo fato não desprezível de que há a Copa do Mundo a separar o incerto agora com o momento definitivo da ida às urnas.

Por falar em pesquisas, na última delas, a presidente Dilma Rousseff recuou mais um pouco, para 37% das intenções de votos. Ainda assim com folga para levar a disputa já em primeiro turno. Para vencer uma eleição em primeiro turno, o candidato precisa somar votos válidos em maior número que o dos rivais. Pela última medição do Ibope, divulgada na semana passada, a soma de votos indicados para adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), ou noutra possibilidade, Aécio Neves e Marina Silva (PSB), além da arraia miúda dos sete candidatos figurantes dos pequenos partidos fica abaixo do total de votos creditados a Dilma, aqueles 37%, ainda que em queda livre.

Se as pesquisas reservam más notícias para a petista, elas não são menos alvissareiras para o tucano Aécio Neves, que segue empacado na margem de erro que oscila entre 14% e 16%. O tucano passou a ter maior protagonismo na arena da sucessão nas últimas semanas com críticas ácidas à principal adversária, por conta da crise que consome a Petrobras e os passos incertos na economia, além da exposição nos programas do horário eleitoral gratuito, mas nem assim reage para atingir o patamar de 20% nas intenções de voto - o piso aceitável para qualquer candidato que postular competitividade para sonhar com a vitória.

Situação não menos confortável é reservada para o outsider Eduardo Campos no atual instantâneo das pesquisas – ele recebeu 6% das indicações do último Ibope. O neto de Miguel Arraes não rompeu a barreira dos 10% de intenção de voto, quando o desejável para essa altura do campeonato seria algo em torno dos 15%. Campos conta com o empuxo da vice Marina Silva, quando a campanha efetivamente começar e o eleitor perceber a vinculação entre o seu nome e da ex-candidata verde – dona de respeitáveis 20% dos votos válidos na última eleição presidencial. Esperança de laboratório, porque não há garantias de que a transferência de voto vá acontecer em intensidade que o faça virar o jogo para cima do segundo colocado Aécio Neves.

O calendário eleitoral, como dizia no início, tem o recheio inusitado da Copa do Mundo entre junho e julho. Ainda que a torcida de más notícias para a presidente Dilma não se concretize durante o evento, há o fato concreto de que os políticos serão obrigados a ceder espaço, por período de quase dois meses, para as celebridades do mundo do futebol.

Passado o momento de ufanismo...

POR ANDARÁ ODORICO?

Com a tal crise hídrica em voga, veio à mente aquele curioso ‘menas águas’ das aulas de Irrigação


A ameaça de racionamento de água em São Paulo dá o que pensar. Ou, quando menos, traz para o dia a dia de todos os brasileiros a preocupação com o iminente risco de colapso no Sistema Cantareira, que vem a ser o maior centro de captação e tratamento de água dos paulistanos. Seca em São Paulo é mesmo algo inusitado, indicador insuspeito de que a tal crise hídrica, ou a popular falta d’água, já não é coisa do semiárido brasileiro, essa vasta porção de terra que vai do Norte de Minas para cima no mapa do Brasil.

Fato é que a chuva anda escassa, ou muito mal distribuída ao longo das estações, o que deixa grandes metrópoles sob o risco de desabastecimento. Temos agora ‘água de menas’, como diria o professor Odorico durante as aulas de Irrigação do curso de técnico em agropecuária oferecido pelo antigo Colégio Agrícola de Januária.

Sujeito simpático, magro e de bochechas secas, mui versado nos assuntos de irrigação e agronomia, Odorico escorregava feio no português com essa história de ‘menas água’. À época, os computadores ainda não tinham sido inventados, de modo que o competente professor enchia a lousas com complicadíssimos cálculos matemáticos para explicar aos futuros técnicos como levar mais ou ‘menas’ água com o uso de canos para irrigar as lavouras do sertão.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Setor elétrico: o sujo falando do mal lavado

'A receita para sair do “buraco negro” em que se meteu o setor elétrico brasileiro requer vontade política. Mas que lamentavelmente nem o atual governo tem, e nem os anteriores tiveram'

Por Heitor Scalambrini Costa (*)


Apesar de seu caráter essencial, o setor elétrico brasileiro não tem sido levado em conta com a relevância necessária para atender os interesses estratégicos da população. Ele tem tido um papel que o situa no jogo da disputa eleitoral. Ou seja, vivemos a partidarização energética, que ficou evidenciada desde o inicio doséculo XXI. E isso não tem contribuído para encontrar os caminhos da segurança energética, da modicidade tarifária, da qualidade dos serviços oferecidos, e ainda mais, a diminuição dos impactos sócio-ambientais na escolha das fontes energéticas.

O processo de reestruturação do setor elétrico, iniciado em 1995, com a “meia sola” do que ficou conhecido como o "Novo Modelo do Setor Elétrico" a partir da lei 10.848 de março de 2004, que instituiu as atuais bases do mercado de energia brasileiro, desestruturou por completo o sistema existente, principalmente com a introdução de um modelo mercantil. A partir de então a energia elétrica é tratada e sujeita as leis de mercado. Não muito diferente de um pacote de bolacha comprado no mercadinho da esquina.

O que poderia parecer uma vantagem comparativa devido a ¾ da energia elétrica produzida no país ser gerada nas hidroelétricas (o restante com as termoelétricas, mais caras), acabou se tornando um grande motivo de preocupação. Em particular, devido às mudanças climáticas e seus efeitos decorrentes, que cada dia mais tem assola o planeta Terra. Por exemplo, o calor extremo no Sudeste e a seca no Nordeste brasileiro. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima prevêem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para frente.

Virou moda, ainda mais em ano eleitoral,