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MINAS PODE MULTAR CONSUMO EXCESSIVO DE ÁGUA

Nova direção da Copasa pede à população redução de 30% no consumo e sinaliza com sançoes para consumo excessivo

Renato Cobucci/Agência MInas

O governador Fernando Pimentel (PT) fez uma aposta ousada nesta quinta-feira ao autorizar a nova diretoria da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) a anunciar nesta quinta-feira (22/01) uma série de medidas para enfrentar o período de estiagem e a redução do volume de água nos reservatórios que abastecem os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e cidades de outras regiões do Estado. A presidente da Copasa, Sinara Meireles, não descarta a possibilidade de racionamento e multa para quem consumir volumes acima da média. Se for levada adiante, essas medidas podem reduzir a pó o capital político acumulado pelo novo governador.

Nos bastidores, o novo governo de Minas acusa a gestão do tucano Antonio Anastasia (PSDB) e de Alberto Pinto Coelho (PP), que assumiu o comando do Estado em abril do ano passado, pelo agravamento da crise hídrica. Segundo o site 'Brasil2+4+7=13', mesmo sabendo que o Sistema Paraopeba, que abastece de água a Região Metropolitana de Belo Horizonte, estava em queda contínua desde o início do ano e operava abaixo de 50%, a gestão tucana em Minas Gerais não adotou qualquer medida de contingenciamento ou emergência para evitar que a situação se tornasse crítica.

Durante entrevista coletiva, Sinara destacou que o objetivo das medidas é garantir o fornecimento de água para a população. A Copasa quer os mineiros reduzam em 30% o consumo de água. Segundo a presidente da empresa, há risco real de desabastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e em cidades de outras regiões do Estado. Levantamento realizado pela nova diretoria da empresa, empossada na tarde da última sexta-feira, 16 de janeiro, mostra uma situação crítica do sistema de abastecimento de água nos municípios atendidos pela empresa.

O Sistema Paraopeba, que abastece a RMBH e é composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está operando atualmente com 30,25% de sua capacidade. Dos três reservatórios, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra Azul, que atualmente está com apenas 5,73% de seu volume, praticamente já operando em seu volume morto. Já o sistema Vargem das Flores apresenta capacidade atual de 28,31% e o sistema Rio Manso, 45,06%.

O relatório, elaborado em caráter de emergência por determinação do governador Fernando Pimentel, também deixa claro que o governo anterior tinha conhecimento da situação, mas não tomou medidas necessárias para evitar o comprometimento do abastecimento. Mesmo com a estiagem prolongada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o governo anterior optou por manter a distribuição de água para a população em níveis estáveis nos últimos dois anos.

Os fartos dados monitorados pela Copasa ao longo dos últimos dois anos mostram os riscos envolvidos na garantia do abastecimento de água para a população, situação oposta às informações divulgadas pelo governo anterior, que davam conta que não haveria risco de desabastecimento na Grande BH. Com isso houve o consumo intenso da água dos reservatórios e a redução sensível dos volumes acumulados, que não se recuperaram.

De acordo com o relatório, a média de produção de água tratada no sistema Paraopeba entre dezembro de 2013 e novembro de 2014 foi de 17.821.857 m³/mês. O volume acumulado nos três reservatórios em 1º de janeiro de 2015 totalizou 92.324.818 m³. Os números mostram que, considerando-se as descargas para vazão residual e a captação para produção que representam um volume extraído mensal da ordem de 25 milhões de m³, a previsão é de que este volume seja suficiente para pouco mais de três meses para abastecimento de água para a população atendida pelo sistema. Por esta razão serão tomadas medidas emergenciais de restrição da oferta para que possamos atravessar o atual período.

Perdas

Outra situação que necessita de uma atuação urgente é o combate às perdas que, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são de 40%. Em 2014, a cada 10 litros de água potável entregues à população, 4 não foram consumidos ou usados de maneira regular – o que inclui desde vazamentos no percurso entre a distribuição e o consumidor até ligações clandestinas (gatos).

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