logo 20182

POR QUE BOLSONARO NÃO CAI?

Ligado .

Acordo com centrão garante permanência no cargo, mas donos do centrão são a verdadeira âncora do presidente

Em contraposição à convicção de que o país não terá rumo com Bolsonaro na Presidência caminha, para descrédito geral, a constatação de que não será possível apeá-lo do cargo, malgrado o rosário de crimes que já perpetrou e que ainda vai praticar até descer a rampa do Planalto.

Pelo senso comum, a tragédia bolsonarista não será estancada porque o presidente e seu entorno mandou às favas as promessas de campanha ao atrelar seu destino aos caciques do centrão.

Ao alugar o centrão por garantismo, Bolsonaro abriu mão de boa parcela do seu poder discricionário, aqueles limites legais que lhe concedem espaço administrativo.

Optou por entregar nacos majoritários do orçamento para agradar a base congressual que não deixa seu impeachment ir adiante na Câmara dos Deputados - Arthur Lira (PP), o presidente da Casa, ignora olimpicamente os mais de 130 pedidos de impeachment. Foram-se os anéis, mas preservam-se os dedos tortos de um governo disfuncional e danoso ao país.    

A pouca margem para os gastos do governo foram convertidos no bilionário orçamento secreto e em emendas do relator. Esses recursos são aplicados segundo as conveniências paroquiais dos deputados e senadores, com graves prejuízos ao urgente planejamento centralizado das muitas carências do país.

É também isso que mantém o presidente aloprado no cargo. Sim, o acordão de Bolsonaro com o centrão garante sua permanência no Palácio do Planalto, mas não seria motivo suficiente para seus muitos desmandos, em que se inclui desemprego e inflação fora de controle, além da fome de milhões e os 600 mil óbitos da covid.

BALANÇA, MAS NÃO CAI

O governo tem outros parceiros importantes entre os donos do dinheiro grosso no país. Essa gente não joga para perder e tem no ministro Paulo Guedes (Economia) seu despachante em Brasília.

Há aqui uma espécie de pacto não escrito que segura as pontas do presidente.

Fosse só aquele empresário do ramo varejista que se fantasia de periquito a ser a apólice bolsonarista, o governo já tinha virado pó.

Mas tem muito mais. Banqueiros, grandes industriais e o pessoal do agronegócio sustentam o presidente no cargo.

É a essa gente que os políticos respondem porque, no geral, são os patrocinadores e, de certa forma, os donos dos seus mandatos.

Advém daí a falta de vontade política para apear Bolsonaro do cargo, não obstante sua desaprovação e a cada vez mais evidente falta de rumos do seu governo.

Sem a adesão de quem realmente manda no país, Bolsonaro vai ficando. Juros altos e inflação castigam os mais pobres, mas não chega a tirar o sono de quem dolarizou de há muito seus investimentos e patrimônio.

Nem mesmo espasmos golpistas como se viu no 7 de Setembro abala os reais donos do poder. Quando e se quiserem, colocam freio nos desatinos de Bolsonaro.

Não aconteceu até aqui e nada indica que vai acontecer. Falta gente na rua, o que impede a ignição daquela faísca que faria o Congresso Nacinal tomar posição.

O por que falta gente nas ruas? Há uma certa letargia na sociedade brasileira, em boa medida por conta da pandemia do coronavírus. Mas não é só o medo de ir às ruas - o povo nunca ficou isolado. Faltam os protestos que pressionariam o próprio governo a mudar seus rumos. Por exemplo, os panelaços ou buzinaços comuns no início da pandemia praticamente desapareceram. Enfim, a tal letargia. 

Bolsonaro, no tempo certo, será descartado pelos grandes interesses que dominam o país. Quando a senha chegar, o centrão pula fora. Ao bolsonarismo restará a frustração de não ter sido o que dele se acreditou.

///////////////////////////////////////////////////////
LEIA TAMBÉM:

EM CAUSA PRÓPRIA

Ligado .

