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O LONGA MANUS LACERDISTA NO SAMU

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Em judicialização sem fim, magistrado anula votos da chapa vencedora e manda segundo colocado assumir Samu 192

Imagens: Reprodução do Portal Samu 192
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No alto, momento em que Marcelo Meireles deposita seu voto na eleição na eleição do Samu. Abaixo, detalhe do local da votação anulada em decisão judicial

[ATUALIZADO] - O juiz Francisco Lacerda de Figueiredo, da 2ª Vara Empresarial e de Fazenda Pública em Montes Claros, declarou, na quinta-feira (4), a nulidade da eleição do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun).

O Cisrun é responsável pela gestão do serviço de urgência e emergências médicas na região macronorte de Minas Gerais, com jurisdição potencial em cerca de 100 municípios.

O prefeito Marcelo Meireles (PSDB), de São Romão, foi vencedor da eleição, com maioria folgada de 36 votos a 23 dos prefeitos aptos a participar do certame.

Decisão judicial não se discute, se cumpre, diz um velho aforismo. No caso de Lacerda não há como perder de vista o fato de que, monocraticamente, sua decisão colide com a vontade expressa por maioria não pequena do colegiado que votou na escolha da nova presidência do Samu.      

PARAQUEDAS

O vencedor Marcelo Meireles recebeu o apoio da aliança insólita entre os deputados federais Paulo Guedes (PT) e Marcelo Freitas (PSL) e era o antagonista à candidatura do grupo liderado pelo deputado estadual Arlen Santiago (PTB).

Os deputados Freitas e Guedes enxergam parcialidade do Judiciário no caso, ainda que no subtexto dessa queda-de-braço figure a contrariedade de ambos com a desenvoltura do multimilionário e deputado Santiago em despejar paraquedistas e pretensos candidatos a deputado federal em 2022 sobre o Norte de Minas durante voos do seu helicoptero Águia Dourada.    

De volta ao magistrado Lacerda, sua decisão saiu dois dias após a eleição no Samu e no bojo do mandado de segurança número 5001384-03.2021.8.13.0433 impetrado pelo prefeito de Claro dos Poções, Noberto Marcelino Neto (DEM), o nome derrotado no pleito após receber apenas 23 votos.

FILME ANTIGO

Noberto Marcelino não é  ator novo na briga de foice no escuro travada pelo controle do Samu 192 entre o grupo de prefeitos comandado via controle remoto pelo deputado estadual Arlen Santiago e, de outra banda, a prefeitada que reza pela cartilha do deputado Paulo Guedes - agora azeitada pela adesão do deputado Marcelo Freitas. 

Há dois anos, a eleição do Cisrun foi motivo de longa briga judicial. O juiz Lacerda teve forte protagonismo naquela ocasião ao deferir, no mais das vezes, as ações que atendiam aos pleitos de Noberto Marcelino na tentativa desesperada de impedir a posse do então prefeito de Porteirinha Silvanei Batista, reeleito para um segundo mandato para a presidência do Samu no início de 2019.

Marcelino perdeu a eleição para Silvanei em condições bastante parecidas com essa nova derrota para Marcelo Meireles - inclusive com a negação da derrota, apesar de lhe faltar a commodity elementar de todo processo eleitoral, o tal do voto.

A briga de Noberto de dois anos atrás deu em águas de barrela e Silvanei conseguiu cumprir o mandato. Agora, a judicialização é para impedir a posse do prefeito Marcelo Meireles, numa briga iniciada ainda no final do ano passado.

INTERVENÇÃO

No início do mês janeiro, uma liminar lançada pelo juiz Francisco Lacerda mandou cancelar o processo eleitoral no Cisrun, sob o argumento de que a comissão eleitoral presidida por Silvanei Batista não cumpriu o interstício de 20 dias entre o lançamento do edital e o dia efetivo da eleição.

O troço era claramente uma minudência, com todo jeito de chicana por parte do derrotado Noberto Marcelino, mas o juiz considerou que o dia do lançamento do edital não pode contar para o prazo estatutário entre o lançamento desse mesmo edital e o dia da eleição propriamente dito.

