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MUDANÇA DE DOMICÍLIO

Ex-prefeito Quinquinha decide até setembro se vai ou se fica

                 Imagem: Oliveira Júnior

O empresário e ex-prefeito de Manga Quinquinha Oliveira (PTdoB) não esconde o desejo de administrar  o vizinho município de Januária, para onde praticamente se mudou desde que encerrou seu mandato em Manga, há exatos dois anos. Quinquinha não perde chance de insinuar que pode ser a salvação da lavoura na combalida Januária, que, aliás, é sua cidade natal. Ele costuma comparar os insucessos do atual prefeito Manoel Jorge (PT) com o que seriam exemplos de boa gestão no período em que comandou a vizinha Manga.

A decisão sobre migrar em definitivo para Januária ou tentar retornar ao comando de Manga deve sair até setembro de 2015, quando vence o prazo para fixação dos domicílios eleitorais para candidatos na eleição do ano seguinte. Tanto na primeira hipótese como na segunda, Quinquinha vai se impor a missão de tentar derrotar o PT do desafeto Paulo Guedes, no que conta com o apoio explícito do correligionário e deputado estadual Arlen Santiago (na foto). Em Manga, o ex-prefeito se aproxima dos neodissidentes da administração do seu sucessor, o petista Anastácio Guedes. Quinquinha já conversa com o médico Cândido Dourado, responsável pela indicação do atual vice-prefeito, Eliel Dourado (PRB).

Derrota na Fundação Hospitalar

A AFLIÇÃO DOS ASPONES

A troca de mando no governo mineiro após 12 anos da hegemonia do PSDB, somada à saída de cena de alguns deputados votados no Norte de Minas, têm deixado assessores parlamentares e detentores de cargos por indicação literalmente de coração na mão. Uma fonte disse ao site que é incerto o destino de pelo menos 200 afilhados de políticos da região já nos primeiros dias de 2015.

Esse exército inclui advogados, jornalistas e outras categorias, mas, principalmente, políticos sem mandato - ex-vereadores e ex-prefeitos que levaram pau nas urnas e precisam de abrigo remunerado para tocarem suas vidas na vida pós-gabinete. Além da troca nos principais cargos de confiança de órgãos públicos na região, há ainda assessores de deputados estaduais e federais que esperam, com aflição, notícias sobre como fica suas situações funcionais a partir de janeiro.

No caso dos deputados federais Humberto Souto (PPS) e Jairo Ataíde (DEM), além dos estaduais Ana Maria Resende e Luiz Henrique Santiago, ambos PSDB, as vagas de assessoramento simplesmente deixam de existir ainda nesta semana, já que eles ficam sem mandato a partir desta quarta-feira, 31. Mas há também necessidade de rearranjo para a turma que acompanha os deputados estaduais indicados para cargos no Executivo estadual, casos de Paulo Guedes (PT) e, quem sabe, Luiz Tadeu Martins, o Tadeuzinho (PMDB).

Em Manga, por exemplo, estão com o destino ainda incerto os políticos Humberto Salles (lotado no gabinete de Paulo Guedes), Maurício Magalhães (assessor do deputado federal Bernardo Santana) e Hugo Mota (vinculado ao mandato de Jairo Ataíde). Em Montes Claros e região, indicados dos deputados Arlen Santiago (PTB) e Gil Pereira (PP) em cargos da estrutura administrativa estadual esperam baixar a poeira da virada para saber seus respectivos destinos. Parte desse efetivo pode ser absolvida por prefeituras parceiras, mas é certo que muita gente vai ficar na planície dos sem cargos.

PATRUS COTADO PARA O MDA

Ex-ministro do Bolsa Família pode voltar à Esplanada, na cota de Minas para o Dilma II

Rumores dando conta que o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), conversou com a presidente Dilma Rousseff, no sábado (14), sobre a possibilidade de nomear o deputado federal eleito e ex-ministro Patrus Ananias (PT) para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) choca com a estratégia proposta pela própria Dilma para não desfalcar a bancada que o partido vai mandar para Brasília a partir de janeiro. 

Consta que a presidente teria pedido ao amigo Pimentel para não nomear deputados federais eleitos pelo PT mineiro. Patrus foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a pasta responsável pelo Bolsa Família, durante o governo Lula. 

Já o MDA foi a pasta que gerenciou o programa de distribuição de máquinas para prefeituras do semiárido brasileiro durante o primeiro mandato de Dilma, ação que teve custo declarado de R$ 18 bilhões. A pedra no caminho de Patrus para retorno à Esplanada é que o ministério tem sido reivindicado por petistas de pelo menos três estados, como forma de compensação pela nomeação da ruralista Kátia Abreu (PMDB) para o Ministério da Agricultura. 