Vereadores criam 2 novas cadeiras na Câmara de Manga com argumento de 'atender aos mais humildes'. Gasto pode chegar a R$ 1 milhão em quatro anos
Imagem: Clever Ignácio/Câmara Municipal de Manga

Plenário da Câmara de Manga vai ganhar  dois novos parlamentares a partir de 2025 

A Câmara de Vereadores de Manga aprovou na segunda-feira (20) emenda à Lei Orgânica do município que aumenta dos atuais nove para 11 o total de assentos na Casa. O novo número de representantes no Legislativo local começa a valer a partir de 2025, com os eleitos na eleição prevista para daqui a três anos.

A elevação do número de cadeiras foi aprovada por oito votos e um contrário. O vereador Jackson Cunha (Republicanos) assinou a proposta de emenda modificativa à Lei Orgânica, mas voltou atrás quando a pauta entrou em votação no plenário.

Os vereadores dão sequência à agenda de legislação em causa própria iniciada há duas semanas - quandos eles aprovaram outro projeto em que se auto concederam reajuste de 30% nos valores pagos no reembolso de despesas de alimentação e estadia que têm direito nas viagens a serviço ou, como eles dizem, para “aprimoramento pessoal”.

AÇODAMENTO

Não há ilegalidade em aumentar o número de vereadores. Há previsão legal para a medida, mas o que causa espanto é o açodamento de suas excelências em expandir o número de vagas quando ainda faltam mais de três anos para as próximas eleições municipais.

A turma é precavida com o próprio futuro. Com 11 cadeiras ao invés de nove, fica mais fácil - em tese - a reeleição de quem já detém o mandato. O salário bruto do vereador em Manga é de R$ 6.688,92. Após os descontos da Previdência Social e outros, isso dá um líquido aí perto de R$ 5,5 mil.

Mais vereadores, mais gasto público. Numa conta de padeiro, essas duas novas vagas podem representar gastos de R$ 1 milhão ao longo de quatro anos, que é a duração do mandato. A simulação inclui, além do pagamento dos salários e décimo terceiro, gastos com impostos, pagamento de diárias e o valor proporcional para a manutenção da estrutura da Câmara com funcionários, luz, água, internet, despesas de escritório, entre outras.   

BOQUINHA

Vale tudo para garantir a boquinha por mais um mandato, mas, claro, nem todos verão essa luz: tradicionalmente, metade dos vereadores não conseguem a reeleição para novo mandato. Alguns desistem em nome de novos projetos, outros não têm cacife nem mesmo para uma primeira eleição e acabam lá por acidente e há, ainda, os que são mesmo ruins de serviço e o eleitor devolve ao ostracismo.

Manga chegou a ter 15 vereadores, mas isso foi antes das emancipação dos distritos de Jaíba, Matias Cardoso (há quase 30 anos) e Miravânia (há 25 anos), quando praticamente se perderam dois textos da população do município-sede ou remanescente. Desde então, a população local não para de cair - resultado do exôdo em busca de melhores oportunidades de vida em outros pontos do país.

FALÁCIA

Na justificativa para criar as duas cadeiras adicionais, a mesa diretora da Câmara usa um argumento falacioso (para não chamar de mentiroso, que é o que é). Veja:

“Até as eleições de 2020, o município de Manga elegia nove vereadores. Todavia, deve-se ater ao fato de que a população do município aumentou e, há muito tempo, ultrapassou o número de habitantes em que se exige um acréscimo do número de representantes no poder legislativo”.

Não é verdade que a população local aumentou. Como mostro aqui neste texto, o número de locais não para de cair. O que os vereadores quiseram dizer, talvez, é que o município tem população suficiente para ter 11 representantes em lugar dos nove - o que é verdade. Mas também é fato que os nove parlamentares atuais dão conta do recado.

CAMADAS HUMILDES

MANGA HÁ 3 DIAS SEM CASOS DE COVID

Ligado .

Ausência de novas infecções é atribuída ao avanço da vacinação, mas autoridades sanitárias recomendam manter cuidados

O município de Manga, no extremo Norte de Minas, está desde o último domingo (19) sem registros de casos confirmados para o coronavírus. A notícia é boa, claro, e se soma a outra ainda mais importante: nesta quarta-feira, 22, o município atinge a marca de 70 dias sem óbitos para a doença - o último foi no dia 12 de julho.   

