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EDMÁRCIO MUDA A ROTA

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No limite da janela partidária, ex-prefeito escolhe Podemos para buscar cadeira na Câmara dos Deputados  

O ex-prefeito de Matias Cardoso Edmárcio de Moura Leal não assinou a ficha de filiação ao PP, conforme anunciamos aqui há alguns dias.

No prazo-limite da janela partidária – encerrado na sexta-feira passada -, Edmárcio optou pelo Podemos. Pesou na decisão a presunção de que será mais fácil conseguir a sonhada cadeira na Câmara dos Deputados por uma sigla menor e, por enquanto, sem caciques concorrenciais no Norte de Minas.

Edmárcio avalia que o quociente eleitoral (a conta que se faz para a distribuir as cadeiras em disputa nas eleições pelo sistema proporcional de votos) do Podemos lhe será mais favorável do que teria sido no do PP.

O ex-prefeito de Matias planejava disputar as próximas eleições pelo Avante, mas foi praticamente expulso da sigla após a chegada do deputado estadual Arlen Santiago e seu helicóptero-uber, notório por oferecer carona para paraquedistas de outras regiões do Estado semana e sim e outra també.

MORO

MUNIZ QUER VIRAR DEPUTADO

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O empresário Ruy Muniz (Avante) está decidido a buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. O pretendido retorno de Muniz à política acontece depois da tumultuada passagem pela Prefeitura de Montes Claros (2013/2017), quando teve o mandato cassado e chegou a ser detido pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes na saúde e advocacia administrativa.

Antes disso, Ruy foi eleito deputado estadual (2007/2010), além de vereador mais eleito por Montes Claros, no início deste século.

O ex-prefeito é do grupo Soebras, especializado em educação. Foi filiado ao PT antes de fundar um cursinho universitário em Montes Claros e iniciar a construção do seu milionário patrimônio. Na sua fase revolucionário sem causa, chegou a participar de um roubo a banco com o argumento de contribuir para a causa operária.  

Ruy troca de partido como troca de camisa. Nos últimos anos passou pelo extinho Democratas, PRB, PP e, atualmente, feste a camisa do Avante.         

SONHÁTICO

NEGACIONISTAS DA POLÍTICA

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Dilma, Moro e Dória têm em comum o desprezo pelo jogo de paciência na política

Bonecos de Sérgio Moro em atos anti-corrupção em Brasília: vaidades em excesso lebou ex-juiz a ser tragado pelo sistema que dizia combater

O fracasso da nova política era mais ou menos previsível. De pouco adiantou para a melhoria da ambiência do país o número inédito de parlamentares eleitos sob o signo da anti-política nas últimas eleições. 

O Congresso Nacional tem uma de suas piores legislaturas, após ser capturado pelas raposas do centrão - sob o olhar inerte da representação do MBL, religiosos e bancada militar, os autodenominados baluartes da étioca e da moral na vida pública.

O Parlamento não é agora mais ético do que antes, tudo indica ser o contrário. Pede-se mais política e menos personalismos, daqueles que inviabilizam o debate.

Mesmo nos seus piores dias, prestes a ser condenado e preso, o ex-presidente Lula alertava para os riscos de se negar a política tradicional em nome de aventuras. Deu no que se vê.

VAIDADES - Sintomático notar que, três dos protagonistas da política com bastante influência na última década, tiveram suas carreiras chamuscadas justamente por terem dificuldades de diálogo com seus interlocutores na política - em especial a partidária. 

O caso mais notório é Dilma Rousseff, derrubada da Presidência pela evidente dificuldade em fazer acordos e concertação. Vaidade e teimosia levaram Dilma ao cadafalso. 

Ela só aceitou chamar Lula para tentar salvar seu mandato quando já era demasiado tarde. Fora do Planalto, sofreu um duro revés ao ser preterida pelos mineiros quando buscava uma cadeira no Senado (terminou em quarto lugar naquela disputa). 