Mas até aí morreu o Neves: o juiz cancelou a eleição que estava prevista inicialmente para o dia 12 de janeiro e determinou nova data para o pleito: este último 1º de fevereiro. O Cisrun refez o edital nas condições especificadas pelo magistrado - com novo prazo, de inscrição previsto para 16 de janeiro - e a banda tocou em frente.

O prefeito Meireles ao lado dos apoiadores Paulo Guedes e Marcelo Freitas

LACERDA X LACERDA

VAI TER IMPEACHMENT?

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Movimento pela queda do presidente arrefece após acordo com o centrão e vitória na eleição das casas congressuais
(Reprodução da imagem de Isac Nóbrega/Presidênciada República)


A oposição mal havia retomado um arremedo de manifestações nacionais em forma de carreatas contra os desmandos do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas, quando se viu obrigada ao recuo - temporário, pelo menos. O movimento agora arrefece com o tratoraço que o governo conseguiu imprimir na eleição das duas casas congressuais.

Bolsonaro jogou pesado na eleição dos aliados Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente os novos presidentes e mandachuvas da Câmara dos Deputados e Senado Federal. Foram vitórias folgadas e que confirmam o gosto dos parlamentares pelo velho e péssimo clientelismo.

De certa forma, o rio da política brasileira volta ao seu leito costumeiro do fisiologismo na relação entre os poderes executivo e legislativo após o sonho da noite de verão do combate à corrupção que animou a disputa presidencial de 2018.

Bolsonaro prometia romper com os acordos com os deputados, mas se viu obrigado a entregar muito dos anéis do poder presidencial para não perder a prerrogativa de ficar no poder até o final do atual mandato.   

Com a vitória dos aliados no Congresso Nacional, o bolsonarismo segue politicamente mais forte para a segunda metade do mandato, com clara soberania sobre o bate-cabeça de uma oposição até agora confusa com os efeitos do rolo compressor que colocou de pernas para o ar a cena nacional em 2018.

Perdidos, os principais líderes oposicionistas seguem incapazes de se entender em bases mínimas para reagir aos despaupérios de Bolsonaro na Presidência da República - exceto pelas já cansativas notas de repúdios e os despachos de vídeos enraivecidos via redes sociais.

Antes das carreatas, se ensaiava também o retorno do bate panelas noturno nas principais cidades do país - iniciativas temporariamente silenciadas pelos últimos acontecimentos.

Nesse cenário, pode até haver - e há - motivos de sobra para se pedir a cassação do pior presidente da História, mas faltam as condições ideais de temperatura e pressão para sua concatenação. Não devem sair das canetas de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco nenhum movimento na direção do impeachment de Bolsonaro sem que haja a pressão das ruas - o que a pandemia muito limita.

A MENOS QUE…

OBITUÁRIO: MORRE HENRIQUE FRAGA

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Presidente da Fundação Hospitalar de Manga faleceu nesta madrugada em Montes Claros, após passar por complicações respiratórias

[ATUALIZADO] O diretor-presidente recém-eleito da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo em Manga, Henrique de Almeida Fraga Júnior, 51 anos, faleceu na madrugada desta sexta-feira (5), em Montes Claros. A Fundação é a entidade mantenedora do único hospital da cidade.

A causa mortis não foi divulgada, mas sabe-se que o estado de saúde de Fraga havia piorado nas últimas três semanas até o ponto da necessidade de remoção de Manga para Montes Claros, onde ele chegou a ser entubado por dificuldades respiratórias.

Eleito para o comando da Fundação Hospitalar no final do ano passado, Henrique Fraga ainda tentava tomar pé da situação da entidade após ser indicado para o cargo pelo prefeito Anastácio Guedes (PT), a quem se juntou nas últimas eleições municipais.

Havia uma expectativa por parte do Podemos, o partido ao qual estava filiado, e do Pros, que ajudou a criar em Manga, de que ele ocupasse a Secretaria de Educação no governo Anastácio. Consta até que o não convite o teria deixado bastante chateado, mas topou assim mesmo assumir a Fundação Hospitalar como uma espécie de prêmio de consolação.