A trégua na contaminação pode ser rompida a qualquer momento porque há casos em investigação para a doença. O único hospital da cidade estava até ontem com os 16 leitos da Ala Covid desocupados.

Os três pacientes que estavam isolados até a semana passada no hospital foram liberados após os exames mostrarem que não estavam com a Sars-Cov-2. 

AVANÇO DA VACINAÇÃO

CONTRATO COM A CRISE

Ligado .

Prefeito de Manga reajusta em 30% piso para professor do ensino básico com base em folga de caixa que pode ser temporária


O prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT), encaminhou para a Câmara de Vereadores projeto de lei que reajusta em 30,3% o valor base do piso salarial local para os profissionais de ensino da educação básica no município.

De acordo com a proposta, que recebeu carimbo de 'urgência urgentíssima' e já deve impactar a folha salarial da categoria neste mês de setembro, o vencimento-base do professor municipal vai dos atuais R$ 1.325,24 para R$ 1.731,74.

Ainda é um valor muito inferior ao atual piso nacional do magistério, atualmente em R$ 2.886,24 (mesmo sem reajuste neste ano em razão da pandemia), mas, de toda forma, o reforço nos salários representa incentivo para a categoria que convive com remuneração sempre muito abaixo do ideal há muitos anos.

O vencimento de entrada para os pedagogos - que exige formação em nível superior - da educação básica também será reajustado: sai dos atuais R$ 1.417,50 para R$ 1.803,90 - incremento de 27,26%. O valor proposto para a hora-aula será elevado para R$ 24,25.

Os salários dos professores da educação básica são custeados com os repasses federais do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Do total de recursos recebidos, 70% definidos pelas Lei do Fundeb podem ser direcionado ao pagamento de salários. Manga deve receber R$ 11,7 milhões do Fundeb neste ano e a expectativa é de que a arrecadação com o fundo chegue a R$ 13,1 milhões em 2023.

DIAS MELHORES

O projeto de aumento do salário-base da educação básica não deve enfrentar resistências no Legislativo, onde o prefeito conta com maioria entre os vereadores. A oposição, além de ser minoria, não costuma jogar contra os interesses de categoria tão numerosa e - de certa forma - ainda influente no conjunto da sociedade como é o magistério.

O prefeito Anastácio, é importante o registro, navega com muito mais tranquilidade fiscal neste segundo mandato em relação ao primeiro, quando teve os aliados Dilma Rousseff (presidente) e Fernando Pimentel (governador), ambos de triste memória para o país e Estado.

Os primeiros três anos da gestão anterior de Anastácio (2013/2016) foram de penúria absoluta. Ele não conseguiu inaugurar uma única obra relevante e só foi salvo no último ano do mandato com o pacote de obras que incluia entregas como a urbanização do Parque Uirapuru e a orla do Rio São Francisco.

Agora, embora tenha governos contrários na Presidência Bolsonaro e no Palácio Tiradentes, além de o país enfrentar a maior crise sanitária da sua história, o município parece vivenciar dias melhores no quesito caixa.

Anastácio voltou a pagar os funcionários dentro do mês trabalhado e fez até a 'cortesia' de antecipar o pagamento da primeira metade do décimo terceiro no mês de agosto. Sem falar no pacote de obra que deve anunciar nos próximos dias, com recursos prometidos na casa aí dos R$ 12 milhões.

Não é pouca coisa, após a população passar à mingua durante os quatro anos da gestão do ex-prefeito Quinquinhas de Quinca de Otílio (PSD), de longe a pior que o municipio enfrentou em décadas no quesito realizações. Foram quatro anos de seca.

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

FREIO NO GALOPE AUTORITÁRIO?

Ligado .

