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UM MÊS PARA ESQUECER

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Março foi o pior mês para prefeito às voltas com a gestão da pandemia. A má notícia é que piora antes da virada para dias mais calmos

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Equipe de combate à covid em ação no interior do município de Januária em 2020: pandemia piora e assusta prefeitos     

O colapso em todo o sistema de saúde do Norte de Minas nas últimas semanas mostrou aos reeleitos e aos marinheiros de primeira viagem o tamanho da encrenca com que terão que lidar ao longo do mandato - ou pelo menos com a crise já contratada para boa parte dos próximos quatro anos.

Na semana mais aguda da crise do mês de março, não havia como transferir doentes em estado mais grave para cidades com melhor infraestrutura de atendimento à saúde. Chegou-se a temer, inclusive, por uma crise no abastecimento do oxigênio medicinal e falta dos remédios imprescindíveis para o tratamento da covid-19 e a intubação de pacientes.

A falta de vacinas em quantidade suficiente para reverter a mortandade e a sinalização do governo federal de que os gordos repasses de verba para auxiliar no combate à pandemia nas proporções que se viu em 2020 não vão se repetir, têm  tirado o sono dos gestores.

VAI PIORAR

O PARADOXO BOLSONARO

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Cegueira ideológica e má gestão da pandemia levam Bolsonaro a enterrar economia que pretendia salvar


O Brasil vai parando aos poucos contra todas as expectativas do bolsonarismo militante. Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro se bate contra as medidas restritivas da circulação de pessoas, inclusive com a presença física em aglomerações - algumas delas de cunho anti-democrático.

Essa era uma luta perdida desde o princípio, como sabíamos os mais racionais. Não há registro no Brasil de verdadeiro lockdown - talvez à exceção de Araraquara -, mas por todo o país governadores decretam limites ao ir e vir das pessoas, com fechamento das atividades não essenciais e feriados fora de época.

Não tomar essa providência, ainda que meia boca, é assumir o risco de ver o morticínio sair do controle.  

O desastre bolsonarista na gestão da pandemia, sua teimosia quanto à vacina e a insistente propaganda de remédios sem comprovada eficácia para a cura da covid vai destruindo dia após dia a atividade econômica que dizia proteger. É o resultado da guerra estúpida contra a ciência e a racionalidade.

Fosse só o tombo no PIB contratado também para este 2021, ainda estava no preço do lamentável engano da maioria que levou o Capetão à cadeira presidencial. Mas não é só.

Brasileiros estão morrendo aos tubos (sem ironia) da morte mais cruel entre todas as formas de tortura possíveis: asfixiados pela falta de leitos de UTI e agora ameaçados de não ter o remédio para curar os efeitos lancinantes da falta de ar.

BOLHA

O presidente está encolhido na bolha de lunáticos que insiste em ver nele o portador da missão messiânica de livrar o país da corrupção. O Brasil patina desde o fatídico junho de 2013, quando as ruas foram invadidas pelo quebra-quebra no Governo Dilma Rousseff, mas chegou ao limite da má sorte em ter alguém com o despreparo de Bolsonaro no pior momento da sua história.

Era caso para impeachment e motivos não faltam. Os populistas, entretanto, têm esse dom de arrastar seus seguidores até a beira do abismo e convidá-los a pular juntos.

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Bolsonaro ainda conta com algo em torno de 20% de aprovação, vinda, mais substancilamente de evangélicos manobrados por donos de supermercados da fé. além da extrema direita recém-saída do armário e decidida a reinstalar uma ditadura militar no país.  

A ameaça real de morrer na porta de um hospital fez com que os donos do dinheiro deixassem sua habitual indiferença para com o país para mandar um recado ao presidente. O manifesto cobra ação e mudança de atitude e deixou o Congresso Nacional, agora sob a direção do Centrão, em inédito frisson.

MINHA GENTE

FORA DE CONTROLE?

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Município registra aumento de 115% nos óbitos por covid em apenas duas semanas
Imagem. S.A

Ambulâncias recolhem pacientes na ala clínica do Hospital de Manga: unidade opera no limite após novo surto da doença

A Secretaria Municipal de Saúde de Manga confirmou na tarde desta quinta-feira (25) a triste marca de 15 óbitos em razão de complicações da Covid-19 no município. O número de mortes causadas pela doença explodiu nas duas últimas semanas. Eram sete registros no dia 10 de março, evolução de 115% nesse intervalo de tempo.  