HUMILHAÇÃO - Foram também a vaidade e o autoengano que levaram o ex-juiz Sérgio Moro à sucessão inacreditável de humilhação pública para quem, até outro dia, era representado em manifestações da direita com bonecos de super-homem - o herói do povo brasileiro. 

NA MOENDA

HOMENS AO MAR

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Candidaturas presidenciais de Sérgio Moro e João Dória vão ficando pelo caminhoImagem de lançamento da candidatura de Sérgio Moro pelo Podemos em novembrodo ano passado: sonho que se sonha só

ATUALIZAÇÃO: O governador João Dória desistiu de desistir da candidatura à Presidência da República. Após conversa tensa com o vice-governador, Rodrigo Garcia, Dória manteve a decisão de deixar o cargo nesta sexta-feira - no que se habilita para o jogo sucessório nacional. Permanece, entretanto, o desafio de se descolar do desconhecido (e desprepeparado) André Janones (Avante), lá na rabeira dos levantamentos dos intitutos de pesquisa. Sem isso, só adia o desapego.

Os sacolejos do caminhão de mudanças da sucessão presidencial devem atirar na poeira do caminho dois dos mais pretenciosos nomes que sonharam, um dia, ter assento garantido no Palácio do Planalto, a partir do próximo ano.

Em guinada que surpreendeu o mundo político, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), anuncia ainda hoje (se não mudar de ideia) que permanece no Palácio Tiradentes. Sua desincompatibilização deveria acontecer até amanhã, mas Dória ameaça jogar a tolha depois de muito patinar nas pesquisas de intenção de votos.

Abre, com sua decisão, uma crise sem precedentes no PSDB paulista, onde o vice-governador Rodrigo Garcia foi convencido pelo próprio Dória para entrar no partido com a garantia de que receberia o governo agora em abril, com a prerrogativa de ser candidato à reeleição. 

Dória fora da disputa aplaina o caminho para o agora ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que voltar a sonhar em ser o candidato dos que restou no ninho tucano – prestes a cair no colo do deputado Aécio Neves, que boicota o governador de São Paulo, seu inimigo figadal, dia sim e outro também.

Eduardo Leite foi convencido por Aécio a desistir da filiação ao PSD de Gilberto Kassab, já na expectativa de virar o jogo dentro do PSDB com a péssima performance de Dória nas pesquisas.

 MORO NA POEIRA

Quem também deve dar um passo rumo à saída de cena da sucessão presidencial é o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), que confirmou sua filiação ao União Brasil nesta quinta-feira (31), antes do fim da janela partidária, no próximo sábado.

O ex-juiz também mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde deve disputar uma vaga para o Senado ou Câmara dos Deputados pelo União Brasil. 

Moro anda sem rumo. Sinalizou seu interesse em disputar o Senado pelo Paraná, mas pisou no calo de Álvaro Dias, seu aliado de primeira hora. Dias vai disputar a reeleição para o cargo de senador.

O Podemos não andava nada empolgado com a candidatura presidencial de Moro, que a essa altura, é mero estorvo para os deputados do partido – eles querem o fundo eleitoral com foco na formação de uma base parlamentar ao invés de investir sua fatia no bolo na periclitante jornada presidencial do ex-ministro.

FATO NOVO

BOTA FORA

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Viúvas de Aécio, Arlen e Valmir Morais, dão cartão vermelho para ex-prefeito de Matias Cardoso no Avante

O ainda chefe de gabinete da Prefeitura Matias Cardoso, Edmárcio de Moura Leal, o Edmárcio da Sisan, está com os dois pés fora do Avante.

Nesta semana, Edmárcio planeja fazer dois movimentos, deixa o cargo de assessor do prefeito de Matias, Maurélio Santos, e busca novo CEP partidário (saiba qual ao final deste texto). 

Ex-prefeito de Matias por dois mandatos (2013/2020), Edmárcio planeja disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas ficou incomodado com a entrada nos domínios do Avante do deputado estadual Arlen Santiago e do atual prefeito de Patis, Valmir Morais. 