Habituado com a impunidade nos muitos delitos que cometeu ao longo da carreira, Bolsonaro simula marcha-à-ré em pendores golpistas

 

Um desses rebentos do presidente Jair Bolsonaro, também ele sustentado pelo suor dos impostos pagos pelo povo brasileiro desde o berço, insinuou certa vez um dia que o golpe de Estado que o pai planeja contra a frágil democracia brasileira não era questão de se, mas para quando. Não era blefe do filhote aloprado e extremista, como ficou claro nesses idos de setembro. 

A tentativa, como se sabe, aconteceu nos tristes eventos a que o país assistiu, na condição de refém, no último 7 de Setembro. Frustrou-se a investida por erro de cálculo e planejamento ou mesmo pela carência da massa de manobra para um bote dessa magnitude, mas o fato é que se deu.

As forças armadas, Exército à frente, não toparam fazer parte da empreitada delirante e isso tirou os pés de Bolsonaro do pântano golpista em que se metera. A pantomina toda está suspensa, não enterrada. 

Tudo indica que novamente se dará, porque como disse o insano que desgoverna o país há quase três anos, o recuo foi estratégico. Jogo de cena estragégico para acalmar suas hostes e destinado a juntar forças e melhor oportunidade para enfim se concretizar.

Bolsonaro nunca escondeu que seu desejo mais íntimo sempre foi o de jogar o país nas trevas de autoritarismo e isolamento mundial. De se reconhecer que, até aqui, tem sido muito 'competente' nesse mister. O assustador é a falta de reação do país contra seus planos de jogar o país no atraso e na miséria.

E nesse ponto estamos. Colunistas de jornais e palpiteiros do Youtube se engalfinham em desatinos verbais com os prós e contras sobre a factualidade do ataque final do bolsonarismo à normalidade democrática, tão custosamente conquistada após a ditadura militar instalada em 1964.

Daqui até a eleição presidencial - provavelmente após o fechamento das urnas e o 'mito', enfim, desnudado em seu nanismo - pode ser que vejamos novamente as súcias do bolsonarismo em desembesto, prontas para fechar estradas e rumar na direção do STF, onde as togas esvoaçantes e sob apuros, novamente estarão de prontidão para jogar tudo para debaixo do tapete desta República - na enésima repetição do velho hábito de buscar o acordão, de se mexer rápido, mas para que tudo fique com dantes.

IMPUNIDADE É INCENTIVO 

MANGA: VACINA SUSPENSA PARA SUB-17

Ligado .


A Prefeitura de Manga foi rápida em aderir à recomendação do Ministério da Saúde (leia-e Jair Bolsonaro) via nota informativa N1/2021, aquela que suspendeu, na quinta-feira (16/9), a vacinação contra a Sars-Cov-2 para adolescentes entre 12 a 17 anos sem comorbidades. 

A decisão do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi unilateral e pegou todo o sistema de saúde do país de surpresa. O ministro, tudo indica, agiu por pressão do presidente Bolsonaro - em nova frente de polêmica para retirar a atenção do país para os novos escândalos que estouraram nos últimos dias contra seu governo - sem falar na crise econômica que joga milhões de brasileiros na fome e miséria.

Várias secretarias de saúde do país decidiram na sexta-feira não seguir a recomendação ministerial, que vai contra as orientações de especialistas e da própria Organização Mundial da Saúde (OMS). 

VACINÔMETRO

O CHILIQUE DE ARLEN

Ligado .

Em vídeo-piti, Arlen reclama de intervenção de adversário junto a ministro sobre retomada do asfalto entre Manga-Itacarambi 

 
Santiago esbraveja, gesticula, esquece frases e comete gafes uma atrás da outra por uma obra que seu grupo político não consegue tirar do papel há seis anos

O deputado estadual Arlen Santiago (PTB) gravou vídeo para rebater a conversa sobre a retomada da pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi que o deputado federal Paulo Guedes (PT), seu arqui-inimigo político na microrregião do extremo Norte de Minas, teve com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

A conversa virtual entre Guedes e o ministro Tarcísio se deu durante a audiência pública da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados (CBT), na terça-feira (14), quando o deputado mineiro perguntou a Freitas sobre eventual previsão para a retomada do asfalto da BR-135 no Norte de Minas, no sub-trecho entre Manga e Itacarambi.

