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CENTRÃO TERÁ GRANA PARA BR-135?

Bolsonaro anuncia licitação do asfalto entre Manga e Itacarambi, mas recursos disponíveis não garantem obra

Mesmo sem garantia de recursos, governo federal anuncia pré-etapa de licitação para a BR-135 Manga/Itacarambi: 

O presidente Jair Bolsonaro fez uma mise-en-scène relacionada à antiga novela da pavimentação da BR-135, no subtrecho entre Manga e Itacarambi, durante a visita a Belo Horizonte para o lançamento da obra de trecho do metrô da capital na quinta-feira (30).

No meio do seu discurso, Bolsonaro recebeu - ou simulou receber - mensagem de Whatsapp do ministro Tarcisio de Freitas (Infraestrutura) dando conta de que acabara de assinar o aviso de licitação para a escolha da empresa que vai tocar a obra do asfalto da rodovia federal no extremo Norte de Minas.

Foi o que bastou para o que ainda resta do bolsonarismo na região massificar o trecho do vídeo com a fala presidencial.

A notícia é boa? Sim, a decisão de realizar a licitação é muito bem-vinda, mas ela não resolve o problema concreto do governo da falta de recursos para terminar a obra.

TROCO

Os R$ 20 milhões que o ministro Tarcísio anunciou para a estrada vieram da aprovação do projeto de lei do Congresso Nacional, o PLN-15, que prevê a abertura de crédito especial no valor de quase R$ 3 bilhões para a execução de obras federais pelos diversos ministérios.

O PLN-15 foi aprovado pelo Congresso Nacional na última segunda-feira (27). O Ministério da Infraestrutura vai ficar com R$ 80 milhões do total e, convenhamos, isso não chega nem a ser trocado para um país com a infraestrutura aos frangalhos como é o caso do Brasil.

"Com a aprovação [do PLN-15], teremos R$ 20 milhões para iniciarmos a elaboração do projeto.

Mais um grande passo rumo à execução dessa obra tão importante para toda a região", comemorou o deputado estadual Arlen Santiago (PTB), o autodeclarado novo 'pai do asfalto', que, desde 2016, peregrina pelos gabinetes aqui de Brasília com seus parças do centrão para reivindicar o asfalto. 

'GRANDE DIA' 

Santiago, por sinal, não gostou da intervenção em favor da BR-135 feita pelo seu arqui-inimigo e deputado federal Paulo Guedes (PT) durante passagem do ministro Tarcísio pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados (CBT), há duas semanas, quando se antecipou a destinação da verba para a retomada do asfalto.

Arlen divulgou vídeo nas redes sociais em que, furibundo e dedo em riste, declarava que o asfalto é competência exclusiva dele e do bolsonarismo mineiro.

Audiência pública debate retomada da pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi: Tarcísio (abaixo) destaca luta de Guedes (acima) pelo o asfalto 

O bate-bumbo em torno da retomada da pavimentação parece atender mais aos anseios dos deputados do centrão, apertados de costura com a aproximação do ano eleitoral.

Começava a bater um desespero na rapaziada com a falta de notícias sobre o assunto.

Não será surpresa para ninguém se a obra for reiniciada e novamente paralisada após as eleições do ano que vem,  com o argumento de que não há recurso para sua conclusão.      

Arle quase foi ao delírio com o anúncio de Bolsonaro sobre a autorização para a futura licitação da obra.

"Grande dia", exultou o deputado que é filiado ao PTB de Roberto Jefferson, atualmente na cadeia, em prisão preventiva, por atentado contra a democracia.

O PTB é um dos possíveis pousos de Bolsonaro para a disputa do ano que vem. O asfalto agora vai? A ver.

O dinheiro liberado pelo governo federal mal dá para começar os preparativos para a pavimentação da estrada. Só a elaboração do projeto executivo de engenharia que antecede a realização da obra deve consumir algo perto da metade do valor disponível.

Esses R$ 20 milhões também precisam cobrir os custos para liberação das condicionantes é exigências relacionadas ao licenciamento ambiental, sem o qual a obra não pode começar.

Licenciamento que Arlen Santiago vira-e-mexe diz resolvido, atribuição que não está inclusa nas funções de um mero deputado de província.

Caberá aos partidos do centrão em Minas, com alguma representação aqui em Brasília, buscar no orçamento os cerca de R$ 130 milhões necessários para terminar a estrada.

O governo federal, como é de conhecimento público, não tem margem para investimentos.

Além de não ter dinheiro para tocar obras no país, Bolsonaro cometeu a estupidez de ceder aos partidos do centrão a pequena margem orçamentária que lhe permitiria direcionar recursos em obras pelo país - via orçamento secreto e emendas do relator.

Aliás, esse é um dos motivos do Brasil andar encalacrado. Não há um planejamento central para se olhar para as carências do país.

O centrão abocanhou o pouco do orçamento destinado a investimentos e decide, sempre por critérios políticos, onde a verba será gasta. Não tem chance de dar certo.   

SEM TINTA NA CANETA

Em troca de não ter um processo de impeachment até a eleição do ano que vem, Bolsonaro cedeu ao centrão a caneta dos chamados gastos discricionários, aqueles de gestão exclusiva do mandatário do país.

Para que a pavimentação da BR-135 saia do papel e não se repita agora o velho hábito de anunciar a obra nas vésperas do ano eleitoral para depois não cumprir a promessa, o centrão terá que indicar a verba para a conclusão do asfalto.

Há uma briga surda entre o petismo e cacicaria do centrão no Norte de Minas pela paternidade do asfalto entre Manga e Itacarambi.

A pavimentação entre Manga e a Bahia avançou no período do lulo-petismo na Presidência, mas empacou entre Manga-Itacarambi em razão da suposta existência de um cemitério da etnia Xakriabás no município de São João das Missões.

OLHO NO GATO 

O povo mesmo, o infeliz do transeunte que roda por aquelas bandas para comer poeira na seca e atolar na lama nas estações chuvosas, está pouco interessado sobre quem será o ‘pai’ do asfalto.

O povo precisa do asfalto e há 50 anos vive de promessas. Quem gosta de promessa é santo, já escrevi aqui em título de outro artigo sobre a malfadada rodovia.

Como dizia o empresário têxtil José de Alencar (1931/2011), vice-presidente de Lula entre 2003/2010, ao citar o dirigente chinês Deng Xiaoping, não importa a cor do gato, o que se quer é que ele cace o rato.

Se Bolsonaro, enfim, asfaltar a BR-135 entre Manga e Itacarambi, que seja reconhecido por isso.

O problema aqui é que o norte-mineiro, feito gato escaldado ( também não importa a cor) tem medo de outro balde de água fria. Anunciar o início do asfalto, muitos o fizeram.

A promessa da construção desse asfalto é antiga: vem desde os anos 1980, quando Hélio Garcia e depois Newton Cardoso governaram Minas, e um canteiro de obras da extinta construtora Ferreira & Guedes foi montado na saída de Januária para Manga.

São mais de 40 anos de espera. A conferir se o Whatsapp do ministro Tarcísio durante o comício de Bolsonaro em BH vai colocar fim.

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