A conversa pode ter realmente acontecido, mas ambos, Dilma e Pimentel, inicialmente concordaram apenas com a necessidade de Minas ser bem representada na Esplanada dos Ministérios - dado o fato do Estado ter sido providencial para a reeleição da presidente. Dilma não teria concordado, ainda, com a 'liberação' de Patrus, que, pelo fato de ter sido ministro pode representar reforço no Congresso. O que parece certo até aqui é que Minas terá ministro, ou ministros. Um dos nomes cotados é o empresário Josué Alencar (PMDB), derrotado na disputa pelo Senado e amigo de Lula desde a maternidade.

SUCUPIRA É LOGO ALI...

Bastidores da cerimônia do ‘Dias dos Geraes’ faz lembrar novela de Dias Gomes

Para além de gafes e constrangimentos que tanto frustraram o prefeito Edmárcio de Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (PSC), as comemorações do ‘Dia dos Geraes’ na segunda-feira (8), em Matias Cardoso, reservou também um momento de pura comicidade, que bem merecia entrar para o folclore da política mineira. Após ser impedido de usar a palavra durante a solenidade de entrega das medalhas Matias Cardoso e Maria da Cruz, o deputado estadual Paulo Guedes (PT), único representante da Assembleia Legislativa a comparecer ao evento, foi abordado por repórteres das emissoras de TV de Montes Claros, quando deixava a tenda que abrigou a confabulância.

Terminado o evento, a Banda de Música da Polícia Militar fez uma pausa na sua apresentação, no momento em que o deputado petista falava à InterTV. Pouco depois, ao ser abordado pela equipe do Canal 20, Guedes começou a encenar um pequeno discurso contra a ausência no local do governador Alberto Pinto Coelho (PP) e o que seria, a seu juízo, o final melancólico da era tucana à frente do Palácio Tiradentes. Alguns curiosos começaram a formar um círculo no local da entrevista. Ao perceber o interesse na conversa, Paulo Guedes puxou o ar e estufou o peito, em gesto bem característico, para aumentar o tom de voz e das críticas ao governo mineiro.

Ao perceber que o deputado roubava a cena, o maestro da banda suspendeu o intervalo e engatou o hino extraoficial do Estado, executado a plenos pulmões pela turma da Polícia Militar. E aí deu-se nonsense digno da pena de Dias Gomes e o seu ficcional prefeito Odorico Paraguaçu. A banda tocava o dobrado “Oh! Minas Gerais/Que te conhece não esquece jamais/ Oh! Minas Gerais!”, na tentativa meio cômica de abafar a fala do deputado, que, segundo suas própria palavras “descia a mutamba” no governo mineiro. Cena para Sucupira nenhuma botar defeito. Como diria Odorico, vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmente. “Oh! Minas Gerais!/ Quem te conhece não esquece jamais".

CRISTÃO NOVO

Edmárcio da Sisan mais longe do comando da Amams

O fiasco em que se transformou a sétima edição do ‘Dia dos Geraes’, comemorado na última segunda-feira (8), em Matias Cardoso, sinalizou para as poucas chances do prefeito Edmárcio Moura Leal, Edmárcio da Sisan (PSC) na disputa pelo comando da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams). A ausência de muitos dos seus pares e, em especial, dos deputados votados na região durante o evento demonstram que a pretensão de Edmárcio subiu em telhado de arranha-céu.

O nome do atual prefeito de Matias tem sido ventilado entre os três que planejam substituir o atual presidente e prefeito de Mirabela, Carlúcio Mendes Leite (PSB). Também estão no páreo os prefeitos de São Francisco, Luiz Rocha Neto (PMDB), de São Francisco, e César Emílio Lopes (PT), de Capitão Enéas. Há uma dificuldade extra na estrada que poderia levar Edmárcio à cadeira principal da associação que congrega cerca de 60 prefeitos da região: ele é considerado cristão novo na política, com poucas conexões com os colegas.

Por esse critério, Luiz Rocha, prefeito em segundo mandato, tem mais tempo de estrada e, em tese, mais chances de levar a disputa. César Emílio corre por fora e tem como trunfo a filiação ao PT, o partido da ordem a partir de janeiro. Consta que o deputado estadual Arlen Santiago (PTB) foi a Matias na segunda-feira, mas chegou atrasado para as comemorações da festa que transforma a cidade em capital simbólica de Minas Gerais. Ainda assim, a ausência de lideranças regionais na principal data do calendário festivo de Matias Cardoso pode limitar a alternativa que restaria a Edmárcio de bancar candidatura de oposição aos interesses do petismo, o novo partido da ordem no Estado e região.