Arlen não gostou. Com semblante fechado, dedo em riste e voz cavernosa, o deputado ataca Guedes e o petismo. Sobrou até para o ex-presidente Michel Temer, de quem o próprio deputado e seu grupo tentou se aliar durante breve passagem pela Presidência.

O vídeo foi enviado para grupos de Whatsapp formado por seus eleitores nas cidades de Manga, São João das Missões, Itacarambi e Januária. Nelo, o deputado aparece visivelmente nervoso, chega até mesmo a caguejar e ter lapsos de memória em alguns momentos.

O cangolé do deputado Arlen não razão de ser. A verba para a BR-135 anunciada pelo ministro Tarcísio durante a live com Paulo Guedes é de apenas R$ 20 milhões, uns trocados que mal conseguem pagar as custas de elaboração de novo projeto executivo para a obra de engenharia da estrada.

Recomenda-se ao médido Arlen Santiago a se auto-receitar uma maracujina antes de responder a seus desafetos políticos. A reação com o fígado é má companheira. Muito perto de uma síncope, Santiago acusa o deputado Guedes e o petismo de ter negligenciado a construção da obra da estrada nos 16 anos que estiveram no mando federal.

"Pimentel [ex-governador de Minas] não quis fazer essa estrada, Lula e Dilma não quiseram fazer, nem Temer quis fazer. Agora ouvem falar, Óh, parece que o Alexandre Silva [senador], o Pinheirinho [deputado], junto com o Arlen Santiago estão buscando recursos para fazer. Ô gente, que é isso! Vão trazer obras? Não veio em 16 anos de governo do PT e agora, no primeiro ano do mandato do Bolsonaro vai fazer obra para algum deputado do PT? Vai fazer pro povo", berrou Santiago, quase em apoplexia.

Arlen conseguiu cometer uma série de gafes no curto intervalo de 1:25" em que durou a mensagem. Mais um pouco e o deputado Arlen vai proibir o ministro aliado de falar com a oposição. No universo ideológico do bolsonarista, a BR-135 agora tem dono e não pode ser objeto de reinvidicação da oposição - que ele corteja, quando a conveniência fala mais alto, como mostra a imagem abaixo.


Arlen Santiago, ao microfone, em reunião com diretório do PT em Matias Cardoso na pré-campanha municipal de 2020

Próximo de um ataque de nervos, o deputado Santiago esqueceu frases, insinuou que Paulo Guedes corre atrás de eventos em que o ministro da Infraestrutura participa, quando, na verdade, Tarcísio participava de audiência na CBT, comissão legislativa da Câmara Federal da qual o deputado mineiro é membro efetivo.

DERRETIMENTO

MINHA DIÁRIA, MINHA VIDA

Ligado .

Sob argumento de defasagem, Câmara de Manga reajusta em 30% valores de diárias para viagens a serviço

Mesa diretora da Câmara de Manga: novos valores para viagens a trabalho gera críticas da população

Os vereadores de Manga repetiram nas últimas semanas o velho hábito de legislar em causa própria. Quando isso acontece, claro, a conta vai para quem paga os impostos que financiam a existência dos poderes. 

Numa frente, a Casa aprovou por 8 votos a um a atualização da tabela para pagamentos de diárias em viagens a serviços aos parlamentares e servidores. Noutra, ainda sem desfecho, os vereadores vão aumentar o número de cadeiras dos atuais nove para 11, já a partir da próxima legislatura.

A justificativa para o reajustes nos valores pagos até então nas viagens a serviços é de que eles estavam "totalmente defasados e corroídos pela inflação dos últimos seis anos e já não supriam mais as necessidades dignas de hospedagem e alimentação para parlamentares e servidores que, constantemente, viajam aos grandes centros em busca de capacitação e emendas parlamentares".

Com a atualização da tabela, o valor da diária para o vereador em viagens para Brasília, a opção mais cara entre todas, sobe dos atuais R$ 680 para R$ 880 (divididos entre a parcela pousada + alimentação).