A passagem de Fraga tem sido lastimada desde o início da manhã de hoje por representantes dos diversos segmentos políticos em Manga - o que corrobora suas múltiplas inserções na vida comunitária local. Há, inclusive, depoimentos de lideranças que dizem ter recebido dele mentoria e incentivo para entrar na vida pública. 

"É com muito pesar que recebi a notícia do falecimento do meu amigo Henrique Fraga. Apesar de ter sido 'demonizado' por muitos, que se incomodavam com seu brilho, ele foi um homem de um coração gigante", escreveu o ex-vereador Gil Mendes. A Prefeitura de Manga não havia manifestado suas condolências até a subida deste post. 

POLÍTICA

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

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Candidato a presidente do Consórcio que gere o Samu-192, prefeito Noberto dá mau exemplo a furarr fila da Coronavac

REPRODUZIDO DA REVISTA TEMPO

O prefeito de Claro dos Poções, Norberto Marcelino (DEM), tomou a vacina contra a covid-19, fora dos grupos prioritários da primeira fase do plano de vacinação.

A informação foi confirmada pela enfermeira que aplicou o imunizante no chefe do executivo municipal. “O prefeito tomou porque ele está na área da saúde”, justificou a enfermeira Solange Costa Ferreira Soares, que trabalha no setor de imunização.

De acordo com nota emitida pela prefeitura, no dia 22 de janeiro, foram disponibilizadas 46 doses da vacina para o município no primeiro lote, o que garantiu a imunização de 23 pessoas.

A enfermeira disse que apenas alguns dos profissionais da saúde que trabalham na rede de urgência e emergência foram vacinados e que a vacina não tinha sido suficiente para todos aqueles que estão na linha de frente.

"ELE É MÉDICO"

Ao afirmar que o prefeito tinha se vacinado, ela foi questionada se ele exercia a profissão na cidade. “Ele é médico, foi por isso que ele tomou. Ele é prefeito e  médico”, disse.

 A funcionária acrescentou, ainda, que Norberto Marcelino atua como médico no setor público da cidade. “Ele exerce a profissão na própria unidade de saúde”.

Além disso, Solange afirmou que o prefeito estaria no grupo de risco. “Está na linha de frente, sim. Porque ele atua na área”.

FURA FILA

QUANTO CUSTA A MAIS-VALIA?

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Baixa remuneração dificulta montagem da equipe de governo em Manga

Vista parcial da área central da cidade com o prédio da Prefeitura em primeiro plano  

O prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT), encontrou uma dor de cabeça a mais nessas três primeiras semanas após a posse no cargo: enfrenta dificuldades para compor cargos do segundo escalão por conta da baixa remuneração prevista para várias dessas funções.

Os principais gargalos são os cargos de procurador do município (ocupado pelo advogado Reginaldo Rodrigues), procurador da Fazenda (o advogado Edilson Pinto, o Saruga, tem assento na vaga) e a função de controlador interno (assumida por Paulo José Cordeiro).

Os vencimentos brutos previstos para essas três funções variam entre R$ 3,5 mil a R$ 3,7 mil, bem abaixo do valor de mercado e irrisório até mesmo para o padrão médio de prefeituras da região.

Além de serem baixos, esses salários não foram reajustados nos últimos oito anos.

O problema não é novo. Quando assumiu o município para o primeiro mandato em 2013, Anastácio enfrentou as mesmas dificuldades, mas, naquela ocasião, optou por pagar adicionais na forma de gratificações. A estratégia foi contestada judicialmente pela oposição, mas não há, até agora, decisão sobre o processo - nem mesmo em caráter liminar.

TEM O DEDO DELE

A baixa remuneração para funções públicas em Manga tem a digital do ex-prefeito Quinquinhas de Quinca de Otílio, o Joaquim do Posto Oliveira (PSD), que implantou o plano de cargos e salários do município durante seu segundo mandato (2009/2012).