As vítimas fatais do coronavírus em duas semanas superam os números para a pandemia em todo ano de 2020. A situação ameaça chegar ao descontrole porque o número de casos confirmados também sobe sem parar - de 506 no início do mês para mais de 800 no boletim que a Secretaria de Saúde divulga logo mais. 

Por todo ângulo que se olhe, a situação é desesperadora. A administração municipal radicaliza nas medidas restritivas à circulação, superando, inclusive, as determinações estaduais da chamada Onda Roxa.

As infecções por covid se alastraram e praticamente toda família residente no município convive ou já conviveu com o problema.     

BOA NOTÍCIA 

DEVAGAR, DEVAGARINHO

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Ex-prefeito de Porteirinha, Silvanei Batista mira vaga na Assembleia Legislativa 

Ex-prefeitos Edmárcio e Silvanei evitam sobrepor projetos políticos para evitar canibalismo de votos e melindres a aliados 

O ex-prefeito de Porteirinha Silvanei Batista (PSB) decidiu seu plano de voo para 2022: vai disputar uma cadeira de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas. 

Silvanei avalia que precisa dar “um passo de cada vez”, diferentemente do projeto do também ex-prefeito de Matias Cardoso Edmarcio Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), que vai buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. 

Os dois estão temporariamente na planície dos sem-cargos eletivos, após cumprirem dois mandatos nos seus respectivos municípios. De forma inusual para mandatos consecutivos, ambos saíram do cargo com bons índices de aprovação e reconhecimento regional a convalidar suas pretensões.       

SEM CHOQUES

A LAMBANÇA DE ARLEN NA BR-135

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Ao devolver gestão da rodovia para União, deputado impede inclusão do trecho Manga-Itacarambi nas obras do acordo Zema-Vale

Audiência de Arlen e seus satélites com o ministro Tarcísio em junho de 2019. Quase dois anos se passaram e nada avançou para o asfalto da BR-135 

Convicto de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 havia deixado orfã a bandeira da obra da pavimentação do trecho de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas, o deputado estadual Arlen Santiago (PTB) se arvorou a pai do asfalto.

Arlen apostou todas as suas fichas no governo-tampão do ex-presidente Michel Temer (2016/2018) para a retomada do asfalto, mas nada aconteceu. Foi no governo Temer, por sinal, que a obra voltou para o domínio do governo de Minas.

Posteriormente, o deputado mudou de mala e cuia para o bolsonarismo, sempre com a promessa de que a obra estaria prestes a sair. Não saiu.

A Lei Arlen, iniciativa meio tosca que devolveu o mando da estrada para o governo federal, foi publicada no diário oficial 'Minas Gerais' há quase quatro meses, no início do mês de dezembro, com a sanção do governador Romeu Zema (Novo). Horas depois, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, comemorou numa rede social a federalização da BR-135.

ENGATOU MARCHA-A-RÉ

O ministro Freitas sinalizava ali que a liberação de recursos pelo governo federal para o asfaltamento da rodovia era favas contadas, mas, até agora, nada aconteceu.

"A tão pedida pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi avançou autorização da Assembleia mineira para a federalização. Aguardamos sanção para licitarmos a obra. É o único trecho da 135 em MG ainda não pavimentado", escreveu o ministro. A sanção saiu e nada do ministro licitar o asfalto da estrada.


 Arlen Santiago, ao microfone, em reunião com diretório do PT em Matias Cardoso na pré-campanha municipal de 2020

O ativismo de Arlen, no entanto, pode atrapalhar mais do que ajudar na construção do asfalto, obra que os mineiros do extremo-norte esperam há mais de 50 anos e que ganhou algum impulso durante os governos petistas no governo federal.

Explico. Segundo o deputado federal Paulo Guedes (PT), o asfalto entre Manga e Itacarambi ficou de fora do plano ‘Mobilidade’ do Programa de Reparação Socioeconômica do Estado justamente porque Arlen Santiago havia convencido a Assembleia Legislativa mineira a aprovar com status de urgência urgentíssima a transferência da gestão da estrada para o governo Bolsonaro, leia-se, para a União.