Os repasses recebidos pela Câmara de Manga nos primeiros seis meses deste ano chegaram a R$ 972,6 mil (à razão de R$ 162 mil/mês). É com esses recursos que a Casa custeia seus gastos correntes, entre eles o pagamento das diárias para viagens a serviço. 

Fac-simile com recortes da emenda modificativa que atualizou os valores das diárias a serviço 

Já os deslocamentos para Belo Horizonte, que são constantes por que a cidade é sede do governo mineiro, serão remunerados a partir de agora em R$ 658 ante os R$ 510 que vigiam até então.

Viagens para cidades com população acima de 50 mil habitantes (casos de Montes Claros, Janaúba e Januária, para ficar em três casos bem comuns) dão direito à verba indenizatória de R$ 503 - contra os R$ 390 válidos até o mês passado.

Os valores foram majorados nos mesmos percentuais também para os servidores da Câmara Municipal. Se for convidado a viajar até Belo Horizonte, o assessor recebe R$ 516. Viagens para Montes Claros - que a turma adota festivamente como caminho da roça - valem reembolso de R$ 271.

A lei aprovada pela Câmara de Manga traz ainda um mimo para seus funcionários: o servidor que viajar junto com o vereador no status de "assessor parlamentar" faz jus a diárias no "mesmo valor atribuído à autoridade assessorada para assegurar [a esse funcionário] hospedagem e alimentação no mesmo padrão". Numa frase: mordomia em dobro.

EM DIA DE PILATOS

TARCÍSIO PREVÊ R$ 20 MI PARA BR-135

Ligado .

Questionado pelo deputado Paulo Guedes, ministro diz que há dinheiro para o trecho Manga-Itacarambi. Só não avisa quando sai o asfalto

Audiência pública debate retomada da pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi: Tarcísio (abaixo) destaca luta de Guedes (acima) pelo o asfalto 

Durante mais uma audiência pública da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados (CBT), na terça-feira (14), o deputado federal Paulo Guedes (PT) interpelou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para cobrar a retomada do asfaltamento da BR-135, no Norte de Minas, no subtrecho entre as cidade de Manga e Itacarambi, com extensão de 48 quilômetros.

Segundo o ministro, a previsão do recurso para a retomada da BR-135 no extremo norte de Minas está no projeto de lei do Congresso Nacional, o PLN-15, que prevê a abertura de crédito especial no valor de R$ 3 bilhões para a execução de obras federais.

“Em relação às questões colocadas pelo nosso deputado Paulo Guedes, que nos cobra desde o início do mandato, desde a primeira vez que estive aqui na CBT, ele já colocava a questão da BR-135, existe sim, deputado, a previsão de recurso para a pavimentação”, disse o ministro Tarcísio Freitas em sua resposta a Paulo Guedes, a quem reconheceu publicamente o empenho pela retomada da pavimentação da rodovia federal.

‘INÍCIO DE JORNADA’

“O PNL-15 vai abrir a rubrica para que a gente possa fazer a licitação entre Manga e Itacarambi. Tem R$ 20 milhões lá, para que a gente possa fazer o início de jornada, o início de obra. É importante a aprovação do projeto para, na sequência, a gente fazer a licitação", disse Tarcísio.

O ministro, entretanto, não diz quando seu ministério vai abrir o processo licitatório para contratação da empresa responsável pela obra. Os R$ 20 milhões reservados no crédito especial mal dá para a fase de elaboração do projeto-executivo da estrada, mas é de se reconhecer que seria um princípio de solução. 

O custo estimado para os gastos com o asfalto entre os dois municípios anda aí pela casa dos R$ 150 milhões, mas o valor final só será conhecido após o projeto-executivo ficar pronto. É preciso levar em conta a atualização dos custos de material de construção e a inflação, que voltou sem freio no governo Jair Bolsonaro. 

A população da região espera pela pavimentação há quase duas décadas, desde que os governos petistas e de Michel Temer executaram as obras de asfaltamento na direção do Estado da Bahia, entre Manga e Correntina.

