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MESMO SEM VERBA, ESTRADA TEM EDITAL

Governo publica licitação para asfalto da BR-135 entre Manga e Itacarambi, mas falta recursos para obra

Lama e poeira: caminhão trafea pela BR-135 no perímetro urbano de São João das Missões

A esperança é a última que morre. Saiu nesta quarta-feira (17) no Diário Oficial da União o aviso de licitação para a modalidade Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) que vai escolher a empresa responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia para o asfaltamento da BR-135 no trecho de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas. 

A publicação do aviso de licitação é uma espécie de satisfação que o ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) dá ao bolsonarismo de carteirinha em Minas.

O edital é o primeiro movimento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a retomada da pavimentação da rodovia, mesmo sem garantia de sua conclusão por falta de recursos federais para o total da empreitada - como mostro mais adiante. 

O magote de políticos bolsominions, com mandato ou sem, que tomaram o asfaltamento da estrada como a mãe de todas as conquistas e agora exigem que o governo federal comece o asfalto no ano que vem é formado por senador e deputado, paraquedista ambos, além de um deputado estadual, aquele que há anos não consegue uma mísera obra para a região, e seu reduzido coletivo de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores. 

SONHA, ALICE

“O tão sonhado, possível, asfaltamento entre Itacarambi até Manga cada vez vai caminhando mais”, celebrou o deputado estadual Arlen Santiago (PTB).

De tanto sonhar, as novas alices da BR-135 entre Manga e Itacarambi foram cautelosas na comemoração do aviso de licitação. Por quê? Porque a União só tem até agora R$ 20 milhões para uma obra com gastos estimados na casa dos R$ 150 milhões. 

PREGO REDONDO EM FURO QUADRADO

Entre um insulto e outro ao petismo, Arlen pisa em ovos com esse providencial 'possível' asfalto, porque sabe que entre a publicação do aviso de licitação e a obra real, util e à disposição do transeunte e pagante de impostos, vai uma distância enorme.   

Os R$ 20 milhões garantidos recentemente pelo Congresso Nacional são irrisórios mesmo para bancar as etapas de elaboração e execução de todas as etapas e ações necessárias para o asfalto. 

Fac-simile da publicação do aviso de licitação no DOU desta quarta-feira: falta indicar verbas para conclusão da estrada

Até a lama asfáltica ser jogada na terra do sertão norte-mineiro, serão necessários transpor degraus como o “cumprimento de todas as obrigações e condicionantes, requeridas no processo de licenciamento ambiental; e execução das obras de implantação, pavimentação, restauração e obra de arte especial, na rodovia BR-135/MG”, conforme define o edital publicado nesta data. 

ADEUS ANO NOVO

O governo federal não tem esse dinheiro todo nem mesmo com as boas almas do centrão destinando todo o seu quinhão de emendas secretas ou não para o empreendimento. 

Coisa que eles obviamente não vão fazer, porque a região de Manga e Itacarambi não tem votos suficientes para retribuir tamanho desprendimento de políticos que estão preocupados com suas reeleições ano que vem.  

Os deputados do centrão são os novos donos dos pedaços do orçamento, ou do pouco que restou dele para investimento, mas precisam alocar os recursos para as centenas de municípios em que foram - e esperam ser - votados.

O asfalto da BR-135 ou sua enésima promessa já será suficiente para que o bolsonarismo norte-mineiro saia com um argumento - ainda que falacioso - na temporada eleitoral do próximo ano.

Será um cartão de visita para o grupo, já que o governo Bolsonaro não tem, após três anos no cargo, sequer uma casa de boneca para inaugurar na região. Sem falar que defender o pior governo da história já é uma tarefa inglória para os aliados do presidente na região. 

ESMOLA

Segundo a presidente da comissão de licitação, Nathália Prado Radel, o prazo para a entrega das propostas pelas empresas interessadas na contratação integrada começa hoje, com abertura dos envelopes no dia 29 de dezembro, o último dia útil do ano. 

O assunto fica para o ano que vem, lá para o mês de março, quando Brasília volta a operar. A poucos meses da temporada eleitoral. Arlen tem razão de desconfiar da esmola.

Useiro e vezeiro das promessas vãs, ele já aprendeu que quem gosta de promessa é santo. O que o povo precisa e quer é o termino da ligação asfáltica que os governos petistas iniciaram entre Cocos e Manga.  

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