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PODEMOS? MELHOR NÃO

Se a opção à mesa para contrapor a polarização Lula X Bolsonaro for o indigesto Moro, melhor não arriscar

A semana que passou trouxe de volta à boca da cena uma figura controversa e soturna - para dizer o menos - da vida brasileira. Falo da filiação do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro ao Podemos. Com Moro na ribalta, a sucessão presidencial no Brasil se firma como um daqueles assuntos que cansam de véspera, pela falta de perspectivas. 

Volto a Moro mais adiante. Antes porém, é preciso registrar o desânimo que as eleições representam quando se percebe que o pior presidente da história segue no páreo, quando deveria simplesmente ter seu trânsito na corrida eleitoral interditado pela rejeição pura e simples do eleitor ao desgoverno e patifarias que cotidianamente personifica.

Mas não é o caso: Jair Bolsonaro segue sem partido, sem projeto para o país, sem postura e sem entender seu papel como presidente de uma grande Nação.

Congresso e Judiciário lhe dão sobrevida pela recusa em barrar seus muitos desatinos e as ruas não lhe causam o menor constrangimento. Nem um mero ranger de panelas se ouve mais.   

O presidente-candidato tem aí coisa de 17% do eleitorado, mesmo após ter jogado o país na mais bruta recessão da sua história, com 20 milhões de pessoas na mais absoluta miséria e os 610 mil mortos na pandemia do coronavírus, número que sua incúria e irresponsabilidade em muito potencializou.

SEMPRE PODE PIORAR

Como que está ruim sempre pode piorar, eis que surge Sérgio Moro a evocar para si o papel de salvador da pátria. Pobre pátria. Moro, a despeito de ser apenas um juiz de primeira instância, é o responsável por uma das maiores intervenções nos rumos da República em tempos de democracia que se teve notícia por aqui.

O juiz, fora e acima da lei, como entendeu o STF ao lhe carimbar a pecha de suspeição, avocou para si o processo contra o ex-presidente Lula no caso do triplex, ao levar para Curitiba a tramitação que, pela regra do juiz natural, deveria ter ocorrido em São Paulo.

Foi só o início de uma série de erros de Moro que, mais adiante em parceria com o ex-promotor Deltan Dallagnol e outros procuradores da Lava a Jato em Curitiba, se tornariam crimes amplamente publicizados pela Vaza Jato - no que dispensa repetição.

Moro, ficou comprovado, violou o devido processo legal e, como agora se vê, agia sempre com fito político. Não era um juiz isento, era alguém determinado a melar o jogo da democracia e institucionalidades.  

QUEBRADEIRA 

Antes disso, Moro divulgara ilegalmente conversa da então presidente Dilma Rousseff com o quase ministro Lula, com o que detonou o processo de impeachment e abriu a avenida que colocaria Jair Bolsonaro na Presidência da República. 

Moro quebrou o setor da construção civil sob o argumento de que empresários e gestores dessas empresas mantinham relações criminosas com o Estado - o que era fato, sempre vale a ressalva, mas sua ação poderia ter poupado CNPJs e empregos e punir apenas os criminosos.

Até onde se sabe, empresas não cometem crimes. Mas o ex-juiz não se fez de rogado. Ao ser escorraçado do governo por Bolsonaro, ele não viu nenhum dilema ético em ir atuar em um escritório de advocacia - americano - que prestava consultoria a uma das empresas que havia jogado no limbo.

PERSONA NON GRATA 

Para espanto geral, o ex-juiz topou ser ministro da Justiça do governo Bolsonaro, que, em tese, ajudou a eleger. Moro deixou a magistratura e foi de mala e cuia para um governo disfuncional desde sempre, para ser logo expurgado, quando Bolsonaro percebeu que seu projeto político era de escopo mais específico.

Moro queria ambicionava a cadeira presidencial e, desde sempre, usou os poderes ilimitados e monocráticos da magistratura para se alçar à condição de figura nacional.

Restasse alguma dúvida, sua filiação ao Podemos do senador Álvaro Dias nesta semana, em ambiente e clima de convenção partidária americana, dissipou de vez.

Se Moro-ministro foi um zero à esquerda, não há muito o que esperar de sua hipotética Presidência. O ex-juiz é mal visto entre os políticos e persona non grata em parcela do Judiciário por conta do voluntarismo com que conduziu processos e certa indiferença oa Constituição.

Moro-presidente seria presa fácil das raposas do Congresso, que agora colocaram Bolsonaro numa coleira e são os verdadeiros donos do pouco que sobrou do orçamento para gastos.    

PREGO NO SAPATO

Subserviente, Moro ofereceu na bandeja a vergonhosa tentativa de emplacar a licença para que policiais pudessem matar a torto e a direito sob o manto da forte emoção. Esse é o político que setores do establishment nacional enxergam como saída para tirar de cena a aberração nacinal agora conhecida como bolsonarismo.  

A candidatura Moro será um prego no sapato do bolsonarismo, claro, mas traz ainda emoções pela expectativa dos futuros debates entre o verdugo de Curitiba e seu prisioneiro por 580 dias, em processo que, como disse antes, tomou para si por meio de filigranas, como ligar a compra de um apartamento em Santos ao caso da corrupção na Petrobras.

LULA DE NOVO

De resto, a sucessão presidencial de 2022 deve trazer, pela quinta vez, o nome do ex-metalúrgico Lula, agora na condição de amplo favorito. Corre o risco de rivalizar com Sérgio Moro, a péssima novidade da temporada e promessa de terceira via em meio ao pelotão de pré-candidatos que nada tem a acrescentar.

Desalento é o sentimento possível depois da tragédia da passagem de Jair Bolsonaro pela Presidência e o estrago que ele faz em tudo que toca.

Quando a alternativa a tudo isso é o mais do mesmo do lulo-petismo e a cara de pau de um ex-juiz desonesto em seu mister, é de se perguntar se podemos e a melhor resposta, ao contrário do que pregava o lema de campanha do ex-presidente americano Barack Obama, é um vigoroso não podemos.

Sem chance de dar certo. Não assim, não com essa opções que se colocam à mesa. Lula e o PT jogaram no lixo nossa utopia, posteriormente chacinada por gente como Bolsonaro e Sérgio Moro. E aqui estamos. Quem tentar fugir da polarização Lula-Bolsonaro pode ter à disposição apenas Sérgio Moro. É pouco, é bizarro, é vergonhoso para um país com tanto potencial.

Comentários  
-4 # Wilson Novaes 16-11-2021 08:53
Lula é a favor da corrupção.
Bolsonaro é a favor da corrupção.
Moro é contra a corrupção.
Façam as suas escolhas.
Qualquer criança da quarta série primária entende isso, mas têm gente que têm político de estimação.

VIA FACEBOOK
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-1 # Thiago 16-11-2021 16:55
Graças a Deus temos uma terceira via agora. Os dois radicais apoiados por cegos irão pirar quando Moro for eleito.
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-1 # Osvaldo Silva 18-11-2021 14:12
Moro 2022.
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