DNA

O asfalto remanescente no Norte de Minas, por sinal, tem uma quantidade inédita de políticos à espera do seu ‘nascimento’ para pedir a realização do exame de paternidade. Desde petistas, que efetivamente retomaram as obras de pavimentação, até os neo-bolsonaristas mineiros, que semana sim e na outra também anunciam o reinício do asfalto, que nunca chega.

Com a aproximação das eleições de 2022, políticos ligados a Bolsonaro na região, casos do senador Carlos Viana e dos deputados Antonio Pinheiro Neto, o Pinheirinho (PP), além do estadual Arlen Santiago (PTB), entre outros, começam a entrar em pânico ante o cada vez mais provável estouro do prazo-limite para que a obra ao menos saia do papel, com a autorização para a licitação.

“A conclusão da BR-135 é uma luta nossa de muitos anos. No governo do presidente Lula, conseguimos executar grande parte dela, nos trechos de Manga até Montalvânia e de Montalvânia até Cocos, na Bahia. Infelizmente, a obra foi interrompida devido a burocracias dos órgãos ambientais, mas a nossa luta nunca parou e só terá fim quando tivermos 100% desta obra concluída”, discursou Paulo Guedes, para irritação máxima dos novos ‘donos’ da rodovia que nunca sai.

O ministro Tarcísio, que deve sair candidato ao governo do Estado de São Paulo e que, no limite, não tem muito interesse na aflição dos aliados bolsonaristas em Minas, tem garantido que o edital da estrada vai sair ainda a tempo de se faturar politicamente com a obra. A ver.

100 ANOS DE MANGA: A JANELA SE FECHA

Ligado .

A dois anos da efeméride do 1º centenário não há providência nem planejamento para as comemorações 

Desfile cívico do Sete de Setembro: aniversário de Manga coincide com o da Independência do Brasil 

Não é pouca coisa a oportunidade de ser o maestro do primeiro centenário da emancipação política do município de Manga daqui a dois anos.

O mesmo raciocíniovale para o evento de 200 anos da proclamação da República, previsto para o 7 de Setembro de 2020 - esse um evento nacional, de responsabilidade do governo federal - que, até aqui, praticamente não se movimentou para a data.   

No caso de Manga, e salvo motivo de força maior, a honraria caberá ao atual prefeito Anastácio Guedes (PT) que, nada indica até aqui, tenha noção do momento que o destino lhe oferta ou que esteja à altura do feito.
  
Tenho me batido aqui neste espaço há cinco anos sobre a importância do planejamento para as comemorações dos 100 anos. Resgato texto do mês de setembro de 2016, no calor das eleições daquele ano:

“Enviem para a Câmara de Vereadores um projeto lei em que proponha a criação de um fundo para financiar a efeméride dos 100 anos do município, juntamente com a criação de comissão de notáveis no plano local para pensar as comemorações desse momento especial da história da cidade. Caberia a essa equipe resgatar aspectos físicos e simbólicos dessa história, planejar a festa no seu sentido mais amplo, de modo a evitar que ela se resuma ao Psirico do momento ou um torneio de motocross ou vaquejada. Isso também é importante, mas nem de longe representa, isoladamente, os valores culturais do município.”

----------------------------------------------------------------------------------

LEIA TAMBÉM:

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA DE LEMBRAR

É HORA DE PENSAR OS 100 ANOS DE MANGA

CONTRIBUIÇÃO AO DEBATE QUE NÃO HOUVE

----------------------------------------------------------------------------------
O ex-prefeito Quinquinhas de Quincas de Otílio, o Joaquim Posto Oliveira (PSD), foi o vencedor daquele pleito, o de 2016, e nada vez ao longo dos quatro anos para preparar a festa do centenário.

Produziu, na verdade, a pior gestão no quesito obras em décadas. Mas a roda do tempo girou e outra eleição aconteceu, a de 2020, que fez de Anastácio novamente prefeito do município e o síndico dos 100 anos.

CONTRA O RELÓGIO