Irmão do prefeito Anastácio Guedes, o deputado federal Paulo Guedes diz que é quase impossível montar boas equipes de governo com salários tão baixos e critica o ex-prefeito Quinquinhas, que teria levado para a gestão pública o espírito da mais-valia (o conceito capitalista em o empresário paga ao funcionário montante sempre abaixo do real valor pelo seu trabalho).

STATUS DE SECRETARIA

JANUÁRIA VOLTA AOS TEMPOS DE CRISE

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Novo prefeito diz que tinha "baixa expectativa" em relação a antecessor que foi “cruel e irresponsável” ao não pagar salários de dezembro

Prefeito Maurício Miranda no vídeo em que explica a crise do atraso nos salários em Janária

O entusiasmo com a vitória avassaladora do prefeito Maurício Almeida do Nascimento (PP) em Januária cedeu lugar para o inevitável choque de realidade. O prefeito Almeida administra - e mal - a primeira crise do seu governo ao se recusar a pagar os salários de dezembro, no valor atribuído de R$ 3 milhões.

O assunto começou a ganhar repercussão negativa nas redes sociais e obrigou o prefeito a colocar a cara na janela - mas com certo atraso, quando o que já estava patente era a versão incorreta de que a nova administração não honraria as dívidas do seu antecessor.

Em vídeo gravado na quinta-feira (21) para se posicionar sobre o imbróglio, Maurício Almeida informou que a prioridade é o pagamento da folha de pagamento do mês de janeiro e que a dívida deixada pelo antecessor Marcelo Félix Araújo (Republicanos), o Dr. Marcelo, vai ficar para dia incerto e não sabido - a depender da sobra de recursos no caixa.

HERANÇA MALDITA

Maurício Almeida não poupou o antecessor Marcelo Félix, a quem classifica como “cruel e irresponsável” por não ter quitado o pagamento dos servidores do mês de dezembro, o último sob o comando da gestão anterior. 

"Herança a gente não escolhe. Só que, diante de tanta bagunça, deixada nas contas públicas pela gestão passada, que não honrou a folha da Prefeitura, achei um gesto de crueldade e extrema irresponsabilidade", reclama o prefeito Maurício em vídeo espalhado pelas redes sociais.

O prefeito Maurício diz que tinha "baixa expectativa em relação à dignidade da administração" do Dr. Marcelo, mas diz que se surpreendeu com o que encontrou ao tomar posse.

Aqui o prefeito Maurício segue o velho roteiro de decretar o estado de terra arrasada, mas o efeito dessa nomeação de culpa costuma ser passageiro. Não demora para o povo esquecer o ex-prefeito Marcelo e a batata quente cair em definitivo nas mãos do vencedor. 

IMPAGÁVEL

A reação do atual prefeito veio um pouco tarde, porque a crise já estava instalada. O atual prefeito diz ter encontrado apenas R$ 154,4 mil para honrar compromissos superiores a R$ 3 milhões. Só com o funcionalismo.

A dívida do município para com a Prevjan, o instituto de previdência dos servidores, por exemplo, já avança para a impagável casa dos R$ 100 milhões.

ESTRAGO
O prefeito Maurício diz que não dispõe de saldo para bancar todo “o estrago” que herdou do governo anterior, mas que já tomou providências de cortes de despesas que vão gerar retorno, no médio prazo, que possibilitarão honrar as dívidas da tal herança maldita.

O site apurou que a queda de braço entre a nova gestão e o funcionalismo tem uma razão: o prefeito Maurício avalia que não tem como pagar os salários atrasados antes de garantir a quitação da folha de janeiro, que é de sua responsabilidade direta.

DEIXA FICAR PRA VER COMO É QUE FICA

O CIRCO EM CORIBE

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Bolsonaro vai à Bahia inaugurar trecho da BR-135 que estava praticamente pronto quando assumiu o governo

Na Bahia, Bolsonaro promete impedir que estrangeiros comprem terra no país

Bolsonaro e comitiva na visita à cidade de Coribe para entrega de trecho da BR-135

O trecho de 67 quilômetros da BR-135 entre Coribe e Cocos, no Oeste Baiano, inaugurado nesta quinta-feira (21) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é das poucas obras herdadas de administrações anteriores a que o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) ainda pode recorrer para salvar o desgoverno federal da total inação.