BR-135 FORA DO ACORDO VALE

BALADA INSANA

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Servidor que participou de festa clandestina em Manga pode responder a processo administrativo
Imagem: reprodução site da AmamsAcesso para a ala ambulatorial do Hospital de Manga: ala covid lotada e flagrante de festinha com servidores da saúde no final de semana

[ATUALIZADO] - O fim de semana foi corrido para a cúpula da administração municipal em Manga. O bate-cabeça começou depois que um vídeo que mostrava servidores da saúde local e do único hospital do município supostamente participando de balada privada em uma residência no Bairro Arvoredo, na periferia da cidade.

Algumas das pessoas envolvidas negam a atualidade do vídeo de apenas 27 segundos na versão que circulou pelo Whatsapp, e mostra cerca de 12 pessoas aglomeradas em torno de uma mesa de madeira. Algumas delas dançam ao ritmo de uma música que sai das caixas de som adaptadas no porta-malas de um Celta, enquanto outras conversam, comem e bebem.

Ninguém usa máscara e esse fato tem sido usado como argumento na tentativa de provar que a denúncia é improcedente. 

Segundo o site apurou, parcela dos participantes são servidores municipais, alguns deles lotados na Secretaria de Saúde. A suspeita é que uma agente política também vinculada à saúde teria participado do convescote. Dona de cargo eletivo, a técnica em enfermagem não aparece na gravação e aqui se concede o benefício da dúvida - embora circulem áudios dando conta da sua participação na folia fora de hora. 

A balada da saúde chegou ao secretário de Administração, Júnior Magalhães, ainda na tarde do sábado, por meio de denúncia anônima, que teria sido confirmada pela Guarda Municipal após batida no local. Magalhães publicou o assunto em uma rede social, dando conta que a central de denúncias criada pelo município havia sido alertada sobre a festança. 

INDIGNAÇÃO

Em áudio, o procurador do município, Reginaldo Rodrigues, diz que a administração não pode agir em relação aos funcionários da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, mas garante que vai notificar todos os servidores municipais envolvidos no caso para apresentarem defesa formal sobre o assunto.  

Diante do escândalo, mais um para uma administração que mal começou, a Prefeitura de Manga foi obrigada a se manifestar. O Hospital local está com lotação máxima para os 16 leitos de tratamento da covid-19 e a cidade enfrenta medidas de restrição ao funcionamento de atividades comerciais.

A administração municipal vem em nota manifestar repúdio diante do ocorrido ontem, sábado (20), quando foi divulgado por meio das redes sociais, aglomerações clandestinas na nossa cidade. A Prefeitura de Manga tem todos os dias lutado para garantir melhores condições de tratamento para os casos de covid-19 em nosso município, como o plantão do Centro da Covid-19 aos Domingos, aumento nas equipes de monitoramento, aquisição de mais testes rápidos e insumos, medidas mais restritivas por meio dos decretos, tudo para coibir o avanço do vírus em nosso município”, diz a nota oficial. 

A festinha dos servidores provocou uma onda de indignação da população, que é diariamente exortada a ficar em casa pela gestão municipal. A festinha dos servidores abala a credibilidade das autoridades sanitárias em comandar o esforço da sociedade local para impedir o atual surto de contaminação pelo coronavírus.  

SANÇÕES

A AMBIÇÃO DE EDMÁRCIO 

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O ex-prefeito de Matias Cardoso, Edmárcio Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), sonha alto. Animado com a boa aprovação à sua recém encerrada gestão de dois mandatos, decidiu disputar uma das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados nas eleições do ano que vem. 

A meta, claro, é ambiciosa. Matias tem cerca de 6,6 mil eleitores e dificilmente daria suporte a uma empreitada desse porte. Edmárcio não tem 100% desse eleitorado, mas avalia, contudo, que pode ampliar a plataforma de lançamento da futura candidatura para cerca de 16 municípios da região da Serra Geral de Minas - entre eles Janaúba, Jaíba e Porteirinha. 

O argumento é de que lideranças locais estariam dispostas a fechar com um nome identificado com as causas e reivindicações locais. Edmárcio imagina que pode ampliar para 50 municípios o escopo da sua candidatura. A meta é conquistar votação em torno de 50 mil votos - o que pode garantir sua vitória pelo Avante.

