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PROJETO ADIADO

Em nome da boa convivência, Paulo Guedes deve desistir de comandar a Alemg, que fica mesmo com o aliado PMDB 

Subiu no telhado da cobrança por espaço do PMDB em Minas o sonho do deputado estadual Paulo Guedes (PT) presidir a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Alemg) a partir do próximo ano. Principal partido da aliança que elegeu o petista Fernando Pimentel e levou o PT a comandar pela primeira na história o governo mineiro, o PMDB reivindica o comando da Assembleia em nome do equilíbrio de forças políticas no Estado. 

Nem o fato do futuro vice-governador, Toninho Andrada, ser do PMDB minimiza a cobrança por espaço do partido aliado. Seguro morreu de velho e Fernando Pimentel não pode se dar ao luxo de se indispor com o aliado PMDB na primeira fase do que promete ser um difícil mandato. Resumo da ópera: o peemedebista Adalclever Lopes leva a presidência da Alemg para o biênio 2015/16.

Ainda que a contragosto, foi a essa lógica que Paulo Guedes teve que se render - a despeito de ter saído das urnas com 164,8 votos e status de deputado estadual mais votado em Minas ao longo da história. Guedes pode assumir o cargo de 1º secretário, uma espécie de ‘prefeito’ do Legislativo e segundo cargo na hierarquia que forma a Mesa Diretora do parlamento.

O sonho de presidir a Alemg fica para depois, quem sabe em 2017, com base no prometido revezamento entre as duas siglas. Guedes também é cotado para assumir a Sedinor (Secretarai de Estado Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais), o braço governamental para ações sociais na parcela de semiárido que forma o solo mineiro. Até aqui não demonstrou muito apetite para o cargo, para onde deve indicar pessoa de sua confiança. 

SUCESSÃO NA AMAMS

Eleição acontece em janeiro, mas já mobiliza a prefeitada em torno de três candidatos

Deputado mais votado em Minas, o petista Paulo Guedes está bem próximo de conseguir realizar um velho sonho: ter o controle da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) por meio da eleição de um prefeito aliado. A eleição para escolha do novo comando da entidade está prevista para o dia 13 de janeiro, mas foi o assunto mais comentado em encontro para prestação de contas de final de mandato do atual presidente da Amams, Carlúcio Mendes (PSB), que contou com a presença de pelo menos 50 de prefeitos nesta quinta-feira (13), em Montes Claros.

Até aqui, três prefeitos já mostraram interesse em presidir a Amams no biênio 2015/2016, em substituição a Carlúcio Mendes, atual mandatário de Mirabela. O peemedebista Luiz Rocha Neto (São Francisco), o petista César Emílio Lopes (Capitão Enéas), além de Edmárcio Moura Leal (PSC), o atual prefeito de Matias Cardoso. Em comum, eles têm a característica de serem próximos, em alguma medida, do petista Guedes.

Cada chapa em disputa deve preencher os 14 cargos que formam a mesa diretora da associação. Essa costura, por sinal, é o principal desafio que o aspirante a presidente enfrenta. Alçado à condição de grande eleitor na sucessão da Amams, Paulo Guedes nutre simpatia pela eleição do amigo Luizinho, de São Francisco. Guedes, por sinal, tentou, sem sucesso, retirar a entidade da área de influência do Palácio Tiradentes nas duas últimas eleições. Na mais recente delas, compôs com a banda oposta - tudo para evitar a eleição de Ruy Muniz (PRB), por quem foi derrotado nas eleições para a Prefeitura de Montes Claros.

Atores importantes nas eleições da Amams até então, os deputados reeleitos Gil Pereira (PP) e Arlen Santiago (PTB), além do próprio prefeito Muniz, que estão prontos para migrarem de mala e cuia para o campo da futura oposição em Minas, assistem tudo à distância. A expectativa é que banquem composição de última hora para enfrentar os planos de hegemonia de Paulo Guedes. Uma opção de nome para puxar dissidência em relação ao que aí está seria novamente o prefeito Edmárcio.

POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA

Aliados em Minas, PT e PMDB estão próximos de acordo para revezamento no comando da Assembleia

O petista Guedes e Lopes, do PMDB, cotados para a próxima mesa diretora da Alemg

Diferentemente do Congresso Nacional, onde PT e PMDB ameaçam quebrar lanças pelas presidências do Senado e Câmara dos Deputados, em Minas Gerais o clima é de boa vizinhança – pelo menos por enquanto. Parceiros na aliança que levou o PT pela primeira vez ao comando do Palácio Tiradentes, o antigo Palácio da Liberdade, os dois partidos estão muito perto de um acordo para se revezarem no comando da Assembleia Legislativa mineira pelos próximos quatro anos. Falta definir apenas quem vai comandar a Casa no biênio 2015/16.