Egressos do PTB de Roberto Jefferson, Arlen e Morais são as mais notórias viúvas do ex-governador Aécio Neves (PSDB) no Norte de Minas. 

AÉCIO PATIENSE

Paixão antiga, que só se desfez após Aecinho cair em desgraça em rede nacional. Arlen e Morais são agora bolsonaristas desde a maternidade, para cumprir o antigo adágio português do “rei morto, rei posto”. 

Valmir Morais, por sinal, arranjou uma prebenda para o ex-chefe: fez a Câmara de Patis (município de seis mil habitantes) aprovar o glorioso título de cidadão honorário para o Neto de Tancredo - homenagem que diz muito sobre a descida de Aécio ao rés do chão da política nacional.

NÃO ME LIGUE MAIS

MORO CAIU NO CONTO DO VIGÁRIO

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Indignados de camisa amarela murcham candidato da Lava Jato. Combate à corrupção era pretexto do conservadorismo anti-mudanças
Bonecos representam o ex-juiz Sérgio Moro em dois momentos distintos das manifestações em Brasília: quem precisa de heróis?

O ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) avaliou mal a adesão dos brasileiros que foram às ruas na jornada com o alegado fim de combate à corrupção e ética na política, iniciada nos estertores do governo Dilma Rousseff.

Perdido nos labirintos das vaidades que enganam, paparicado por certa parcela da mídia e incensado por escribas subitamente enojados com a merda em que sempre pisaram, o Moro de carne e osso se cobriu com capa do super-homem com que o bolsonarismo vestiu seu boneco inflado nas praças do país.

“O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol”, avisava desde muito Eclesiastes 1:9.

ATALHO

No cálculo apressado do ex-juiz, sua adesão ao governo Jair Bolsonaro era o passaporte para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Percebeu rápido que tinha levado um capote do simplório Jair.

Foi preciso refazer a rota. Sérgio Moro deixa o governo com certo estrépito e, ato contínuo, se insinua como presidenciável - na expectativa de herdar o bolsonarismo sem Jair e familícias.

Uma assombrosa barbeiragem do ex-juiz, que de santo nunca teve nada. Quando deixou o governo já era pública sua vergonhosa atuação na condição de juiz da operação Lava-Jato.

Os áudios que mostravam sua atuação no comando da equipe de promotores já deixavam claro que atuou criminosamente para tirar do páreo o ex-presidente Lula, franco favorito nas eleições de 2018.

NEÓFITO

Cristão novo na seara da política, Moro parece ter acreditado piamente no personagem que criou para si mesmo: o justiceiro que iria colocar todos os corruptos na prisão ainda que, para isso, fosse ele mesmo um corruptor das leis que jurou cumprir.

Enquanto esperava o tempo propício das eleições, esse portento da ética nacional não viu nenhum problema em se mudar para os Estados Unidos para trabalhar - com salário milionário - no escritório de advocacia que tenta juntar os cacos de algumas das empresas que ele, Moro, destruiu na Laja Jato.

LEI PELÉ

Para espanto do próprio Moro e dos que antagonizam em seu favor, sua preferência nas pesquisas eleitorais começou a cair logo após ao ruidoso e milionário lançamento de sua candidatura.

Como assim? Como não votar no nosso herói?, se perguntam as vestais da moralidade. Em reação, os indignados com os que se indignaram nos verões passados ressuscitam a Lei Pelé, artigo único: o brasileiro não sabe votar.

E tome insultos ao eleitor que percebeu o truque morista, ainda que ajudado pelos muitos políticos desafetos que o ex-juiz carreou em sua campanha bonapartista de herói do povo brasileiro.

FALSOS INDIGNADOS

Moro agora sabe que aquelas famílias vestidas de amarelo, os tiozões de bermudas cáqui, dos atos dominicais na Avenida Paulista e que tais, não toparam entrar na sua canoa furada de gari anti-corrupção.

São bolsonaristas e, como tal, estão pouco se lixando para o país corrupto do qual sempre tiraram vantagem. No máximo, adotariam a súmula "é preciso que algo mude para que fique tudo como está', do escritor italiano Tomasi di Lampedusa.