META OUSADA

MANGA COLAPSOU

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Hospital  recusa pedidos de transferência de pacientes após Ala Covid atingir lotação máxima

Ouro engarrafado: Funcionários do Hospital conferem estoque de oxigênio medicinal. Abaixo, Saruga e o médico Amaro Neto recebem nova carga do insumo

Oxigênio medicinal no estoque prudencial, ameaça de falta de insumos e medicamentos no médio prazo, além de profissionais da saúde no limite das suas forças. Essa é a situação do único hospital do município de Manga.

A unidade é responsável pelo atendimento semi-intensivo de pacientes com diagnóstico de covid da microrregião formada por seis municípios (Manga, Montalvânia, Miravânia, Juvenília, Matias Cardoso e São João das Missões).

Mesmo após receber carga extra de oxigênio medicinal na tarde deste sábado (20), o estoque do hospital é de apenas 37 cilindros do produto - o que garante autonomia para, no máximo, três dias.

A unidade oferece 16 leitos para atendimento na área de isolamento para pacientes convalescentes da covid-19. Todos eles estão ocupados desde o final da tarde da sexta-feira (19). O consumo diário do oxigênio subiu para 17 cilindros/dia nesta semana, após a Ala Covid operar em sua capacidade plena.

REMOÇÕES NEGADAS

Tecnicamente, o hospital de Manga, que não oferece leitos de UTI, já entrou em colapso e só aceita novos pacientes com quadro confirmado para a covid em caso de alta da internação ou remoção dos casos mais graves da doença para outros municípios.

Os pedidos de remoção têm demorado mais no sistema de regulação ou simplesmente são negados porque todos os hospitais de referência para o atendimento ao Sars-Cov-2 da região enfrentam dificuldades parecidas com o caso de Manga.

EXCLUSIVO COVID

O presidente da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, Edilson Silva Pinto, o Saruga, decidiu suspender temporariamente os demais atendimentos em Manga e encaminhar os pacientes para o município vizinho de Montalvânia, medida definida no Plano de Contigências definido há quase um ano pela Gerência Regional de Saúde de Januária.

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A GRS Januária foi informada da emergência e deve decidir nas próximas horas a elevação do Hospital de Montalvânia ao status de retaguarda, o que na prática define a unidade como auxiliar no atendimento de casos clínicos que chegam em Manga, mas que precisarão ser redirecionados para a força-tarefa de tratamento à covid.

INSUMOS

A principal preocupação dos gestores da saúde em Manga é com a possibilidade de faltar o oxigênio para uso hospitalar. Há registro da falta de insumos em todo o país.

Segundo Saruga, que foi diagnosticado com covid-19 na última sexta-feira e está em isolamento domiciliar, o que está faltando são os recipientes para estocar o gás em ambiente de hospital. Não há cilindros disponíveis para a demanda pelo produto, que disparou nas duas últimas semanas em Minas Gerais.

A boa notícia em meio a tanto susto e ameaças à segurança sanitária da população é que a Fundação Hospitalar de Manga dispõe de bom estoque dos medicamentos para tratar os pacientes infectados como coronavírus.

Não há risco no radar para a falta de antibióticos, sedativos e os bloqueadores utilizados nos casos de infecção pulmonar mais críticos, em que o paciente precisa receber ventilação mecânica.

CADÊ O PREFEITO? 

No meio desse barulho todo, o prefeito Anastácio Guedes (PT) anda sumido e se limita a falar do assunto em suas redes sociais com alertas protocolares para que a população obedeça às restrições da Onda Roxa, iniciativa do governo estadual que impõe limites à circulação de pessoas e proíbe o funcionamento de atividades não essenciais.

O silêncio de Anastácio já começa a assanhar a oposição local. Para não dizer que não em flores, o prefeito pediu à Câmara Municipal na semana passada autorização para abrir crédito suplementar no orçamento do município para a compra de vacinas com outros entes federativos.

Aprovado em regime de urgência urgentíssima pelos vereadores, o projeto é uma trapizonga sem pé nem cabeça que não define de quanto será o gasto com a compra de vacinas nem indica como isso vai se dar. Vacinas, como sabem aqui os meus três leitores, não estão disponíveis no mercado da esquina. No dia e quando essas vacinas chegarem - e se chegarem - talvez não se tenha mais o qu fazer. 