O ministro Tarcísio de Freitas, por sinal, atuou no Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) durante o governo Dilma Rousseff e, por isso, conhece o ‘mapa do tesouro’. Freitas virou o ‘darling’ de Bolsonaro ao se tornar o único ministro com alguma entrega - ainda que de governos passados - a oferecer para que o presidente monte o seu teatro de falsa eficiência.

COLHEITA SEM PLANTIO

Quem não planta, por óbvio, não tem o que colher. Bolsonaro foi à Bahia inaugurar uma estrada cujo projeto foi lançado em 2010 - o de recuperar a extensão da estrada federal que liga Belo Horizonte a São Luís do Maranhão. O edital para as obras na Bahia foi lançado há seis anos, ainda no governo Dilma Rousseff, pelo Dnit.

As obras no Lote 4 da BR-135 entre Cocos e Coribe foram iniciadas em fevereiro de 2017, já no governo Michel Temer - com previsão de término ainda naquele ano e gastos contratados de R$ 101,2 milhões. A obra está pronta há um bom tempo e falo com precisão porque sou um usuário frequente da rodovia.

Para não ser injusto com a atual gestão, é preciso dizer que alguns serviços de reaterro e execução pluvial foram realizados nos últimos dois anos.

O que o governo de turno realmente pode ter inaugurado foi o acesso norte a Coribe - onde a BR-135 ganhou pista dupla e projeto de iluminação. De toda forma, na gestão da coisa pública a inauguração compete a quem está no cargo, tenha mérito ou não o seu governo. Há colheitas sem plantio

ZÉ DE CORIBE

A visita à Bahia era prometida desde setembro do ano passado e sempre adiada. Coribe é mandiocal do deputado federal José Rocha (PL-BA), que, por sinal, ganhou generoso espaço para longa fala no palanque montado nesta manha na cidade que chama de ‘capital do mundo’ - e aqui já se tem a falta de noção do parlamentar.

Um dos filhos do deputado baiano, Manuel Rocha (PR), deixou o comando do município há três semanas, após cumprir dois mandatos como prefeito. Aos olhos de quem atravessa a pequena Coribe, o destaque fica por conta da urbanização e sinalização das vias da cidade. Além do agronegócio, o município tem receitas extras vindas da mineração.

ESTRADA INACABADA

De volta à BR-135, o presidente Bolsonaro e seu ministro da Infraestrutura frustraram as expectativas de lideranças regionais ao não cravar a pavimentação da BR-030, que liga Carinhanha a Brasília.

Também era esperado um anúncio mais contundente da retomada imediata da finalização da pavimentação entre Cocos e a divisa com o estado de Minas Gerais.

Há um trecho de cerca de 10 quilômetros abandonado há pelo menos uma década pela construtora responsável pela obra na região do Rio Itaguari. Duas pontes e o asfalto naquele ponto ficaram sem conclusão - o que obriga os usuários da BR-135 entre os estados de Minas e Bahia a passar por um maltratado desvio.

DERROTAS

BASTIDORES: TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO

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Município sede de reserva indígena fica com 74% das vacinas destinadas à microrregião de Januária

Prefeito Jair Xakriabá, de máscara preta e já imunizado, discursa na tenda montada para receber as primeiras doses da vacina contra a covid-19

[ATUALIZADO] - O município de São João das Missões, no extremo Norte de Minas, ficou com 73,6% das 14.080 doses da vacina Coronavac distribuídas esta semana pelo Governo de Minas para os 25 municípios sob jurisdição da Gerência Regional de Saúde de Januária.

O município, que é sede da reserva indígena Xakriabás, recebeu uma primeira tranche de 5.186 doses da vacina e deverá receber a mesma quantidade daqui a duas semanas. 

Na prática, de cada quatro doses da Coronavac destinadas para a GRS Januária, três serão enviadas para São João das Missões. Das 14.080 doses recebidos ontem pela GRS, 10.372 serão aplicadas naquele município.