Ou, por outra, corruptos só servem os sintonizados com a nossa ideologia - nenhum prurido em respirar o mesmo ar dos palanques em que estrelam a velha e boa turma do Centrão, de quem a farta literatura dos processos judiciais contam façanhas e livramentos para longe dos efeitos das leis.     

A indignação não era contra a corrupção na vida pública nem por renovação na política, fosse assim, essa gente jamais se ajoelharia no altar de Bolsonaro - um político de gabinete sabidamente corrupto, com 30 anos de carreira estéril.

OVERDOSE DO HERÓI

EMPACAM AS OBRAS DO CENTENÁRIO

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Chuvas e atraso em projetos freiam programa-vitrine de R$ 12 milhões que vai marcar centenário do município
Prefeito Anastácio no canteiro de obras da Avenida Pequizeiro do Arvoredo: pacote de obras ainda não engrenou

Quase seis meses depois do lançamento com muita pompa e circunstância, vai devagar quase parando o programa Avança Manga do prefeito Anastácio Guedes (PT).

O anúncio do programa aconteceu em palanque armado ao lado do Parque Uirapuru, no final de setembro do ano passado e contou com as presenças dos deputados petistas Paulo Guedes (federal) e Virgílio Guimarães (estadual), além de lideranças políticas regionais.

Ali se prometia 'realizações nunca vistas' nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, esporte, lazer, turismo e assistência social.

NINGUÉM SEGURA

Em tom triunfalista, o Avança Manga foi chamado de “o maior pacote de obras, serviços e aquisições da história do município em todos os tempos, com mais de 12 milhões de investimentos”, segundo texto publicado no site oficial do município naquela ocasião.

Entre as obras previstas está a pavimentação de mais 40 ruas de bairros da periferia da cidade e do distrito de Nhandutiba, com recursos orçados em R$ 2 milhões, contratados junto ao banco de fomento de Minas Gerais (BDMG).

Em ordem de grandeza, o segundo maior gasto do Avança Manga destina-se à construção de seis pontes sobre rios que cortam o município (gastos previstos de R$ 1,4 milhão).

Em seguida, constam as retomadas das obras de construção da creche do programa Proinfância no Bairro Tamuá (R$ 1,1 milhão) e a urbanização do Parque Uirapuru (R$ 1 milhão), além da construção de uma quadra poliesportiva na comunidade rural de Espinho, orçada em R$ 960 mil.

ÁGUA NO CAMINHO

Segundo o site apurou, muito pouco desse pacote de obras saiu do papel até agora. Sobrou entusiasmo nos discursos do evento de lançamento, mas faltaram os cuidados prudenciais que evitariam as pedras no caminho do Avança Manga.

Um deles foi o regime de chuvas extraordinário que a região recebeu entre o final do ano passado e início deste 2022.

Vista parcial do transbordo do lago do Parque Uirapuru em janeiro: atraso na retomada da principal vitrine da administração 

A enchente do rio São Francisco fez o lago do Parque Uirapuru transbordar e as fortes chuvas também causaram danos à infraestrutura pública em todo o município, inclusive a quase destruição de uma ponte sobre o rio Itacarambi, na comunidade de São José das Traíras.

TIRA DA PRANCHETA

A Secretaria de Infraestrutura, comandada pelo técnico agrícola Gilson Rodrigues Alves, precisou voltar suas atenções para minimizar os efeitos das chuvas, que bloquearam estradas vicinais, além de destruir trechos de calçamento e outros equipamentos públicos sob gestão do município.

Contribuiu ainda para o atraso nas obras previstas no Avança Manga a demora do corpo técnico da Prefeitura em aprovar os projetos executivos de algumas das principais obras.

A percepção da gestão é que esse núcleo tem sido lento em responder à burocracia que envolve a execução dos projetos da atual administração.

Para tentar superar esse obstáculo, o prefeito Anastácio criou, recentemente, o cargo de engenheiro coordenador (salário de R$ 5 mil) para reforçar o gerenciamento dos projetos de infraestrutura do município.