NOVA POLÍTICA É SEPULCRO CAIADO

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Delegado Marcelo é indiciado em inquérito que apura suspeita de caixa 2 nas eleições de 2018

Indiciado pela Polícia Federal, deputado Delegado Marcelo faz selfie sorridente ao lado de Bolsonaro 

Nada como um dia atrás do outro. Caiu como uma bomba no mundo político norte-mineiro a notícia publicada pela coluna Painel da Folha de S. Paulo dando conta que o deputado federal em primeiro mandato Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) foi indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de ter praticado crime de caixa dois na campanha eleitoral de 2018.

Não era para menos. Bolsonarista de quatro costados, a antiga vestal da moral e bons costumes na política, o policial federal implacável com prefeitos corruptos de tempos atrás, esse varão de Plutarco incorruptível e impávido como um Bruce Lee, quem diria, mudou de lado no balcão da política, não para depurar as práticas que corroem a coisa pública nacional, mas, supostamente, para se juntar aos meliantes de gravata que outrora combatia. 

Um entre muitos exemplos para morrer de rir, não fosse trágico, porque abala toda e qualquer esperança que o eleitor ainda guardasse em seus heróis com pés de barro e mitos de araque, aqueles disfarçam com mentiras suas incompetências e sociopatias e que jogaram o país no fosso mais profundo da sua História.   

NÃO É POUCA COISA

A investigação sobre o caixa 2 de Marcelo Freitas já chegou na fase do relatório final, enviado ao Ministério Público de Minas Gerais, a quem agora cabe decidir se apresenta ou não denúncia contra o parlamentar. A peça corre em sigilo de justiça. 

A investigação, por óbvio, não indica a culpa do Delegado Marcelo. Caixa 2 não é exatamente o tipo de crime que tira o sono de políticos no Brasil. Mas não é pouca coisa o fato de que alguém que se apresentava contra esse tipo de prática ter sua campanha eleitoral na mira da instituição que tanto se gaba em pertencer. 

Marcelo Freitas é  delegado licenciado da Polícia Federal e formava, até outro dia, no movimento lava-jatista, a iniciativa comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro para varrer a corrupção do mapa do país e que deu no vemos. Vale para Freitas o que valia para a mulher de César, a quem não bastava parecer honesta. 

NÃO PASSOU EM BRANCO

A notícia do indiciamento de Marcelo Freitas quase passa despercebida em meio ao pandemônio que tomou conta do Norte de Minas com o colapso dos sistemas de saúde. 

Mas, em tempos de redes sociais, nada passa incólume. Um dos desafetos do deputado-delegado, o empresário multimilionário e ex-prefeito de Montes Claros Ruy Muniz (sem partido) não deixou por menos.

O entorno de Ruy turbinou a notícia nas redes, embora os jornais do grupo tenham optado por não dar destaque ao assunto, que bombou mesmo foi em grupos de Whatsapp - invariavelmente com demonstrações de assombro ante a máscara de bom-mocismo do delegado que virou político. 

FALA FREITAS: 'VAZAMENTO ILEGAL'

DEU RUIM E PODE PIORAR

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Secretária de Saúde diz que há “risco iminente” de falta de medicamentos e insumos hospitalares em Manga

Quando topou assumir o cargo de secretária de Saúde de Manga, a vice-prefeita Cassília Rodrigues (PSB) sabia das dificuldades que a empreitada representaria em meio à maior crise sanitária já enfrentada pelo país. Mas nem no pior cenário imaginado, ela poderia prever que a situação se agravaria tão rápida e letalmente. 

O número de óbitos provocados pela covid dobrou desde a posse de Cassília no dia 1º de janeiro. Eram seis na virada do ano e agora somam 12. Já a quantidade de pessoas infectadas pelo vírus saltou de 362 diagnósticos em janeiro para 655 agora. A explosão do número de contaminados, claro, impacta o sistema de saúde local.      

O que já está ruim, pode piorar. Segundo a Cassíia, o município enfrenta risco iminente de desabastecimento de medicamentos e de insumos hospitalares - caso dos cilindros de oxigênio medicinal, que o site mostrou com exclusividade aqui. 

PREÇOS DISPARAM