Segundo a GRS Januária, a população residente nos 25 municípios é de 406 mil habitantes. A distribuição de quase 75% das doses para apenas um município da microrregião gerou muita insatisfação entre os secretários de saúde - que esperavam uma divisão mais equânime do imunizante, mesmo respeitadas as prioridades estabelecidas pelo governo estadual.

Com população estimada de 13 mil pessoas (70% delas de remanescentes da etnia indígena Xakriabás), São João das Missões ficou, sozinho, com três quartos do total de doses da vacina contra a covid-19 e deverá vacinar cerca de 20% dos seus habitantes - um luxo, quando se considera que a média de pessoas vacinadas no país durante esta primeira etapa de imunização não deverá chegar a 3%.

PRIVILÉGIO

Ciente do privilégio que as circunstâncias e os critérios de repartição das doses da Coronavac lhe concederam, o prefeito Jair Cavalcante Barbosa, o Jair Xakriabá (Republicanos), montou uma tenda com balões em azul e branco em praça pública para bater-bumbo no lançamento da campanha de vacinação no âmbito local na tarde da terça-feira (19).

Tabela com a distribuição das vacinas repassadas aos 25 municípios da microrregião de Saúde de Januária (Fonte: GRS)

Para se ter ideia da disparidade na distribuição das vacinas, o município de Itacarambi, ali do lado, recebeu apenas 36 doses da vacina nessa primeira leva. 

Na divisa oposta, Manga, com população de 18,4 mil habitantes, ficou com apenas 180 doses - suficientes para a cobertura de 90 pessoas, já que a vacina chinesa demanda duas aplicações para que tenha eficácia garantida em 50,4% dos casos. 

SUA PARTE NESSE LATIFÚNDIO

Brasília de Minas foi contemplada com o segundo maior número de doses (535), seguida por São Francisco (380) e Januária (262). Os municípios de Campo Azul e Patis receberam apenas 13 doses da Coronavac cada um. Ibiracatu, Juvenília e Pintópolis tiveram direito a 15 aplicações. 

“Nosso município vive um momento histórico. Tivemos o privilégio de receber um número maior de doses, porque temos pessoas de alto risco, inclusive os 70% dos indígenas que se enquadram nesse critério”, discursou Jair em vídeo distribuído nas redes sociais.

Jair Xakriabá foi uma das primeiras pessoas a se imunizar em São João das Missões, prerrogativa que a condição de inídigena lhe confere. A fila de prioridade inclui ainda profissionais de saúde na linha de frente do combate à covid, além dos idosos em situação de asilo.

O prefeito quer aplicar as cinco mil doses do imunizante e recomendou, duranta sua fala na cerimônia de lançamento da campanha de vacinação, à população local para que não se deixe levar pelas campanhas anti-vacina que circulam nas redes sociais.

NÃO GOSTEI

A 1ª DOSE DA VACINA COVID VAI PARA…2

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Enfermeira é primeira pessoa vacinada com a Coronavac na regional de Saúde de Januária presta homenagem à colega vítima da doençaPRIMEIRADOSEMOSAICO.jpg - 217,50 kB

A enfermeira Ana Luiza Reis recebe a primeira dose da vacina contra a covid na microrregião de Januária: homenagem à xará Ana Luíza Sales, vítima da doença

A primeira pessoa a receber a vacina chinesa Coronavac nos 25 municípios que formam a microrregião da Gerência Regional de Saúde de Januária foi a enfermeira Ana Luiza Carvalho Reis, 28 anos, que atua centro de referência do Covid, em Januária.

Ana Luiza foi vacinada no final desta manhã com uma das 14.080 dose repassadas pelo governo de Minas na manhã desta terça-feira. Para surtir efeito, a Coronavac demanda duas aplicações, com intervalo mínimo de 15 dias entre elas. 

Além de ser uma profissional da linha de frente no combate à Sars-Cov-2 em Januária, a escolha de Ana Luiza Carvalho Reis é uma homenagem que o município presta à uma homônima sua, a também enfermeira Ana Luíza Sales Bernardino, 30 anos, uma das vítimas da covid-19 no município, cuja morte, no final do mês de outubro, causou grande comoção na cidade.