AGORA VAI?

PROTESTO FECHA ESTRADA EM JAÍBA

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Bloqueio da MG-401 foi pacífico, mas afetou empresas que atuam na região do Projeto Jaíba
Imagens: Sueli Teixeira

Prefeito de Jaíba, Reginaldo Silva (D), negocia com manifestantes o alto. Abaixo, bloqueio na estrada e pose para foto 

Um movimento de produtores rurais e usuários da rodovia estadual Oswaldo Lopes Bandeira, a MG-401, fechou na madrugada desta sexta-feira (18) pelo menos dois pontos da rodovia com pneus e galhos.

O protesto reivindica a manutenção imediata da estrada entre Jaíba e Manga, via MG-401, além do trecho que liga o Entrocamento do DER até Mocambinho, na travessia do Rio São Francisco para a cidade de Itacarambi - pela vicinal LGM-633.

O ato em Jaíba teria sido espontâneo e partiu de usuários da rodovia. O movimento  foi pacífico e teve a supervisão da Polícia Militar, mas impactou a rotina de empresas que atuam no Projeto Jaíba, como a mineradora Vale (que constrói na região o maior parque de energia solar do país), além da Brasnica e o Grupo Saga, que pertence ao atual prefeito de Betim Vittório Medioli (sem partido).

REVOLTA

JUIZ VETA FARRA DO PRECATÓRIO

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 Prefeitura de Manga anula dívida de R$ 85 mil com advogado Fábio Oliva por atuação em defesa do ex-prefeito Quinquinhas
Olha o padeiro entregando pão: Oliva (último à esquerda) nos tempos das vacas magras ministrou curso para Prefeitura de Manga, no mandato de Quinquinhas (ao centro)

O juiz titular da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Manga, Frederico Vasconcelos de Araújo, acatou recurso em que a Prefeitura de Manga pedia a exceção de pré-executividade na ação em que o advogado Fábio Henrique Oliva reivindicava o pagamento  pela Fazenda Pública do município de precatório no valor de R$ 85.608,23.

São réus nessa ação o ex-prefeito de Manga Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto (PSD), e o próprio Fábio Oliva.

Mas o que é um precatório? É o reconhecimento de dívidas por parte de município, estado ou União, após decisão definitiva e irreversível. Nesses casos, a Fazenda Pública é obrigada a pagar ao beneficiário do precatório, que pode ser pessoa física ou jurídica.

Mas por que o município de Manga devia R$ 86 mil a Fábio Oliva, se ele se jactou em outro processo judicial - contra o autor dessas linhas - de usualmente atuar apenas para o "empresário Joaquim Olivaira" e de não ter nenhum vínculo de prestação de serviço com a Prefeitura?

O pagamento é devido pela atução do advogado na defesa do amigo in pectoris Joaquim do Posto, prefeito por três mandatos no município, na ação civil pública em que o então juiz titular da Comarca de Manga João Carneiro Duarte Neto o condenou, em meados de 2017, à perda do mandato, suspensão do direitos políticos e pagamento de multa.

PAGAMENTOS RECORRENTES

Quinquinhas foi denunciado pelo Ministério Público por contratar, na condição de prefeito, a prestação de serviços de travessia no Rio São Francisco entre Manga e Matias Cardoso junto à empresa do qual era sócio majoritário - a Transportes Fluviais Oliveira, dona da balsa Ninfa da Índia.

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Segundo a denúncia, durante os anos de 2008 a 2012, no segundo mandato de Joaquim do Posto, o município de Manga fez pagamentos recorrentes para a empresa do prefeito com dispensa de licitação – o que configura improbidade administrativa.

A condenação, entretanto, foi revertida pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) em novembro de 2019, com o argumento um tanto quanto esquisito de que ele era dono da balsa de 1991 e que o serviço era prestado por outras empresas. O acórdão do TJMG também extinguiu o pagamento da multa determinada pelo juiz de primeira instância João Carneiro Neto. 