Acordos internos nas duas siglas sinalizam como postulantes ao cargo de presidente o petista Paulo Guedes [deputado mais votado no Estado em cinco de outubro, com 164,8 mil votos] e Adalclever Lopes, pelo PMDB, que acaba de receber o voto de 58,1 mil mineiros. Na seara petista, o deputado reeleito Durval Ângelo desistiu da anunciada intenção de presidir a Alemg. Durval deve assumir o posto de líder do governo Pimentel na Casa, a partir de fevereiro do próximo ano.

PIMENTEL PEGA A ONDA

O governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), visita Montes Claros, no Norte de Minas, na tarde desta sexta-feira (17). Lideranças de toda a região foram convidadas a participar de encontro com o petista, no Automóvel Clube. Pimentel tenta animar a militância para repetir a ‘onda vermelha’ que levou o PT a vencer em quase todos os municípios da região.

O movimento é reação à ofensiva que o PSDB e gente ligada ao governo mineiro, por enquanto sob o comando de Alberto Pinto Coelho (PP), aecista de primeira hora e quatro costados, teria levado adiante no norte-mineiro. Aliados do tucanato e mesmos aqueles que estão der partida de mala e cuia para o entorno dos futuros donos do pedaço nas Alterosas, foram convocados para tentar ajudar na vitória de Aécio em Minas no próximo dia 26 de outubro.

A reversão da dura derrota no primeiro turno em Minas é considerado, entre os tucanos, pré-requisito para derrotar o PT no plano nacional. É nesse contexto que Pimentel enfrenta o sufocante calor da Terra das Formigas. O comando da campanha petista na região organiza carreata por alguns bairros de Montes Claros para o início da noite, quando pretende dar demonstração de força e crença em nova vitória sobre os tucanos.

A MÃE DE TODAS AS BATALHAS

Em jogo, a busca petista pelo quatro mandato e a crença de tucanos de que chegou o momento do retorno


A se crer nos números das principais pesquisas de intenção de voto neste segundo turno, o que temos é o seguinte: um país rachado ao meio entre a mudança que Aécio Neves (PSDB) possa representar e o mais do mesmo que Dilma Rousseff (PT) tem a oferecer – a despeito de ter embalado seu marketing eleitoral também com o mote do ‘mais mudanças’ se eleita for para novo mandato.

Um dado especialmente curioso deste segundo turno é o fato de que Ibope e Datafolha mostram o eleitorado estático no intervalo de uma semana para outra. Uma das leituras possíveis é que o ambiente de guerra em que se transformaram os debates e o horário eleitoral tenha assustado a massa de indecisos, que cresceu no período. O redemoinho produzido por denúncias de lado a lado e agressões no plano pessoal, que só encontram paralelo na disputa presidencial entre Lula e Fernando Collor de Mello, há 25 anos, só teria algum tipo de recepção e simpatia entre a militância de cada campanha.

A animosidade entre os candidatos, na base do ‘mentiroso’ para cá e ‘leviana’ para lá, contamina o país e estimula o clima de mãe de todas as batalhas entre petistas e tucanos nesta reta final de campanha. Se por um lado o PT tem enorme resistência a admitir a possibilidade da alternância de poder, com o argumento de que construiu um novo país em 12 anos de mando, por outro o PSDB parece convencido de que nunca esteve tão perto de retomar o poder. Tenta capitalizar em seu favor a majoritária tendência à mudança que o eleitor sinaliza.

O clima andou tão pesado que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu intervir para tentar evitar que os candidatos a presidente da República distorçam o objetivo que norteou a criação do horário eleitoral no rádio e na TV como espaço para ataques aos adversários. A decisão proíbe ainda o uso de recortes de jornais e de declarações de terceiros nas propagandas. A decisão não foi unânime e muda o entendimento anterior que era mais permissivo. No entendimento da Corte, o horário eleitoral gratuito [e que de gratuito não te nada, pois é pago com isenção dos nossos impostos] deva ser usado para debater programas e políticas públicas.

O debate do SBT/UOL/Rádios Joven Pan no final da quinta-feira parece ter sido o ponto-limite da guerra em que se transformou o enfrentamento os dois contendores na disputa presidencial, que ameaçam passar do ponto ao avançar o sinal para questões da vida pessoal do adversário. Quem ganhou?, quem perdeu? Difícil avaliar, embora Aécio Neves tenha demonstrado mais firmeza ante uma Dilma confusa em vários momentos.

Sangue frio