ATIVISMO

E A 1ª DOSE DA VACINA COVID VAI PARA...

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Em tom ufanista, Januária recebe 14 mil doses da Coronavac destinadas à microrregião com 25 municípios e 406 mil habitantes

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O prefeito de Januária, Maurício Almeida (camisa azul), faz pose de 'pau pra toda obra' durante chegada dos isopores com a vacina anti-Covid na cidade 

Com menos de 20 dias no posto, o prefeito de Januária, Maurício Almeida (PP), já mostrou que não veio para perder a foto. Almeida rumou cedo para o aeroporto de Januária e estava a postos para receber o ‘isopor’ com as 14.080 doses da vacina CoronaVac que o governo mineiro destinou para a Gerência Regional de Saúde de Januária, responsável pela gestão da saúde em 25 municípios do extremo Norte de Minas - com população estimada de 406 mil habitantes.

Almeida saiu do aeroporto de Januária direto para o encontro de logo mais com o governador Romeu Zema (Novo), que finalmente dará as caras na região. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Januária, a decisão sobre o início da campanha de vacinação na microrregião só acontece depois do encontro com Zema, que deve reunir cerca de 30 prefeitos do Norte de Minas. 

Durante o trajeteo para Montes Claros, o prefeito Maurício gravou um vídeo ao lado do motorista do carro oficial em que demonstrou esperança de trazer no porta-mala, logo mais, alguns milhões para obras em Januária.

De volta a Coronavac, as doses da vacina serão refrigeradas até o momento da distribuição para os municípios da região, prevista para começar ainda hoje - ou, no máximo, na quarta-feira. Serão imunizados (em duas doses) cerca de 7 mil moradores do extremo norte-mineiro.

Segundo a Gerência Reginal de Saúde de Januária, os 25 municípios da região têm até agora 4.406 casos confirmados para a Sars-Cov.2, com 95 óbitos registrados. O número de recuperados da doença é de 4.018 pacientes.

Na lista de prioridades estão profissionais de saúde na linha de frente de combate ao covid, idosos em instituições de longa permanência, pessoas com deficiência e a população indígena mineira.

GOTA D’ÁGUA

O leitor que se der ao trabalho de fazer uma conta de padeiro vai perceber que a vacinação no Brasil é uma gota d’água (sem trocadilho) ante um oceano de brazucas que dela depende para voltar à normalidade de suas existências.

Para a maior parte da população, o risco real é de ser contaminado pelo vírus antes de receber sua dose salvadora da vacina que o governo de São Paulo encomendou à chinesa Sinovac. Na microrregião de Januária, apenas 3,5% da população devem receber as duas doses do imunizante nessa primeira leva. 

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De volta ao prefeito Maurício Almeida, sua performance fotogênica só mimetiza as cenas que se repetem no dia de hoje por todo o país. Governadores, deputados, prefeitos, vereadores, as ilustríssimas mulheres de vereadores, e quem mais vier (exceto o negacionista Jair Bolsonaro), estarão a postos para faturar com a vacinação de poucos - por enquanto.

MATÉRIA-PRIMA

O flagelo do coronavírus é responsável pela imolação de 210 mil brasileiros na contagem oficial, mas é de se estimar que três ou quatro vezes esse número tenha morrido, quando se considera o critério das mortes por complicações em razão da covid.

Há uma demanda quase ansiosa pela vacina que, infelizmente, será para poucos ao longo deste primeiro semestre. O noticiário nacional, contudo, informa nesta manhã que o Instituto Butantã, responsável pela produção e distribuição da vacina chinesa no país, pediu autorização à Anvisa para a liberação de outras 4,8 milhões de doses.

O noticiário dá conta ainda que pode faltar o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), insumo fundamental para a produção da vacina de Coronavac no Brasil. O mesmo vale para o material fornecido pela Oxford, que é a vacina contratada pelo Ministério da Saúde, e que terá produção a cargo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Jandeiro.  

POR QUE ME UFANO!