Sim, ele era dono da balsa antes de ser prefeito, mas zelasse pelos princípios da administração pública teria evitado contratar uma empresa da qual era dono - especialmente porque havia outras opções para atender ao município. Prefeito probo não contrata empresa da qual é dono. Ponto.    

FICHA SUJA

INIMPUTÁVEL

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Juiz absolve Aécio e Andréa Neves da acusação de corrupção passiva no caso Joesley

Os irmãos Aécio e Andrea Neves, ela, o braço direito do político mineiro na vida pública, inocentados em caso que fez a carreira dele degringolar   

O deputado mineiro Aécio Neves (PSDB) conseguiu escapar do turbilhão que varreu a política brasileira nos últimos anos e que levou muitos políticos para a cadeia. No caso dele, uma conversa de gangster com o empresário Joesley Batista, dono daquela boutique de carnes famosa no mundo todo, a quem pede sem muita cerimônia a doação de R$ 2 milhões para quitar dívidas com advogados.  

A Justiça tem sido madrinha com o Neto de Tancredo que, apesar de impune, vai arrastar por onde for a marca da ignomínia de quem confessou o crime do qual agora se isenta.

Ele tinha atribuído a si a missão de vida de chegar ao Palácio do Planalto, como forma de compensar a imensa tragédia pessoal que levou o avô, Tancredo Neves, à morte - a poucas horas de assumir o cargo de presidente em abril de 1985. 

No Congresso, em jogo de bastidor, eçe conseguiu convencer seus então colegas senadores a lhe aliviar o coro e livrá-lo da cassação.

Aécio é resiliente e vai escapando da Justiça, ainda que a custo milionário com advogados de primeira linha, mas já não é nem sombra do líder que almejava ser e que quase chegou à Presidência da República nas eleições de 2014.

CORRUPÇÃO PASSIVA

O deputado mineiro ganhou sobrevida com a decisão do juiz federal Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal de São Paulo, que absolveu juntamente com a sua irmã, Andréa Neves, e os ajudantes de ordens Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima

Os quatros foram denunciados por corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e tentativa de obstruir investigações.

O inquérito, vale repetir, é consequência da delação premiada em que o empresário Joesley Batista entregou ao Judiciário a gravação de uma conversa que teve com Aécio.

O áudio mostra Aécio implorando por R$ 2 milhões ao empresário goiano, porque estaria com dificuldade para pagar os advogados que o defendem em outros processos da operação Lava Jato.

COMPLACÊNCIA

A ação contra o político mineiro tramitou no Supremo Tribunal Federal até o fim do mandato de Aécio Neves como senador em 2018, quando ‘desceu’ para a Justiça Federal de São Paulo e ao julgamento condescendente e cego a uma série de evidências, por assim dizer, do juiz federal Ali Mazloum.

Digo condescendente porque, na conversa, além de ficar subentendido que o dinheiro era um favor - e não empréstimo como Aécio alegou posteriormente -, ainda há o comentário criminoso do agora deputado ao dizer que mandaria o primo Frederico a São Paulo para receber o dinheiro em espécie porque ele, o primo, seria mais fácil de ser morte caso entregasse a dupla.

O Ministério Público Federal pediu, em mais de uma ocasião, a condenação de Aécio, Andréa, Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima.

VENDA DE IMÓVEL

Ao analisar o caso, o magistrado paulista concluiu que a acusação não demonstrou os atributos necessários para enquadrar o caso no suposto crime narrado na denúncia do MPF.

Não ficou provado que o dinheiro seria repassado a Aécio em troca de sua atuação parlamentar. Além disso, havia a negociação entabulada por Andréa Neves para vender um apartamento da família no Rio de Janeiro ao empresário.

"De acordo com as palavras do próprio colaborador Joesley, a acusada Andrea o procurou com a proposta de venda de um apartamento situado na cidade do Rio de Janeiro, pertencente à sua genitora, tendo em vista a necessidade premente de pagar honorários advocatícios no montante acima mencionado"

VIDA PRIVADA